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ECONOMIA

Bancos vão poder tomar moradia única em caso de dívidas

Novo Marco das Garantias libera retomada mesmo se for a residência da família

Bancos vão poder tomar moradia única em caso de dívidas
- Guedes disse que a medida deve facilitar o acesso ao crédito a trabalhadores e empresas e, assim, diminuir juros

Última atualização

A Câmara dos Deputados aprovou o texto do Novo Marco das Garantias, que assegura que uma mesma moradia poderá ser utilizada como garantia para várias operações de concessão de crédito. Atualmente a lei diz que o imóvel residencial é impenhorável, salvo algumas exceções. 

Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, a medida deve facilitar o acesso ao crédito a trabalhadores e empresas e consequentemente diminuir os juros.

O texto aprovado amplia a lista de imóveis que podem ser penhorados e contempla também a alienação fiduciária, modelo onde a propriedade é transferida no registro para o nome do credor, como garantia do pagamento da dívida.

O economista Jorge Eloy diz que do ponto de vista financeiro é viável, pois um mesmo imóvel poderá ser usado para buscar diversos empréstimos ou financiamentos, mas que do ponto de vista jurídico tem que ser observado na prática como será estabelecida a fila de credores e a ordem de pagamentos em caso de execução da moradia por inadimplência.

Para o advogado e presidente da Comissão Nacional de Direito Imobiliário, Alencar Ferrugini, o projeto busca desburocratizar o sistema atual e tornar mais fácil o acesso ao crédito para quem precisa: “O imóvel, no geral, tem um grande potencial para que a pessoa adquira crédito, mas atualmente fica limitado a um crédito único”.

Já o advogado do consumidor João Eugênio Modenesi conta que essa alteração na lei vai obrigar o cidadão a ter mais responsabilidade na hora de buscar por empréstimos utilizando seu imóvel, já que agora não pode mais alegar que a moradia é um bem de família e por causa disso não poderia ser despejado para ter a casa ou apartamento penhorado.

Segundo o relator João Maia (PL-RN) “não se deve proteger alguém que oferece imóvel em garantia e, diante do descumprimento de obrigações garantidas, alega a impenhorabilidade do seu bem”.

O projeto agora segue para apreciação do Senado onde aguarda votação. A proposta ainda pode cair, caso a oposição consiga os votos necessários, mas o governo já enxerga como certa a aprovação no Plenário.

 













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Entenda

Várias transações com um só bem


Como é hoje

– Atualmente, é possível usar um imóvel como garantia para conseguir empréstimo, desde que não seja único.

– Apenas uma operação de crédito por imóvel é permitida.

– Um imóvel único considerado como bem de família não pode ser penhorado.

– Apenas é permitido a execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real.

– O imóvel pode ser penhorado em casos de produto proveniente de crime ou por ordem judicial.

Como será

– Um imóvel considerado bem de família poderá ser usado como garantia para concessão de empréstimos.

– Serão permitidas várias operações de crédito para um único imóvel.

– Segundo Alencar Ferrugini o projeto busca desburocratizar o sistema atual e tornar mais fácil o acesso ao crédito. 

– Os credores terão ordem de prioridade na hora da execução da garantia.

 – O devedor terá acesso a mais crédito ao longo do pagamento da dívida, correspondente ao valor já quitado.

– As operações de penhor civil deixam de ser executadas exclusivamente pela caixa e serão exercidas por instituições financeiras.

– A administração das garantias será feita pela Instituição Gestora de Garantias (IGGs)

Fonte: Projeto de lei e especialistas citados

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