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Educação

Países barram redes sociais para menores de 16 e Brasil aposta no ECA Digital

Ciência aponta riscos no uso precoce; no Brasil, ECA Digital exige confirmação de idade e contas vinculadas aos pais para menores de 16

Países barram redes sociais para menores de 16 e Brasil aposta no ECA Digital
- Eliana Lopes e a filha Cecília
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Redação Jornal A Tribuna

Reportagens produzidas pela equipe de jornalistas da Rede Tribuna, publicadas no jornal A Tribuna.

Última atualização

Uma das principais medidas adotadas por países quanto ao uso de celular por jovens é proibir o acesso a redes sociais para menores de 16 anos.

A tendência se baseia na ciência, já que nessa idade o jovem está mais preparado para lidar com o ambiente digital, segundo a pediatra especialista em medicina do adolescente e integrante do Grupo de Trabalho de Saúde Digital da Sociedade Brasileira de Pediatria, Beatriz Bermudez.

“Menores de 16 anos não têm a maturidade para avaliar riscos e malefícios da exposição à internet e a determinados conteúdos”.

Isso acontece porque o cérebro do jovem ainda está se desenvolvendo.

“As redes sociais liberam grandes doses de dopamina, que causa prazer, e dificulta mais ainda a tomada de decisões racionais”, explica Beatriz.

No Brasil, o caminho escolhido é diferente. Com o ECA Digital que entrou em vigor esse ano, as plataformas são obrigadas a adotar mecanismos de confirmação de idade e determina que menores de 16 anos podem ter contas apenas se estiverem vinculadas às dos pais.

Mas o desafio ainda é grande, já que 91% dos jovens entre 13 e 14 anos já possuem contas em redes sociais, segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025.

Por isso, a pediatra Flávia Tavares defende que os pais adotem medidas para adiar o acesso a redes sociais.

“É preciso oferecer alternativas saudáveis, incentivar esportes, brincadeiras, encontros com amigos e atividades em família. O objetivo é construir hábitos que sejam adequados para a idade”.

E, quando chegar o momento de liberar, o processo precisa ser supervisionado.

“O adolescente deve saber que não pode acessar conteúdos inadequados, nem praticar ofensas. Além disso, os pais precisam acompanhar o uso com ferramentas de controle parental, fiscalizando se necessário”, diz a médica.

Para a psicóloga Rachel Borges, mais importante do que proibir é ensinar crianças e adolescentes a desenvolver autonomia e senso crítico no ambiente digital.

“A tecnologia faz parte da nossa realidade e continuará presente na vida dessas crianças. Por isso, mais do que proibir, é fundamental educar para que o uso seja saudável”.

Além disso, deve-se observar como esse tempo está sendo aproveitado.

“Precisamos avaliar a qualidade do conteúdo consumido e o equilíbrio de tempo com outras atividades importantes”, conclui Rachel.

“O melhor para ela”



Percebendo que o celular estava atrapalhando o desenvolvimento da sua filha Cecília, 8 anos, a manicure Eliana Lopes, 37, e seu marido decidiram liberar o aparelho só a partir dos 15 anos.

Ela conta que agora incentiva que a filha faça atividades que correspondem à sua idade. “Criança precisa brincar. A decisão foi difícil, mas vejo que é o melhor para ela”.

Pais precisam dar exemplo

Estabelecer limites para o uso de celular e redes sociais começa pelo comportamento dos adultos, segundo especialistas.

Um exemplo são as orientações publicadas pela Agência Pública de Saúde da Suécia em junho, que aconselha os pais a não usarem o celular nos momentos em família.

Isso porque crianças aprendem observando os pais e tendem a reproduzir os hábitos que veem em casa, como explica o psicopedagogo Rogério Maia.

“Não faz sentido exigir que os filhos larguem o celular enquanto os pais permanecem conectados o tempo todo.”

Por isso, nos momentos em família, o ideal é buscar atividades que fortaleçam a conexão e ensinem hábitos saudáveis para as crianças.

“É importante estabelecer um acordo familiar com horários e locais sem telas, como durante as refeições, e regras claras sobre o uso da internet. O objetivo não deve ser apenas retirar o celular, mas substituir o tempo por convivência, diálogo e experiências reais.”

Além disso, o uso excessivo de telas pode até mesmo prejudicar a relação familiar, segundo a psicóloga infantil Luiza Colonna.

“O excesso de telas prejudica o diálogo, distancia os familiares, diminui as trocas e influencia até a forma como crianças e adolescentes lidam com possíveis conflitos.”

A pediatra Flávia Tavares destaca também que crianças pequenas aprendem mais pela observação do que pelo discurso.



“Se o olhar dos pais durante o brincar fica mais direcionado para uma tela do que para o que o filho está fazendo, automaticamente o filho vai despertar um maior interesse pelas telas. É um desafio para todos, mas é importante fazer esse esforço para estar verdadeiramente presente nesses momentos vividos em família para construir boas memórias.”



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