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Eu e Elas

A leveza que aprendi com o tempo

A maturidade ensina a soltar excessos e escolher a leveza como forma de cuidado

A leveza que aprendi com o tempo
- Izah Mendonça
Foto de perfil de Izah Mendonça

Izah Mendonça

Apresentadora do Programa Eu e Elas, na TV Tribuna / Band e colunista do Tribuna Online

Última atualização


Houve um tempo em que eu acreditava que precisava dar conta de tudo.

De todos.

De todas as expectativas.

Carregava o mundo nos ombros como se isso fosse sinônimo de força. E, por muito tempo, foi. Até deixar de ser.

Com o tempo, aprendi que força demais cansa.

Que rigidez adoece.

E que não há virtude alguma em viver permanentemente no limite.

A leveza não chegou de repente.

Ela foi sendo construída em silêncios, em despedidas necessárias, em escolhas difíceis.

Veio quando aprendi a dizer “não” sem me justificar.

Quando parei de explicar demais quem eu sou e o que sinto.

Quando entendi que não preciso ser compreendida por todos.

A leveza que aprendi com o tempo não tem a ver com ausência de problemas.

Tem a ver com presença de consciência.

Com saber onde vale a pena gastar energia, com quem vale a pena, e onde não vale mais.

Aprendi a soltar o que pesa.

Pessoas, culpas, cobranças que não eram minhas.

Aprendi que algumas batalhas não merecem resposta, apenas distância.

E que o silêncio, muitas vezes, é um gesto de cuidado.

O tempo também me ensinou a respeitar o corpo.

A escutar seus sinais.

A entender que descanso não é preguiça e pausa não é desistência.

Que cuidar de mim não me afasta dos outros, me aproxima de mim mesma.

Hoje, escolho leveza não por facilidade, mas por maturidade.

Porque já entendi que não preciso provar nada o tempo todo.

Que a vida não exige pressa, exige presença.

E que estar inteira é muito mais importante do que estar disponível para tudo.

A leveza que aprendi com o tempo é essa:

andar com menos bagagem emocional,

amar com mais verdade,

viver com menos ruído e mais sentido.

Não é sobre viver sem dor.

É sobre não carregar dores que já não são minhas.

E isso, aprendi, também é uma forma de amor.


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