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Internacional

Rússia mobiliza 200 mil e divulga treinamento para guerra nuclear

Desde domingo (2), o Ministério da Defesa passou a postar em seu canal no Telegram imagens e relatos de treinamento de recrutas

Rússia mobiliza 200 mil e divulga treinamento para guerra nuclear
- RUS - RÚSSIA/GUERRA/GÁS/PAGAMENTO/RUBLOS/PUTIN - INTERNACIONAL - O presidente russo Vladimir Putin participa de uma reunião por videoconferência com altos funcionários sobre apoio à indústria da aviação na Rússia em meio a sanções ocidentais, na residência de Novo-Ogaryovo, nos arredores de Moscou, na Rússia, nesta quinta-feira, 31 de março de 2022. Putin anunciou nesta quinta- feira, 31, que assinou um decreto em que determina que "países não amigáveis" paguem compras de gás natural russo por meio de rublos russos, não mais em dólar ou outras divisas. Segundo detalha a agência Interfax, a partir de amanhã, os compradores estrangeiros terão que abrir contas em bancos do país para efetuar as transações. 31/03/2022 - Foto: MIKHAIL KLIMENTYEV/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Última atualização

O Ministério da Defesa da Rússia disse nesta terça-feira (4) que já alistou 200 mil dos 300 mil reservistas que pretende usar na Guerra da Ucrânia em uma contestada mobilização e passou a divulgar ostensivamente que eles estão sendo treinados para lutar num ambiente de guerra nuclear, química ou biológica.

“O pessoal das unidades formadas [desde 21 de setembro] está sendo treinado em 80 campos e seis centros”, afirmou o ministro Serguei Choigu em um evento em Moscou.

Nele, foram repassados números de destruição de equipamento ucraniano, mas não foi dita uma palavra sobre as controfensivas de Kiev no leste e no sul do país invadido em fevereiro.

A perda das áreas ocupadas em Kharkiv (nordeste), de um bastião russo em Donetsk (leste) e o rompimento das defesas num ponto de Kherson (sul) têm preocupado a linha dura do governo Vladimir Putin, que passou a fazer críticas públicas à condução da guerra e sugerir o uso de armas nucleares táticas, de menor potência, para deter Kiev.

Militarmente, não parece fazer muito sentido, mas esta é uma carta que o Kremlin tem usado com frequência desde o começo do conflito.

Ao decretar a anexação de quatro áreas ucranianas em que não tem controle total, Putin elevou a aposta, dizendo que elas seriam defendidas com “todos os meios possíveis” – e isso inclui o maior arsenal atômico do mundo.

Com efeito, desde domingo (2) o Ministério da Defesa passou a postar em seu canal no Telegram imagens e relatos de treinamento de recrutas, incluindo como lidar com terreno contaminado por armas nucleares, químicas ou biológicas.

A Alemanha, rival histórica da Rússia que passou a ser sua parceira energética nos anos que precederam a guerra, disse nesta terça que as ameaças nucleares de Putin podem ser para valer.

“Não é a primeira vez que ele recorre a tais ameaças, que são irresponsáveis e nós devemos levá-las a sério”, disse a chanceler Annalena Baerbock.

“Mas isso é também uma forma de nos chantagear”, disse ela, dando nome ao que está na mesa. Baerbock sabe que a população europeia, particularmente a alemã, antevê um inverno de dificuldades sem gás russo para aquecer os lares e mover a indústria, e que o temor de um conflito nuclear ainda é presente nas gerações que viveram a Guerra Fria.

No cálculo do Kremlin, presumido a ameaça pode desestimular o apoio europeu, já bem menos coeso e volumoso do que o americano, a Kiev.

Também nesta terça, o Pentágono fez vazar a repórteres a avaliação de que nada indica que Putin esteja prestes a mobilizar suas forças nucleares.

Isso é possível devido ao monitoramento de movimentos em bases por satélites e informação colhida por espiões.

Mas o emprego de uma arma tática traz complicadores, como por exemplo o fato de que algumas são muito pequenas, facilmente transportáveis.

Enquanto isso, a especulação em torno do tema só aumenta, dando uma vitória ao Kremlin.

Na segunda (3), o jornal britânico The Times publicou reportagem dizendo que os russos estariam enviando material nuclear para sua fronteira ocidental.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse hoje que não comentaria porque “não quero fazer parte do exercício ocidental em retórica nuclear”.

Há especulação acerca de uma detonação de intimidação sobre o mar Negro, talvez até atacando a ilha da Cobra, rochedo estratégico que os russos ocuparam e perderam.

O problema é que o local é muito próximo da Romênia, e parece inevitável que a radiação chegaria a um membro da Otan (aliança militar ocidental), disparando uma resposta.

Da mesma forma, o uso de uma arma tática contra forças ucranianas demandar o emprego de diversas ogivas para ter efeito, o que potencializaria o risco de contaminação da própria Rússia.

Para os soldados, há o treinamento de proteção pessoal e descontaminação de blindados e caminhões depois, mas não há o que fazer com uma nuvem radioativa.

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