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O percentual de desempregados entre os jovens de até 24 anos é o dobro do apresentado na média de todas as faixas etárias.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia de Estatística (IBGE), o desemprego nessa população tem se mostrado mais persistente do que no geral.
A taxa de desocupação da população foi de 7,4% em 2012 para 13,7% em 2020 e 9,3% em 2022.
Já entre os jovens, passou de 14,8% em 2012, atingiu 28,6% no primeiro ano de pandemia (2020) e caiu para 19,2% no ano passado, ainda acima da mínima histórica de 14,7% em 2013 e 2014.
Especialistas do mercado esclarecem que as transformações sociais, econômicas e tecnológicas, aceleradas com a pandemia da covid-19, podem agravar esses desafios, o que exige atenção de todos os atores envolvidos nas políticas para inserção de jovens no trabalho.
Mary Mendonça, consultora de Recursos Humanos, explica que o cenário nem sempre é culpa do jovem. Dentre os questionamentos mais comuns daqueles que ela assiste está o seguinte: “Na entrevista, disseram que eu precisava ter experiência profissional. Mas como vou ter, se não me dão uma chance?”.
Para ela, é necessário que políticas públicas de conscientização se tornem habituais a fim de mudar a cultura das empresas.
“Entre 18 e 24 anos, é comum que os jovens tenham dúvidas. Com o período pós-pandemia, muitos não tiveram a oportunidade de criar conexões, logo, quando chega nessa fase da vida, falta um norte”.
A especialista orienta que as empresas invistam em oportunidades para os jovens.
“A chance de receber um funcionário sem vícios, que vai se moldar conforme os valores da empresa, é excelente, mas para chegar lá, é preciso paciência para orientar”, relata.
Para o economista Jorge Eloy, salvo em algumas exceções, a média salarial caiu.
“Em alguns casos, o piso ao invés de aumentar, diminuiu. Esperando melhores condições de emprego, os jovens demoram para começar, mas é um ciclo negativo para a economia.”
OS PERCENTUAIS
Comparativo
Os números mostram que na comparação com 10 anos atrás o desemprego entre os jovens subiu 4,4 pontos percentuais, acima do 1,9 ponto percentual do crescimento da população no período.
Além disso, ao longo dos últimos anos, a diferença percentual da taxa de desocupação entre os jovens e a população total subiu de 7,4 pontos percentuais em 2012 para 9,9 pontos em 2022, tendo atingido 14,9 pontos em 2020.
No geral, os indicadores são piores para os jovens, sobretudo na faixa entre 18 e 24 anos.
Fonte: IBGE e Tendências Consultoria.
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