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Interpol ajudou autoridades brasileiras a monitorar Deolane na Itália

Advogada ficou hospedada em um prédio com apartamentos de luxo, na Piazza di Spagna, com diárias que ultrapassam R$ 15 mil

Interpol ajudou autoridades brasileiras a monitorar Deolane na Itália
- Deolane foi presa sob suspeita de integrar um esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC
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Agência Folhapress

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A influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi monitorada pela Interpol e por autoridades brasileiras enquanto fazia uma viagem pela Roma, na Itália.

Deolane chegou à Itália em 27 de abril e ficou 20 dias no país europeu, segundo o Fantástico. Ela dizia, em suas redes sociais, que estava na Itália a trabalho.

No dia a dia, Deolane era monitorada à distância por autoridades brasileiras com ajuda da Interpol. A advogada ficou hospedada em um prédio com apartamentos de luxo, na Piazza di Spagna, com diárias que ultrapassam R$ 15 mil.

Entenda prisão da influenciadora

Deolane foi presa na quinta-feira sob suspeita de integrar um esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. A investigação teve origem em bilhetes e manuscritos atribuídos à facção apreendidos há sete anos em um presídio de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Segundo a polícia, os documentos continham ordens internas do grupo e referências a integrantes do alto escalão da organização criminosa.

Durante a audiência de custódia, a defesa pediu a libertação da influenciadora alegando que ela tem uma filha menor de 12 anos. Defesa também recorreu ao STF, mas o ministro Flávio Dino disse não ver “manifesta ilegalidade” na prisão e argumentou que não cabe reclamação ou habeas corpus de ofício dado que ainda há outras instâncias para o processo percorrer antes de chegar no STF.

Defesa de Deolane afirma que ela é inocente e criticou a operação. Os advogados classificaram as medidas adotadas como “desproporcionais” e disseram que os fatos serão esclarecidos “em momento oportuno”.

Há comprovação de envolvimento de Deolane com o PCC, afirma promotor

Há “comprovação de envolvimento direto” de Deolane com o PCC na lavagem de dinheiro, disse o promotor de Justiça Lincoln Gakiya ao UOL. “Para mim, a Deolane representa a nova imagem do PCC. Ela não é uma faccionada, nunca foi integrante e não é batizada, mas é do que o PCC precisa hoje, no estágio que está, com o dinheiro que recebe, e os seus integrantes do tráfico internacional de cocaína para a Europa, fazer esse dinheiro voltar para a economia formal e tramitar, inclusive, pelo mercado financeiro.

Gakiya afirmou que o caso teve origem em uma investigação iniciada em 2019, a partir de um bilhete encontrado na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (SP). Ele disse que o inquérito inicial já foi encerrado e que o trabalho atual é “o terceiro inquérito instaurado”.

Promotor relatou que, durante o cumprimento de mandados a partir de 2022, surgiram indícios em celulares de “um casal de laranjas” ligado à transportadora. Segundo ele, o dinheiro era enviado ao que chamou de “operador financeiro” da família Camacho.

“O Everton era o operador financeiro do Marcola e do irmão. Ele pagava e fazia todo o recolhimento de dinheiro de lavagem para eles. E o Everton indicou contas não só da família do Alejandro, como indicou a filha e o filho do Alejandro, sobrinhos do Marcola, como também indicou contas pessoais da Deolane”, explicou  Lincoln Gakiya, promotor de Justiça.

Não há contratos que justifiquem repasses atribuídos à transportadora investigada, segundo o promotor. Gakiya também descreveu a criação de dezenas de empresas em cidades do interior paulista, com endereços que classificou como falsos.



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