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Após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deixar a Selic onde estava pela terceira vez consecutiva nesta quinta-feira (08), economistas aconselham aumentar a cautela antes de fazer aplicações financeiras.
Como está mais complicado conhecer o caminho da taxa básica de juros da economia daqui em diante, eles indicam evitar começar a comprar ações agora e dar preferência à renda fixa. Os títulos atrelados à Selic e à inflação são consenso entre as dicas, enquanto os prefixados são controversos.
O Copom elevou a taxa de juros desde abril de 2021, de 2% para os atuais 13,75% ao ano. A intenção era combater a inflação, ao subir o custo do crédito e diminuir o consumo.
Até outubro, era praticamente unânime entre os economistas que a Selic começaria a ser cortada em 2023. A dúvida era se isso aconteceria no primeiro ou no segundo semestre.
Após a eleição, contudo, as expectativas do mercado mudaram. Aumentou o medo de o governo Lula exagerar nos gastos, diante das incertezas em relação à equipe econômica nova e à PEC da Transição.
A piora na percepção de risco para as contas públicas causou um debate sobre uma alta da Selic no ano que vem, para evitar a aceleração da inflação causada pelo exagero nos gastos do governo. A previsão foi refletida nas taxas de juros oferecidas nos títulos atrelados à inflação e prefixados, que subiram.
“A posição radical do novo presidente colocando a política social como antagônica ao teto de gastos assustou os investidores, porque não são contrapontos. Responsabilidade fiscal gera dinheiro para política social no longo prazo”, afirma Beto Assad, analista de ações.
“Assim, o mercado entendeu que se essa fosse a linha de gestão, poderia exigir taxa de juros maior pelo risco do investimento”, completa.
Depois do momento de maior estresse já ter passado, a maior fatia dos economistas espera que o corte comece apenas no segundo semestre de 2023 e um grupo prevê alta no ano que vem.