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SERRA

Patrimônio cultural preserva história da resistência negra na Serra

Sítio Histórico de São José do Queimado, na zona rural da Serra, recebeu, oficialmente, o título de Patrimônio Cultural Brasileiro

Patrimônio cultural preserva história da resistência negra na Serra
- Ruínas de São José guardam a memória da insurreição que representou a luta de escravizados pela liberdade
Foto de perfil de Kamila Rangel

Kamila Rangel

Apresentadora do Programa Caçadores de Destinos, que vai ao ar na TV Tribuna / Band, e escreve as reportagens do Caçadores de Destinos no jornal A Tribuna e no portal Tribuna Online

Última atualização


“Este foi, um dia, um lugar de toda esperança. Das esperanças de liberdade cultivadas por seres humanos escravizados, guiados ao trabalho, a serviço da fé, que os redimiria do desumano cativeiro.”

Logo na entrada do Sítio Histórico de São José do Queimado, na zona rural da Serra, a escrita na placa resume o significado daquele espaço onde pessoas escravizadas cultivaram o sonho da liberdade. Um lugar que preserva a história da resistência negra no Espírito Santo.

Há 177 anos, em 19 de março de 1849, o local foi o cenário da Insurreição de Queimado, considerada a maior revolta de resistência à escravidão no ES. Na época, negros escravizados trabalharam durante anos na construção da Igreja de São José, sob a promessa de que receberiam alforria ao final da obra. A promessa, entretanto, não foi cumprida.

A frustração desencadeou o levante. Liderados por Chico Prego, Elisiário Rangel e João da Viúva, os escravizados aproveitaram a missa de inauguração para exigir a liberdade.

“Eles interromperam a celebração e tomaram a igreja, onde passaram dias, até que o movimento foi reprimido por tropas e uma chacina aconteceu no local. João da Viúva, por exemplo, foi enforcado na vila de Queimado”, conta o monitor cultural Thiago Pereira Monteiro.

Hoje, o espaço, onde as ruínas da antiga igreja se destacam em uma paisagem cercada pela natureza, serve para ressignificar essa história, preservando a memória de quem lutou por dignidade.

No mês passado, quando a Insurreição do Queimado completou 177 anos, o Sítio Histórico de São José do Queimado foi reconhecido oficialmente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como Patrimônio Cultural Brasileiro.

Para o diretor de Cultura da Serra, Denner Costa, o título aumenta a visibilidade do atrativo, amplia a preservação e fortalece a valorização da cultura negra.

Aberto à visitação diariamente, das 7 horas às 17 horas, com possibilidade de visita guiada para grupos com mais de 10 pessoas, o local convida os visitantes a refletir sobre o passado e a manter viva uma história que ainda ecoa no presente.

Passeio em museu

Na Serra, o passeio pela história inclui uma visita ao antigo casarão da família Castello, em Serra Sede.

O imóvel, construído em 1862, abriga o Museu Histórico da Serra, cujo acervo é composto por obras de artistas locais e peças arqueológicas do município e também preserva o conjunto de móveis que pertenceram à família de Judith Leão Castello Ribeiro, primeira deputada mulher do Espírito Santo.

O espaço fica aberto de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 17 horas. A visita é acompanhada por um monitor cultural. Grupos com mais de 10 pessoas precisam fazer agendamento online pelo endereço serra.colab.re com pelo menos um dia de antecedência.


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