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Maioria dos brasileiros, incluindo jovens, prioriza a CLT ao buscar emprego

Pesquisa da CNI revela que busca por direitos resiste após reformas que flexibilizaram leis trabalhistas

Maioria dos brasileiros, incluindo jovens, prioriza a CLT ao buscar emprego
- Com o crescimento da informalidade no Brasil e o aumento de contratações via MEI (mesmo sem a pessoa ser microempresário), a CLT é vista como um atrativo porque garante conquistas históricas dos trabalhadores
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



O emprego com carteira assinada (CLT) é a escolha prioritária para 36,3% dos brasileiros que buscam uma vaga no mercado de trabalho – a maioria. O dado consta em levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta sexta-feira (10).

A preferência pelo modelo formal resiste ao cenário de precarização e perda de garantias iniciado em 2017, com a Reforma Trabalhista da gestão Michel Temer, que ampliou a flexibilização das contratações.

Com o crescimento da informalidade no Brasil e o aumento de contratações via MEI (mesmo sem a pessoa ser microempresário), a CLT é vista como um atrativo porque garante conquistas históricas dos trabalhadores: veja pontos abaixo

Benfícios da CLT



  1. Férias remuneradas: direito a 30 dias de descanso após 12 meses de trabalho, com o acréscimo de 1/3 do salário.
  2. 13º Salário: gratificação natalina que injeta um salário extra na economia ao final de cada ano.
  3. Jornada delimitada: limite de 44 horas semanais, com pagamento de horas extras (mínimo de 50% de acréscimo) para o tempo trabalhado além do contrato.
  4. Seguro-Desemprego: assistência financeira temporária para o trabalhador dispensado involuntariamente, fundamental para a transição entre empregos.
  5. Licença-Maternidade e Paternidade: garantia de afastamento remunerado para cuidados com o recém-nascido, preservando o vínculo empregatício.
  6. Seguridade Previdenciária: Garante o direito à aposentadoria por tempo de contribuição ou idade, além de auxílio-doença e pensão em caso de morte.
  7. Fundo de Garantia (FGTS): depósito mensal de 8% do salário em uma conta vinculada, que serve como reserva de emergência em caso de demissão sem justa causa.
  8. Aviso prévio e multa: proteção financeira no desligamento, incluindo a multa de 40% sobre o saldo do FGTS

Para Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI, o trabalhador ainda enxerga o regime formal como um porto seguro. 

Números da preferência nacional

O levantamento detalha como o trabalhador se posiciona diante das novas modalidades de ocupação:

  • 36,3% preferem a carteira assinada (CLT);
  • 18,7% optam pelo trabalho autônomo;
  • 12,3% consideram o emprego informal atrativo;
  • 10,3% buscam trabalho via plataformas digitais;
  • 9,3% preferem abrir o próprio negócio
  • 6,6% preferem atuar como PJ.
  • 20% não encontraram oportunidades atrativas

Segurança também é prioridade para nova geração

A busca por proteção social é maior entre os jovens. Na faixa de 25 a 34 anos, 41,4% preferem o regime CLT. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o índice é de 38,1%. O interesse pelo trabalho formal supera o desejo de abrir o próprio negócio (9,3%) ou atuar como Pessoa Jurídica (6,6%).

Renda complementar

A pesquisa indica que o trabalho por aplicativos, como motoristas e entregadores, é visto como fonte principal de sustento por apenas 30% dos que atuam no setor. Para a maioria, a modalidade serve como complemento de renda em um mercado onde as garantias previdenciárias tornaram-se escassas após as reformas da última década.

Satisfação e estabilidade

Apesar da busca por novas modalidades, 95% dos brasileiros empregados declaram satisfação com a ocupação atual. Desse total, 70% afirmam estar muito satisfeitos. O índice de insatisfação é de 4,6%, o de muito insatisfeitos chega apenas a 1,6%.

A mobilidade é maior – a busca por um novo emprego – entre quem tem menos tempo de casa. Cerca de 36,7% dos trabalhadores com menos de um ano na função buscaram nova vaga recentemente. Entre aqueles com mais de cinco anos no mesmo emprego, o interesse em mudar cai para 9%. Os jovens são os que mais buscam uma nova vaga de trabalho, o que mostra que eles não se adequam de imediato com o local onde estão.

A mobilidade no mercado é limitada:

  • 20% buscaram outro emprego recentemente;
  • 35% dos jovens (16 a 24 anos) procuraram nova vaga;
  • 6% dos trabalhadores com mais de 60 anos fizeram o mesmo.
  • A influência do tempo:
  • 36,7% com menos de um ano no trabalho buscaram nova vaga;
  • 9% com mais de cinco anos na mesma função fizeram o mesmo.

Metodologia

O levantamento foi realizado pelo Instituto Nexus, em parceria com a CNI. Foram ouvidas 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todas as regiões do país. As entrevistas ocorreram entre 10 e 15 de outubro de 2025, com consolidação dos dados para divulgação em abril de 2026, mas a CNI só divulgou nesta sexta-feira..

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