- Vitória, ES 23°C

Vitória 23°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
HISTÓRIAS EMPRESARIAIS

Revolução na indústria vai gerar mais 20 milhões de empregos no mundo

Revolução na indústria vai extinguir 85 milhões de postos de trabalho em funções obsoletas, mas criar 105 milhões, segundo Luciano Raizer

Revolução na indústria vai gerar mais 20 milhões de empregos no mundo
- Rafael Guzzo entrevista Luciano Raizer no novo episódio de histórias empresariais

Última atualização

 













|













Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Conteúdo Sensível:
Estilo:



 

Neoindustrialização é a palavra da vez no mundo empresarial,  um assunto caro também aos governos de todo o planeta e que, inclusive, vem sendo discutido no Congresso brasileiro.  

Esse processo resume a implantação da chamada Indústria 4.0, ou seja, a transformação das fábricas em um modelo completamente autônomo, em que máquinas se comunicam entre si. 

Leia mais notícias de Economia aqui

Após realizar pós-doutorado na área, o empresário Luciano Raizer falou com Histórias Empresariais sobre o tema. Raizer é professor e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), presidente do Fundo Espírito-Santense de Tecnologia e autor do livro “O Caminho da Indústria 4.0”. 

E foi enfático em afirmar que não existe outro caminho: ou o País adere ao modelo autônomo ou a indústria perderá sua participação no PIB, o que levará cada vez mais a vender produtos primários, mais baratos, e comprar acabados, com alto valor agregado.

 A Tribuna – O que é exatamente a “neoindustrialização”? 

Luciano RaizerÉ uma indústria diferente, que usa tecnologia e que é digital. Ela consegue fazer a transformação de maneira mais eficiente e produtiva, reduzindo recursos e estando mais conectada com o ambiente. É a  indústria digital ou indústria  4.0. 

Indústria 4.0 é diferente de “quarta revolução industrial”…

Essa denominação  de quarta revolução industrial vem do Fórum de Davos, que detalha o momento em que a humanidade vive, baseada no fenômeno da internet e da transformação digital. 

A conexão com a internet permitiu uma transformação desde o início do século, e por isso esse termo é utilizado. 

Mas quando você olha para a indústria especificamente, que transforma materiais em produtos tangíveis, como roupa, mesa, informática, carros, ela não acompanhou de maneira tão veloz os demais segmentos.

Diferentemente do setor de entretenimento ou bancário, as indústrias ainda não têm uma remodelação causada pela tecnologia de forma ampla. Não é uma reindustrialização, mas uma neoindustrialização, que pretende fazer um modelo de base digital e tecnologia para que o País tenha um maior protagonismo no mundo. 

O conceito de fábrica autônoma, com equipamentos que se comunicam entre si, causará  uma extinção de empregos?  

Com a mudança do mundo, as ocupações vão mudando. Lembra do ascensorista (risos)? Era o cara que operava o equipamento do elevador. Ele foi substituído pela tecnologia, que facilitou o serviço dele para que qualquer pessoa pudesse usar o elevador. 

Mas por trás dessa mudança houve uma cadeia imensa de outras ocupações que foram criadas para desenvolver esse avanço tecnológico. Há estudos que detalham que, nas próximas décadas, serão retirados 85 milhões de postos de trabalho, que serão substituídos pela tecnologia. 

Mas em compensação, outras 105 milhões de oportunidades serão criadas em outros tipos de emprego. Ou seja, a indústria vai criar, nas próximas décadas,  20 milhões de empregos a mais do que hoje.

Então a fábrica não será “100%” autônoma? Será necessário um suporte humano?

Exato. Não teremos mais operadores de máquina mecânica, mas sim programadores de máquinas digitais. Será preciso muita qualificação, porque esses profissionais vão fazer a curadoria para saber se um braço robótico de uma fábrica, por exemplo, está funcionando da maneira como deveria. Neste momento, pelo menos, teremos uma grande automação, mas a presença do ser humano segue necessária.  

E que tipo de profissional vai ser necessário nessa nova realidade? Vai continuar havendo necessidade de manutenção humana dessas tecnologias? 

Manter um ou vários especialistas é muito caro. A tendência é que haja a possibilidade de contratação de especialistas que atuem de forma remota, utilizando óculos de realidade virtual que mostrem a esse profissional o equipamento, para que ele aja para orientar sobre a recuperação daquela máquina. 

Sobre as novas ocupações, já tenho alunos que atuam como cientistas de dados.  Esses profissionais conseguem transformar uma massa de dados das empresas em gráficos e indicadores que permitem que você tome uma decisão.

 Então o equipamento atual da indústria será aproveitado…

 Você basicamente vai incorporar tecnologias e fazer com que a indústria ganhe níveis de autonomia até chegar ao nível mais alto. Ninguém vai jogar fora o equipamento atual, ele será adaptado, com sensores. 

Produzi um livro sobre isso, o Caminho da Indústria 4.0, que compara a automação na  indústria capixaba com a alemã, em uma escala de 0 a 5, onde 0 é nada de autonomia e 5 é totalmente autônoma. Ambas estão na média de 0,9.   

Chama a atenção estarmos no mesmo nível da Alemanha… 

Há um ponto aí que precisa ser explicado: a Alemanha é a referência mundial atualmente, e tem 5,3% de suas indústrias posicionadas do nível 3 para cima nessa escala. Nós não temos nenhuma indústria assim. 

Na verdade é uma corrida, porque não é tão simples fazer a transformação digital, por conta de circunstâncias complicadas. Temos a vertente americana, a europeia que é liderada pelos alemães, e a asiática liderada pela China. 

O instituto Fraunhofer, da Alemanha, no qual eu fiz o pós-doutorado, tem 72 unidades na Alemanha e 2,5 bilhões de Euros para o desenvolvimento de tecnologia industrial. E estão fazendo isso junto com a China.

Leia mais 

Trinta bairros da Grande Vitória passarão por transformações

Robôs, drones e arena de games em evento na Enseada do Suá

“Me deram 4 empréstimos no mesmo dia sem eu pedir”, diz aposentada

Mais Lidas

Ver tudo ›