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Tricampeã brasileira de caratê na categoria peso médio, a capixaba Mickaelli Batista dos Santos, de 24 anos, vai viajar para a Argentina onde vai disputar o campeonato Sul-Americano da modalidade, a partir deste sábado (5).
Mickaelli já disputou o Sul-Americano em 2017, quando participou pela primeira vez de uma competição internacional e buscava ganhar experiência. Apesar disso, voltou do torneio com o terceiro lugar. Agora, ela se mostra confiante para conseguir alçar voos maiores na competição.
“Estou bem confiante com a preparação que fiz para o campeonato. Tenho boas expectativas de trazer o título”, disse a carateca.
Na estreia, a capixaba enfrenta uma adversária da Bolívia. Em caso de vitória, ela avança para a próxima fase, onde encara uma atleta do Uruguai. Para chegar a disputa do título, o caminho a ser percorrido por ela é de cinco lutas.
“Esse campeonato é seletiva para o mundial que acontece ano que vem no Japão. Ficando entre as três primeiras, consigo a classificação”, explicou.
Moradora de Barramares, em Vila Velha, Mickaelli chega ao campeonato ostentando o título brasileiro, que foi conquistado no início de setembro, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Com essa conquista, ela chegou ao tricampeonato consecutivo já que também foi a ganhadora nos anos de 2019 e 2021 – em 2020, não houve disputa por conta da pandemia da covid-19.
Lutadora foi descoberta em projeto social
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Foi em um projeto social fundado pelo sensei Paulo, no bairro João Goulart, em Vila Velha, que Mickaelli começou a dar os primeiros socos e chutes no caratê, em 2014. Atualmente, ela dá aula para crianças e adolescentes no local.
O caminho até lá foi longo e repleto de títulos. No entanto, a trajetória começou com uma aposta do sensei.
“A academia nunca tinha levado ninguém para campeonatos. Mesmo sem saber lutar, o professor viu que eu tinha garra e me levou para disputar o campeonato mineiro. Fiquei em terceiro lugar”, revelou Mickaelli.
Apesar dos títulos, a atleta não tem patrocínio e precisa lutar também para participar das competições.
Para ir à Argentina, ela comprou uma passagem de ônibus até o Rio de Janeiro e precisou parcelar a passagem de avião até o país vizinho. Mesmo após voltar da competição, ela vai seguir tendo parcelas a pagar. “Consegui algumas ajudas que me animaram, eu não tenho bolsa atleta, nem patrocínio”, lamenta.
O trajeto de ônibus também foi outra coisa que a preocupou nos últimos dias por conta do bloqueio de estradas pelo país, promovido por caminhoneiros, após o resultado das eleições presidenciais, que apontaram vitória do candidato Luiz Inácio Lula da silva (PT) contra o atual presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Tenho visto sobre esses bloqueios e já ligamos para um colega nosso, que viu as passagens para gente. Ele falou que não teria problema e que a manifestação está com o pessoal saindo das rodovias”, afirma ela.
A competição na Argentina acontece no sábado (5) e domingo (6). Mickaelli retorna ao Brasil na terça-feira (8).
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