Você já recebeu uma mensagem de WhatsApp de uma empresa que nunca procurou? Ou uma ligação oferecendo serviço exatamente sobre algo que você pesquisou dias antes? A maioria de nós já passou por isso. E a sensação é sempre a mesma: de onde tiraram meus dados?
Essa pergunta, que antes parecia coisa de especialista em tecnologia, virou assunto de qualquer cidadão. Afinal, nossos dados estão em cadastros de lojas, bancos, aplicativos, escolas, hospitais, órgãos públicos e redes sociais.
O CPF, o telefone, o e-mail, a localização e até nossos hábitos de consumo formam uma espécie de identidade digital. Quando essa identidade circula sem controle, todos ficamos mais vulneráveis.
A Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD, nasceu para colocar ordem nesse cenário. Mas, em 2026, o desafio já não é apenas cumprir a lei no papel. O ponto principal é outro: empresas e governos precisam tratar dados pessoais como tratam dinheiro, patrimônio e reputação. Porque, na prática, dados também têm valor, e muito.
O vazamento recente no sistema do INSS, que atingiu 2,8 milhões de CPFs, mostra que o problema não é abstrato. Mesmo quando parte das informações pertence a pessoas já falecidas, o risco permanece.
Dados expostos podem alimentar golpes, fraudes, abordagens indevidas e tentativas de enganar famílias inteiras. É por isso que privacidade deixou de ser uma discussão distante. Ela está no golpe recebido pelo celular, na cobrança suspeita, na oferta que chega sem explicação, no cadastro usado sem autorização e no medo de clicar em um link falso.
A boa notícia é que o Brasil está amadurecendo. A ANPD, órgão responsável por fiscalizar a proteção de dados, ganhou mais força institucional em 2026. Também colocou entre suas prioridades temas como direitos dos cidadãos, proteção de crianças e adolescentes, uso de dados pelo poder público e inteligência artificial.
Esse último ponto merece atenção. A inteligência artificial já está em atendimentos, bancos, lojas, sistemas de crédito e ferramentas de trabalho. Ela pode melhorar serviços, mas também pode ampliar riscos se empresas usarem dados pessoais sem critério, sem transparência e sem segurança.A opinião aqui é direta: proteger dados não é favor ao consumidor. É obrigação. E mais do que isso, é sinal de respeito.
Empresas que compram listas de contatos, compartilham informações sem clareza ou acumulam dados que não precisam estão construindo um risco para si mesmas e para a sociedade. O cidadão não pode ser o único responsável por se proteger depois que o problema acontece.
Em um mundo cada vez mais digital, confiança será um diferencial. Vamos escolher melhor em quem compramos, onde investimos, quais aplicativos usamos e quais empresas autorizamos a entrar na nossa vida.
A LGPD não deve ser vista como burocracia. Ela é uma forma de lembrar que, por trás de cada cadastro, existe uma pessoa. E, quando falamos de pessoas, privacidade não é detalhe. É confiança.