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O diploma universitário é um dos maiores sonhos dos jovens. Em um cenário de milhões de brasileiros desempregados, não é raro encontrar recém-formados ansiosos e inseguros. No Estado, mais de 11,7 mil novos profissionais, só em 2022, enfrentam desafios atuais no mundo do trabalho.
O número se refere aos formados no primeiro semestre do ano, somados aos estudantes finalistas, com expectativa de conclusão do curso neste segundo semestre, em nove das principais instituições de ensino superior do Estado.
Para a CEO do Grupo Kato, consultora organizacional e especialista em Desenvolvimento de Líderes, Roberta Kato, os principais desafios para os recém-formados estão relacionados às habilidades socioemocionais, como flexibilidade, espírito colaborador e comunicação.
Ter flexibilidade profissional, buscar o desenvolvimento de competências técnicas exigidas pelo mercado e construir um marketing pessoal eficiente são os caminhos para enfrentar o início da carreira, analisa a especialista.
“Os recém-formados estão mais fechados à atuação profissional que desejam dentro da área de formação, enquanto as empresas buscam profissionais flexíveis. Os maiores desafios estão relacionados às habilidades socioemocionais, à humildade de aprender e à paciência para a construção da carreira”, revelou.
O professor e assessor acadêmico corporativo do Grupo Multivix, Helber Barcellos, aponta que o contato com o mercado de trabalho, já durante a graduação, é uma das estratégias para facilitar a transição da vida acadêmica para a empregabilidade.
“Temos um núcleo de empregabilidade, além de disciplinas práticas em empresas parceiras e de encontros com profissionais de referência. A aproximação com o mercado de trabalho amplia a capacidade reflexiva e as habilidades sociais, de gestão e de liderança”.
Os estudantes do último período de Psicologia na Multivix Nicolli Fachetti, 22, Leonardo Henrique dos Santos, 37, e Isabella Bulhões, 25, irão enfrentar os desafios do mundo do trabalho já no início de 2023. Para Nicolli, o receio do desemprego é grande.
“Ficamos com medo de não conseguir a independência, e o desemprego assusta. O início é desafiador porque não temos tanta experiência prática. Contudo, o vínculo com os professores me dá confiança. Eles são referências e acreditam em nosso potencial”.
Conexões criam vantagens
O famoso “networking”, termo que se refere à rede de relacionamentos profissionais, pode criar vantagens e ajudar na inserção no mercado de trabalho, principalmente para recém-formados.
Colecionar contatos nas redes sociais, contudo, não basta para atingir o objetivo de conseguir oportunidades de emprego, aponta a CEO do Grupo Kato, consultora organizacional e especialista em Desenvolvimento de Líderes, Roberta Kato.
A especialista explica que é necessário agregar valor às conexões profissionais e construir relacionamentos genuínos, que vão além do simples contato nas redes sociais.
“Não é sobre quantidade e contatos aleatórios. É sobre construir uma relação de continuidade, em que haja reciprocidade na troca de informações e conhecimentos. Todos têm algo interessante a compartilhar e isso pode ser utilizado para construir conexões verdadeiras e eficientes”.
Para Roberta Kato, a produção de conteúdo e o compartilhamento de informações úteis nas redes do mundo do trabalho, como o LinkedIn, é um caminho para iniciar o contato com profissionais e construir relacionamentos.
“Construir o marketing pessoal é um movimento importante em qualquer fase da carreira. É um desafio para os recém-formados e, com certeza, facilita a conquista de oportunidades de inserção e de crescimento no mercado de trabalho”, afirmou.
Dicas para inserção no mercado de trabalho
Qualificação profissional é essencial
Estou formado, e agora? Muitas pessoas devem estar fazendo essa pergunta que, segundo especialistas ouvidos pela reportagem, não tem uma resposta isolada.
Para isso, eles deram algumas dicas que podem ser importantes para quem está prestes a ingressar no mercado de trabalho.
1. Descritivos da vaga
A partir da observação dos descritivos da vaga, é possível reunir os requisitos mais solicitados de acordo com o objetivo pleiteado para poder ir em busca de desenvolvimento e capacitações específicas.
2. Elaboração do currículo
É um passo muito importante, que faz toda a diferença na hora da seleção. Lembre-se que é possível elaborar um documento direcionado e com as palavras-chaves mais recorrentes da área de atuação, ficando mais simples se candidatar às vagas que tenham identificação com o perfil do candidato.
3. Estreite seu networking
Na busca por uma vaga no mercado de trabalho, é fundamental acionar os possíveis contatos potenciais que podem contribuir de alguma forma. Podem ser professores universitários, colegas ou gestores que teve nos estágios, por exemplo. Mantenha essas conexões ativas e se mostre sempre disponível.
4. Qualificação profissional
Investir na qualificação profissional é essencial, sobretudo com a alta concorrência no mercado de trabalho. Por isso, invista em uma especialização, como a pós-graduação ou um MBA executivo, por exemplo. Isso demonstra para as empresas o quanto o candidato é um profissional interessado, proativo e que tem a necessidade de aprender sempre.
Fonte: Especialistas entrevistados, Agência Folha e pesquisa A Tribuna.