
Uma das escritoras mais importantes do Brasil, mulher negra e favelada, Carolina Maria de Jesus está sendo homenageada pelo Google, nesta quinta-feira (14). Ela ficou mais conhecida pelo livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, publicado em 1960. Ela faria 105 anos hoje.
Carolina foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, nos anos 50. Ele a conheceu durante a apuração de uma reportagem sobre a rotina em uma favela. A escritora é mineira e se mudou para a Favela do Canindé, em São Paulo, em 1947, lá ela trabalhou por anos catando papel e latinhas.
Em entrevista ao jornal O Globo, em 2014, o jornalista falou sobre Carolina. “Ela falava alto, dizia que ia botar o pessoal no livro. Aí quis saber qual era o livro. Então, ela me mostrou os cadernos dela no barraco. No meio, tinha esse diário, que me chamou atenção. Era de uma força muito grande e fazia uma reportagem sobre a favela que nenhum repórter poderia fazer”.

O jornalista publicou trechos de seus mais de 20 cadernos, na edição de 9 de maio de 1958, do jornal Folha da Noite. O título era “O drama da favela escrito por uma favelada”. A matéria teve uma grande repercussão, seguida de uma outra matéria feita pela revista “O Cruzeiro”, publicada em julho do ano seguinte.
Com Carolina no radar de todos, Audálio começou a receber pedidos de que um livro fosse lançado. Então, ele compilou todos os diários e publicou as partes mais instigantes. Os 10 mil exemplares da primeira edição venderam em uma semana, batendo os recordes da época.
A obra foi traduzida para 16 idiomas e comercializada em mais de 40 países. Carolina morreu em decorrência de uma insuficiência respiratória, em São Paulo, no ano de 1977. Antes disso, ela publicou mais seis livros:
- Asa de Alvenaria (1961);
- Pedaços de Fome (1963);
- Provérbios (1963);
- Diário de Bitita (1982);
- Meu Estranho Diário (1996);
- Antologia Pessoal (1996).
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