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OPINIÃO ECONÔMICA

A encruzilhada do varejo

Varejo brasileiro vive uma mudança estrutural: loja física deixa de ser balcão de vendas e passa a exigir dados, CRM e experiência integrada

A encruzilhada do varejo
- Floriano Schneider é especialista em estratégias de vendas e negócios

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Tenho discutido semanalmente com pequenos, médios e grandes empresários o quanto o varejo brasileiro vem passando por transformações que mudaram definitivamente a lógica do consumo.

No entanto, muitos empresários ainda insistem em gerir suas operações com fórmulas do passado: tratam a loja física apenas como um balcão transacional e recorrem a promoções genéricas sempre que o faturamento dá sinais de estagnação.

E aqui, pra mim, é o ponto que divide quem vai se manter no jogo e quem vai passar por grandes dificuldades nos próximos meses — período em que historicamente se concentram as maiores oportunidades de receita.

A realidade atual impõe um duplo desafio à liderança empresarial. De um lado, o custo de ocupação do ponto físico e o encarecimento do capital de giro exigem máxima rentabilidade por metro quadrado.

De outro, o orçamento familiar segue disputado não apenas por concorrentes diretos, mas por serviços e novos hábitos digitais.

Nesse cenário, a loja física puramente passiva perdeu a função. Ela precisa se consolidar como um hub estratégico de experiência, relacionamento e conveniência, integrando com naturalidade o mundo físico ao digital (phygital).

Contudo, nenhuma estratégia phygital se sustenta sem inteligência analítica. É aqui que o CRM e a segmentação de base se tornam cruciais. Dar descontos massivos e indiscriminados para tentar atrair público tornou-se uma armadilha cara e ineficiente.

A conversão de alto valor hoje acontece quando a empresa compreende os hábitos de consumo de sua base e a ativa com ofertas personalizadas, utilizando canais diretos e comunicação orientada.

Quando a inteligência de dados orienta a operação, o ponto de venda ganha relevância real e a equipe de atendimento passa a atuar com informações precisas sobre o perfil de quem entra na loja, permitindo abordagens consultivas.

Ao mesmo tempo, o espaço físico se torna o catalisador que valida o relacionamento iniciado no ambiente digital, gerando fidelização e aumentando o valor do tempo de vida do cliente (LTV).

Para os próximos trimestres, a tomada de decisão do empresário deve priorizar dois pilares integrados: transformar a loja física em um centro de relacionamento multicanal e estruturar a gestão de dados para falar com o público certo no momento exato.

O crescimento sustentável não virá da guerra de preços, mas da sofisticação da gestão.


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