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Limpar os pés no tapete sanitizante, substituição de cardápios físicos por digitais, higienização de embalagens e aferir a temperatura antes de entrar no comércio e escolas são algumas das medidas usadas para evitar a contaminação pela covid-19.
Mas, será que esses hábitos ainda são eficazes? Especialistas afirmam que muitas dessas medidas não têm eficiência contra o coronavírus.
“A temperatura já vimos pelos estudos que é um sinal que nem todos têm. A pessoa pode estar doente ou assintomática e não ter febre, ou ela pode ter tomado algum analgésico, antes de sair de casa e, mesmo estando doente, não apresentar sinal de alteração de temperatura. Não é uma medida efetiva”, destaca a doutora em Epidemiologia Ethel Maciel.
Outra prática que os especialistas afirmam já ser reconhecida como ineficaz contra a covid é o uso de tapetes sanitizantes.
“Não vejo valor sobre isso. O que a pessoa pode fazer é deixar o sapato para o lado de fora ou limpá-lo, mas já vimos que a forma de transmissão não é grande com a medida”, explica a pneumologista Ciléa Victória Martins.
Pelas evidências de que a chance de transmissão por superfícies é baixa, a infectologista e professora de Medicina da UVV, Tâmea Possa, destaca que limpar os produtos que vêm da rua não é uma medida importante contra o vírus.
“A limpeza do ambiente é muito importante no local onde tem o paciente internado com covid, com uma alta carga de vírus. Por exemplo, dentro de uma UTI (unidade de terapia intensiva), onde há vários equipamentos. Neste ambiente é importante fazer a desinfecção adequadamente”.
A pneumologista Jéssica Polese afirma que apesar de a transmissão por contato ser baixa é preciso continuar tomando alguns cuidados com as mãos para não levar à boca.
“O cardápio digital, por exemplo, evita o contato físico. E tudo que a gente puder evitar, principalmente com as mãos, é bom”.
As especialistas foram categóricas quanto ao uso de máscara. Para elas, essa é uma medida que deve continuar, até mesmo como forma de evitar outras doenças respiratórias, hábito que já é usado em outros países, como o Japão.
No Colégio Pio XII, o diretor Cristiano Chibib explicou que a instituição só afere a temperatura de estudantes que apresentam algum mal-estar. “Mas as famílias estão bem atentas e não mandam para a escola os estudantes com sintomas”.