Considerado um dos dez maiores tenistas brasileiros da história, o ex-jogador Fernando Meligeni, também conhecido como Fininho, esteve no Espírito Santo no final de semana para participar de uma clínica de tênis, com o objetivo de compartilhar sua experiência com cerca de 48 participantes de variados níveis e idades.
O ex-atleta, 51, nasceu na Argentina, mas mudou para o Brasil ainda criança, com apenas quatro anos de idade. Por esse motivo, quando se tornou um tenista profissional, optou pela nacionalidade brasileira.
Ele ganhou reconhecimento vencendo tenistas consagrados como Pete Sampras, Carlos Moyá e Andy Roddick. Durante sua carreira, chegou a ser nº 25 do ranking da ATP, e conquistou três títulos de nível ATP em simples, e sete títulos em duplas, a maioria ao lado do seu compatriota Gustavo Kuerten, o Guga.
Também chegou às semifinais de torneios importantes, como os Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, do aberto da França em 1999 e a Copa Davis, em 2000. Antes de se aposentar, Fininho conquistou o ouro para o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo 2003.
Clínica de tênis
Estive várias vezes por Vitória, Vila Velha e região. Sempre participo de eventos muito legais. A clínica de tênis tem o objetivo de aproximar ex-jogadores profissionais com amantes ou iniciantes do esporte, fazendo com que essas pessoas possam aproveitar a experiência com atletas que veem o jogo de um jeito diferente. E não digo nem pior ou melhor, mas diferente. Porque vemos o tênis de forma mais estratégica. Então nessas clínicas as pessoas têm a oportunidade de aprender e também jogar contra ex-atletas profissionais.
Quando voltamos a um local que já estivemos antes, conseguimos encontrar pessoas que estiveram com a gente e eles nos contam como seguiram no esporte. Então é sempre muito legal ver pessoas que jogaram com a gente ou com filhos de pessoas que já jogaram com a gente. Além disso, essa proximidade faz com que as pessoas consigam ver que somos atletas como eles e começamos da mesma forma.
Tênis é um esporte caro?
Esse é um tópico bastante falado. É um ponto delicado. Acho errado dizer que esse é um esporte caro, porque tudo está caro no Brasil. Infelizmente você ter a possibilidade de praticar um esporte ou ter momentos de lazer no nosso País está cada vez mais difícil. Claro que o tênis é uma modalidade que requer gastar algum dinheiro, principalmente para quem quer jogar de forma profissional e tem que viajar. Mas se você pegar uma raquete que vai durar anos e só colocar um tênis e um short, já consegue bater uma bolinha. É um pouquinho mais caro que outros esportes, mas também não é assim tão caro como as pessoas falam.
Paixão nacional
Não acredito que, no Brasil, o tênis tem a chance de se tornar paixão nacional. Acho que o brasileiro gosta de futebol, gosta de resultado. Atualmente temos um ótimo momento da Bia Haddad e você percebe que existe uma parcela da população que curte a modalidade, mas se o atleta não for campeão de um Grand Slam ou outro título relevante, o brasileiro não dá tanta atenção. A gente repara isso nas Olimpíadas e nos Jogos Pan-Americanos.
Mas, de qualquer forma, a nossa intenção não é tomar o lugar do futebol na vida dos brasileiros. Acho que o tênis tem outras funções e valores. Claro que a gente vai sempre tentar trazer mais pessoas para o esporte, mas em nenhum momento vamos brigar para transformar o tênis em um futebol.
Dica para iniciantes
Acho que a dica é muito simples. Os atletas não podem começar com 8, 9 ou 10 anos e só ficar pensando aonde vão chegar. Você tem que curtir e aproveitar o processo. Aproveitar os momentos dentro da quadra, fazer amigos, estar aberto a aprender e evoluir.
Além disso, o principal é jogar com o coração e se divertir. Vejo muitos atletas começando e os pais colocando pressão em cima deles. É uma situação que demonstra o quanto eles não entendem a essência do esporte. Só pensam no resultado e no dinheiro. No entanto, os jogadores bem sucedidos são minoria. O mais importante é aproveitar os valores do esporte, aí que está a chave de tudo. Se você decidir jogar com o coração, as chances de dar certo são grandes.
Promessas brasileiras
Eu prefiro não citar nomes. Conheço diversos atletas mais jovens que jogam muito bem. Mas o Brasil gosta muito de rotular, né? De dizer que o menino vai ser o novo Guga e a menina vai ser do tamanho da Maria Esther Bueno.
Talvez eu citaria nomes se soubesse que alguém patrocinaria esses atletas e construiria uma boa estrutura para eles. Nesse caso acho que valeria a pena. Mas a gente fala nomes bons e o que acontece é uma grande pressão midiática em cima dos talentos.
Tênis brasileiro hoje
Pode ser que nos últimos anos não tenhamos conseguido colocar jogadores dentro dos 50 ou 30 primeiros na categoria masculina, mas temos promessas e jogadores que estão crescendo. Já a categoria feminina começou a mostrar bons resultados. O que a Laura Pigossi e a Luisa Stefani fizeram na Olimpíada de Tóquio foi importantíssimo, mas infelizmente não temos uma sequência. Elas conquistaram o bronze, mas não conseguiram aproveitar esse momento. Quando falo isso, quero dizer aproveitar o momento e ir para o mercado fazer projetos importantes que mudem a cara do esporte. Ou aproveitar para buscar a iniciativa privada e melhorar a estrutura do tênis no País. No entanto, mais uma vez, o resultado veio e pouco mudou para o feminino. E isso sempre acontece no tênis brasileiro.
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“Não tenho arrependimentos”
O ex-tenista Fernando Meligeni carrega em sua bagagem três títulos em simples na Associação de Tenistas Profissionais (ATP), a medalha de ouro no Pan-Americano de 2003 e vitórias sobre grandes nomes da história do esporte.
De acordo com o ex-jogador, o seu maior orgulho foi ter conseguido viver do tênis e continuar ajudando a modalidade mesmo depois da aposentadoria.
“Ter conseguido viver do tênis e ter ficado na elite do esporte por muitos anos. Também conquistei títulos e vitórias incríveis. Depois disso tudo, poder estar falando hoje com vocês e continuar ajudando o esporte de alguma maneira é muito bom”, afirmou.
O ex-tenista disse também que dois momentos foram inesquecíveis em sua carreira: a vitória sobre o americano ex-número 1 do mundo Pete Sampras e também o ouro no Pan-Americano.
“Acho que eu tive vários momentos inesquecíveis, mas quem me acompanha percebe o quanto falo e escrevo sobre esses dois momentos. Tenho uma carreira com muitas coisas legais”.
Meligeni ressalta também que não consegue pensar em nenhum arrependimento durante sua trajetória. “Não tenho nenhum arrependimento. Sou muito feliz com o que fiz e conquistei. Se não fui mais longe, foi por erros, falta de habilidade ou falta de competência naquele momento. Mas não me arrependo”.
E concluiu: “Acho que no meu caso, acabei sendo um cara que tentou com todas as forças ser o melhor Fernando que poderia ser. E esse foi o resultado. Então não tenho arrependimentos”.