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Três dias após uma tragédia que chocou o País, muitos estão se perguntando sobre os reais motivos que levaram o adolescente, de 16 anos, a cometer o crime. Uma outra dúvida sobre o caso é saber se o jovem planejou o crime com a ajuda de alguém.
Em depoimento à polícia, o atirador disse que agiu sozinho, mas segundo o governador do Estado, Renato Casagrande, a afirmação não convenceu quem apura o caso. Por isso, novas diligências devem ser feitas, a fim de descobrir, por exemplo, como ele desenvolveu sua habilidade com armas.
“Tudo será investigado para saber, por exemplo, como ele conseguiu carregar, recarregar e manusear uma arma. Ele disse que agiu sozinho, mas isso não é o suficiente para a polícia. Ela vai fazer toda investigação técnica”, disse o governador, que esteve presente nos velórios de duas professoras, vítimas dos atentados, na manhã de ontem, na Serra.
Um outro ponto que será apurado pela polícia é se o jovem participava de grupos neonazistas, uma vez que no dia do crime ele usava vestimentas com um símbolo nazista. “A investigação vai dizer exatamente o que aconteceu. O que está claro é que ele sabia muito bem manusear armas, que planejou toda ação”.
Para ajudar no processo de investigação, objetos eletrônicos usados pelo atirador foram apreendidos. “Hoje nós temos acesso ao seu telefone e aos seus computadores, ao seu interrogatório… Então é um processo de investigação mesmo”, disse.
Sobre o pai do acusado, o governador informou que ainda não é possível apontar se ele contribuiu diretamente ou indiretamente no crime. Ele ainda afirmou que a Polícia Militar também apura administrativamente o uso da arma do policial, pai do jovem, usada no crime.
“A Polícia Militar está, sim, no processo de investigação, mas é a Polícia Civil que vai dizer se teve de fato cumplicidade de alguém nesse crime”, pontuou.
Em depoimento à polícia, o jovem disse que se preparou para o atentado assistindo vídeos na internet.
Pais de menor deixam cidade
Advogada que representa a família do adolescente de 16 anos responsável pelos ataques armados em duas escolas de Aracruz, Priscila Benichio Barreiros informou ontem que os pais do jovem deixaram a cidade por medo de sofrerem retaliação. Eles teriam saído de Aracruz no dia do crime.
Segundo ela, o menor continua apreendido no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo Iases) e, em nenhum momento, a família pediu a liberdade dele, uma vez que tem ciência da gravidade do crime cometido pelo filho.
“Os pais do adolescente estão muito abalados, mas querem resguardar a integridade dele e contribuir para dar um retorno à sociedade. Nós precisamos ter o retorno desse jovem para saber o que de fato aconteceu”.
O motivo do crime, de acordo com ela, ainda é desconhecido. A defesa agora irá acompanhar todas as investigações e depoimentos e definir o melhor caminho a ser tomado.
Aluno tinha rota de fuga e ajudou a salvar 15 colegas
De forma rápida, silenciosa e astuta, um aluno de 13 anos, estava no intervalo quando deu de cara com o atirador, mas conseguiu escapar por uma rota de fuga que já tinha em mente.
A Tribuna – Onde você estava quando percebeu o ataque?
Aluno – Eu estava no corredor da escola próximo à rampa quando percebi um homem fardado com a roupa do Exército e com um símbolo vermelho no braço. Mas quando ele chegou mais perto, ele deu um chute no vidro e entrou à força na escola mesmo. Foi aí que eu percebi que poderia ser um atentado.
Como você se protegeu?
Minha primeira reação foi tentar observar de longe e prestar bastante atenção nele. Mas quando olhei, ele estava segurando uma arma. Aí minha primeira reação foi tentar fugir e chamar muitos alunos, a quantidade máxima.
Você gritava pelos professores ou por socorro?
Não, fiz tudo sem apavorar, não podíamos chamar a atenção dele, saí sussurrando com meus colegas para fugir e quem não entendia eu empurrava e fechava a boca deles.
E vocês foram para onde?
Eu já tinha uma rota de fuga em mente, estava preparado caso algo pudesse acontecer, alguns dos meus amigos também conheciam ela. Então consegui reunir uns 15 alunos e escapamos por lá.
Mas essa rota de fuga foi um treinamento da escola?
Não, eu improvisei mesmo caso alguma coisa acontecesse, eu ficava imaginando. Quando eu fui de cara com o atirador eu já reconheci o jeito de andar dele, sabia quem era, mas não éramos amigos, nem tínhamos relação, apenas sei quem é porque a cidade é pequena e eu conheço essa família.
E as vítimas? Você conhecia?
Nem todas, mas sei que a Selena, que tem minha idade, era uma pessoa muito boa, gostava de alegrar todo mundo, eu fico emocionado porque poderia ser eu no lugar dela.
Agora eu só espero que os outros alunos consigam renovar o psicológico, se fortalecerem e não desistirem dos estudos. Foi uma coisa que poderia acontecer em qualquer escola do Brasil, mas aconteceu na minha e espero que seja a última.