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O aroma que vem do Agreste e do Sertão ocupa o Dona Lindu neste fim de semana

Com expectativa de 5 mil pessoas, Pernambuco Café Show celebra a produção especial do estado com oficinas e feira de negócios

O aroma que vem do Agreste e do Sertão ocupa o Dona Lindu neste fim de semana
- O público vai poder acompanhar de perto os competidores da Copa Nordeste de Torra Kaleido, onde profissionais disputam quem alcança o ponto perfeito do grão na máquina
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

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O cheiro de café passado na hora vai tomar conta do ar na orla de Boa Viagem. Começa nesta sexta-feira (22) e segue até o domingo (24) a 2ª edição do Pernambuco Café Show, no Parque Dona Lindu, na Zona Sul do Recife. O encontro celebra o Dia Nacional do Café e transforma o espaço cultural em um grande salão de sabores, onde o público pode circular entre xícaras fumegantes, moedores em funcionamento e mesas cheias de conversa. Com entrada gratuita, o festival deve reunir cerca de 5 mil visitantes e 30 expositores, com a meta de movimentar R$ 1 milhão em negócios.

A estrutura do parque vai abrigar produtores com as mãos calejadas pela colheita, baristas que dominam o tempo exato da extração e os apaixonados pela bebida. A programação é vasta: palestras, workshops, degustações guiadas e experiências sensoriais que ensinam a notar a diferença entre o café tradicional do dia a dia e os grãos especiais, cheios de notas frutadas e florais.

Do pé à xícara: a força do interior no Recife

Quem caminhar pelos estandes vai encontrar histórias que vêm direto do topo das serras pernambucanas. O evento reúne, de forma direta e indireta, 30 produtores locais vindos de cooperativas de nove municípios. O público vai poder provar e entender o que faz o grão cultivado na altitude de Triunfo, no Sertão, e de Taquaritinga do Norte, no Agreste, ser tão diferente. Essas duas regiões, inclusive, estão em pleno processo de construção de sua “denominação de origem” — uma espécie de selo de identidade do solo e do clima —, em uma parceria que envolve a organização do festival, o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e o Sebrae Pernambuco.

Além de quem planta, quem transforma o grão também marca presença. Dez empresas de torrefação mostram como o calor controlado muda a cor, o estalo e o sabor do café antes de ele virar bebida. O festival funciona como uma engrenagem viva da economia:

Produção: Conecta a agricultura familiar ao consumidor final.

Mercado: Reúne torrefadores, donos de cafeterias e marcas de maquinário.

Futuro: Estimula contratos e parcerias comerciais a curto e longo prazo.

Mestres da torra e lançamentos literários



Para além do paladar, o festival mexe com os olhos e os ouvidos. O público vai poder acompanhar de perto os competidores da Copa Nordeste de Torra Kaleido, onde profissionais disputam quem alcança o ponto perfeito do grão na máquina. Na Arena Café Show, oficinas práticas vão ensinar o cidadão comum a melhorar o preparo do cafezinho em casa. A arte também ganha espaço com a Exposição Internacional de Artes com Café e com as imagens do fotógrafo Filipe Ramos, que registrou os rostos e os hábitos dos chamados coffee lovers.

Grandes nomes do setor circulam pelos debates. Entre os convidados estão Edgard Bressani, autor do Guia do Barista; Juscelino Bourbon, um dos criadores do filtro de cerâmica pernambucano Koar; e Bruna Porto, juíza da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). A ciência do grão será defendida pelos pesquisadores Jerônimo Borel, Suzana Pedroza e Tatiana Porto, das universidades federais UFRPE, Univasf e Ufape. O jornalista Romoaldo de Souza também assume o microfone para contar causos e mitos que rondam a bebida no Brasil.

Um dos momentos mais aguardados é o pré-lançamento do livro Cafés de Pernambuco, escrito pelo especialista Alan Cavalcanti, que também idealizou o festival e fundou o Malakoff Café. A obra faz um resgate dos últimos dez anos de evolução do mercado local.

O valor do grão sombreado no mercado nacional

Atrás de cada xícara existe um mercado em expansão. O segmento de cafés especiais — aqueles que passam por critérios rigorosos de qualidade, cultivados à sombra e de forma orgânica — virou o grande trunfo de Pernambuco. Esses grãos alcançam preços bem mais altos que o café commodity (comum) e atraem compradores de fora.

Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) referentes a 2025, o Nordeste garantiu uma receita bruta de R$ 9,86 bilhões, ficando no segundo lugar entre as regiões produtoras do país. Embora a Bahia concentre a maior parte desse faturamento (99,6%, somando R$ 9,83 bilhões), Pernambuco se destaca logo em seguida, liderando os demais estados da região graças à aposta firme na qualidade e no valor agregado de suas lavouras serranas.

As inscrições para as oficinas e a programação detalhada de cada dia podem ser acessadas pelo perfil oficial no Instagram: @pernambucocafeshow.

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