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Economia

Pimenta que “nasce” em árvore dobra lucro no ES

Produtor adota pimenta-do-reino em consórcio, melhora microclima e dobra colheita com um manejo mais estável

Pimenta que “nasce” em árvore dobra lucro no ES
- José de Melo encontrou na própria dinâmica da natureza uma solução para aumentar a produtividade
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Clóvis Rangel

Clóvis Rangel é publicitário e jornalista formado pela Faculdade Pitágoras. Pós-graduado em Redes Sociais e em Sociologia, atua como especialista na editoria de variedades. É repórter do jornal A Tribuna e do portal Tribuna Online, além de professor de Marketing.

Última atualização


Em meio às lavouras de Linhares, Norte do Espírito Santo, o produtor rural José de Melo, 63 anos, encontrou na própria dinâmica da natureza uma solução para aumentar a produtividade da pimenta-do-reino.

No início deste ano, ao adotar o cultivo em consórcio com árvores, passou a conduzir os pés da cultura diretamente nos troncos, criando um sistema mais equilibrado e eficiente.

O sombreamento natural proporcionado pelas árvores contribui para a formação de um microclima mais estável, protegendo as plantas do excesso de sol e reduzindo o estresse hídrico.

Com isso, as pimenteiras apresentam mais vigor, melhor sanidade e maior regularidade produtiva. O reflexo é sentido na colheita, que, juntamente ao lucro, praticamente dobrou em relação ao modelo tradicional.

Para José de Melo, a mudança trouxe resultados visíveis no dia a dia da lavoura. “A planta responde melhor quando não sofre tanto com o calor. Ela cresce mais forte e produz mais”, relata.

Segundo ele, o sistema também favorece o solo, que permanece mais úmido e protegido. Ao falar sobre a decisão de mudar o manejo, o produtor destaca a segurança trazida pelo novo modelo.

“Antes, a produção variava muito de um ano para outro. Hoje é mais estável. A gente trabalha com mais tranquilidade, sabendo que a lavoura aguenta melhor o clima. Não é só colher mais. É manter a lavoura viva por mais tempo. Quando a planta está bem, o resultado vem todo ano”.

Para o engenheiro agrônomo José Luiz Bianchi Loureiro, 50 anos, o cultivo da pimenta-do-reino em consórcio com árvores está alinhado às práticas modernas de manejo sustentável.

“O sistema melhora o microclima da lavoura, reduz o estresse térmico e favorece o desenvolvimento das plantas. É uma estratégia que une produção e equilíbrio ambiental. Quando bem manejado, o consórcio é altamente eficiente”, reforçou.

Segundo ele, no cultivo em consórcio, a pimenteira é plantada próxima a árvores que servem como tutor vivo, permitindo que a planta se fixe e cresça naturalmente ao longo do tronco.

As árvores fornecem sombreamento parcial, ajudam a regular a temperatura e a umidade do ambiente e contribuem para a proteção do solo.

Saiba Mais 

1. Tutor vivo natural

A pimenteira é conduzida diretamente no tronco de árvores, que funcionam como suporte natural, substituindo estacas ou mourões artificiais.

2. Sombreamento controlado

As árvores fornecem sombra parcial, protegendo do excesso de sol e reduzindo o estresse térmico.

3. Melhoria do microclima

O consórcio ajuda a manter temperatura e umidade mais estáveis, favorecendo o desenvolvimento vegetativo e a frutificação da pimenta.

4. Conservação do solo

A presença das árvores contribui para maior retenção de umidade, redução da erosão e aumento da matéria orgânica no solo.

5. Mais vigor e produtividade

Com ambiente mais equilibrado, as pimenteiras ficam mais saudáveis, produzem de forma mais regular e garantem maior estabilidade e rendimento ao produtor.


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