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CAPIBARIBE

“Queremos respostas”: família de remador do Sport cobra clube após morte no rio

Após 24h de buscas com bombeiros e voluntários, corpo de Edvane Cesar é localizado por pescador; falta de respostas gera indignação

“Queremos respostas”: família de remador do Sport cobra clube após morte no rio
- Nas águas turvas e cercadas por detritos do Rio Capibaribe, o corpo de Edvane Cesar do Carmo, de 51 anos, foi finalmente localizado
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Com informações de Rafaella Pimentel

A angústia que mobilizou o Recife nas últimas 24 horas terminou em revolta na manhã desta terça-feira (3). Nas águas turvas e cercadas por detritos do Rio Capibaribe, o corpo de Edvane Cesar do Carmo, de 51 anos, foi finalmente localizado. As perguntas da família, no entanto, seguem sem respostas.

A vítima foi achada na maré baixa pelo pescador José Severino da Silva, por volta das 5h, nas proximidades do Parque das Graças. O ponto é praticamente o mesmo onde Edvane submergiu na manhã desta última segunda-feira (2). O desfecho encerra uma operação que uniu mergulhadores dos Bombeiros durante o dia e uma vigília de familiares com barcos e drones durante a noite.

“Eu vim para ajudar a turma. Comecei às 5h, vi que a maré estava baixando e acabei encontrando”, relatou o pescador José Severino, que auxiliou voluntariamente nas buscas.

Edvane era aluno de remo há apenas dois meses. A imagem do corpo sendo removido por um bote dos bombeiros até a rampa da sede de remo do Sport, na Ilha do Retiro, selou o destino trágico de um treino que começou sob chuva e terminou em um luto carregado de questionamentos.

A dor que exige explicações

A indignação da família ganha voz nas interrogações de Ginaldo Trajano, cunhado de Edvane. Para ele, o acidente expõe falhas gritantes na supervisão do Sport. Edvane teria saído para remar sem a companhia de um instrutor.

“Queria chamar a atenção das autoridades, do Corpo de Bombeiros, para que houvesse fiscalização dessas escolas. As correntezas do rio são muito fortes. A gente ainda vai apurar os fatos. Pode ter sido um afogamento, mas também pode ter sido outra causa”, afirmou Ginaldo, destacando que a família já registrou um Boletim de Ocorrência.

Para o cunhado, os pontos omissos são graves. “A Polícia Civil precisa apurar: por que ele saiu sem colete? Por que não tinha instrutor? Como uma escola não tem um pronto atendimento?”, indagou. Ele acrescentou ainda um detalhe perturbador: “Como alguém vai para o rio sem saber nadar? Por que o treino não foi na piscina do clube? Inclusive, o caiaque que ele usava ainda não foi encontrado”.

O irmão da vítima, Marcos Antônio do Carmo, também cobrou transparência. Ele relatou que uma testemunha que tentou ajudar Edvane no momento da queda foi “preservada” e não falou mais com a família. “O Sport não passou 15 minutos com o barco no rio após o sumiço do meu irmão e voltou. Queremos que digam a verdade, porque até agora não temos nada”, desabafou, em meio a outros familiares que choravam pela perda.

A complexidade do resgate

O Tenente do Corpo de Bombeiros, Leonard Ramos, explicou que a operação foi dificultada pelas condições geográficas e climáticas. “Desde o início dos trabalhos, a gente tentou se concentrar no local onde ocorreu o acidente. Como o fluxo da maré estava para o lado do Sport, em direção ao leito, também fizemos buscas nessa área”, detalhou o oficial.

O militar reforçou que a colaboração do pescador foi fundamental diante da visibilidade quase nula dentro da água. “As condições aqui não são fáceis. A água é turva, tem muito lixo e muito detrito. A gente agradece a colaboração de quem conhece a região. O corpo estava nas proximidades de onde aconteceu e, possivelmente, estava preso devido à correnteza”, completou o tenente.

Luto e investigação

O Sport Club do Recife decretou luto oficial de três dias e afirmou, em nota, que prestou acolhimento aos familiares durante as buscas. Entretanto, o clube ainda não detalhou as diretrizes de segurança sobre o uso obrigatório de equipamentos para alunos iniciantes.

O corpo seguiu para o IML de Santo Amaro. A Polícia Civil agora assume o caso para investigar se houve negligência na instrução ou na supervisão da atividade esportiva que custou a vida do funcionário público.

Veja, abaixo, matéria completa de Rafaella Pimentel exibida no JT1, comandado por Artur Tigre


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