Os gêmeos Vitor (de óculos) e Heitor Correa Conceição, de 65 anos.
Foto: Rodrigo Gavini/AT
Eles são tão iguais que até as pessoas mais próximas os confundem. Nem olhando de perto dá para achar alguma diferença. Os gêmeos Vitor e Heitor Correa Conceição, de 65 anos, fazem tudo juntos. Tudo mesmo: eles até dormem na mesma cama e usam as mesmas roupas.
A ligação dos irmãos gaúchos que vivem em Vila Velha é tão profunda que assumem que não sabem viver um sem o outro. Eles falam que se completam, se amam e não têm medo de ser piegas. Vitor assume que o irmão bonzinho é Heitor.
“Sou eu que levo meu irmão para o mau caminho, até com o primeiro casamento dele eu acabei”, gargalha. Já Heitor lembra que a avó dizia sempre que o problema dele eram as más companhias. “Estou em má companhia desde que nasci”, diverte-se.
A vida dos dois é cercada de coincidências. Ambos foram casados três vezes, com mulheres de três estados diferentes e tiveram apenas um filho com cada uma delas.
Eles gostam de pagode, usam as mesmas roupas e não dispensam uma boa festa. E o gosto por mulheres? Igual, tanto que um já deu até uns beijinhos na noiva do outro. “É tudo uma grande brincadeira”, eles garantem.
No trabalho – os dois são programadores de software – Heitor conta que Vitor é a peça que falta quando não consegue resolver algum problema. Quando Vitor pediu demissão da empresa que trabalhava, Heitor foi lá e cumpriu o aviso prévio por ele.
“A gente sabe fazer a mesma coisa, então ninguém percebeu até a festa de confraternização da empresa, que fomos juntos. Todo mundo riu”, conta Heitor.
O puxador de rede Luiz Felipe Wendhause, de 47 anos, conta que os gêmeos estão todo dia no calçadão e chamam a atenção de todo mundo que passa.
“Eles estão sempre rindo, de bem com a vida, com a mesma roupa. Não tem quem não olhe quando passam”, destaca.
Os gêmeos são presença garantida no quiosque Entre Amigos, em Itaparica, e lá ganharam os apelidos de “Faísca” e “Fumaça”.
O gerente Celso Dalloglio, 51, criou um grupo no aplicativo WhatsApp para os clientes se comunicarem, e Vitor e Heitor são os mais tagarelas. “Aqui todo mundo adora eles”, ressalta.
Os gêmeos aprontam juntos
Os gêmeos Vitor e Heitor contam que já se meteram em várias confusões. Vitor veio morar no Estado primeiro e logo arrumou uma noiva. Quando Heitor chegou para fazer uma visita ao casal, os gêmeos fizeram uma pegadinha com ela.
“Quando ela tocou a campainha, fui atender e ela logo me tascou um beijão. Eu falava: “você está beijando o cara errado”, só que ela achou que eu estava bêbado. Quando chegou à cozinha e viu o noivo lá, levou o maior susto. A gente riu bastante”, fala Heitor.
Na passagem dos dois pelo Rio de Janeiro, combinaram de se encontrar para um happy hour. Vitor foi primeiro e se desentendeu com um grupo de rapazes, indo embora em seguida. Nesse meio tempo, Heitor chegou.
“Quando parei o bugre, vários caras partiram para cima de mim falando: é ele, ele voltou, pega ele. Virei e já tomei um soco no olho. O garçom me tirou da confusão e contou que meu irmão tinha brigado e que era melhor eu ir embora. Quando Vitor viu meu olho roxo, ainda ficou rindo que eu apanhei por ele”, ri o gêmeo.
Heitor lembra que quem procura diferença não acha, pois até a tatuagem de escorpião é igual. “Ela nos ajuda a manter a história”.
Reportagem de Luciana Pimentel