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SÉRIE C

Santa Cruz bate recorde de público e arranca empate, mas resultado é insuficiente

Com um a menos, Tricolor consegue o 1 a 1, mas público de quase 20 mil exige mais do que o empate contra o Ferroviária

Santa Cruz bate recorde de público e arranca empate, mas resultado é insuficiente
- Santa empata no sufoco depois de o goleiro levar cartão vermelho no início do 1 tempo. Eurico comemorou como se fosse dele
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



A torcida do Santa Cruz esgotou os ingressos e ocupou as arquibancadas da Arena de Pernambuco com a postura de quem exigia o fim do jejum de grandes palcos. O público total de 19.981 pessoas transformou o estádio emprestado em um caldeirão contra o Ferroviária, de São Paulo. No entanto, o planejamento da tarde ruiu aos sete minutos do primeiro tempo.

O goleiro Thiago Coelho foi o carrasco da Cobra Coral quando abandonou a grande área em um avanço desmedido para derrubar o atacante Denilson, que veio na direção do gol honrando o apelido do seu clube: Locomotiva. Thiago realemente derrubou o centroavante, fazendo o árbitro aplicar o cartão vermelho direto e merecido.

O Santa Cruz ficou com dez jogadores em campo numa partida na qual pretendia subir para o G8.

A reação do público foi imediata, com uma forte vaia direcionada ao goleiro no momento da saída para os vestiários. Ele deixou a equipe desmantelada e não olhou para trás.

Para recompor o sistema defensivo, o técnico Cristian de Souza sacrificou o atacante Everaldo e promoveu a entrada do arqueiro reserva, Gabriel Souza. Everaldo saiu tão contrariado que entrou direto para o vestiário. E o time tricolor ficou abatido, não conseguiu reagir. 

Com a superioridade numérica, a Ferroviária assumiu o controle do meio-campo e passou a girar a posse de bola. O gol da equipe paulista saiu aos 24 minutos. Alisson progrediu pelo lado direito e desferiu um cruzamento na pequena área. O centroavante Denilson – de novo ele – subiu sem o combate dos dois defensores corais e cabeceou para o fundo das redes, abrindo o placar.

Mudanças no intervalo e o gol da igualdade na Arena

O Santa Cruz retornou do vestiário com duas alterações na equipe: Alex Ruan e Renato entraram nas vagas de Zé Mário e Fabinho. A postura do time tornou-se mais agressiva no campo de ataque. Aos nove minutos, Alex Ruan cobrou escanteio na primeira trave. O volante tricolor Eurico realizou o desvio e, na tentativa de afastar o perigo, o zagueiro paulista Gustavo Medina empurrou a bola contra a própria meta, decretando o empate. Eurico comemerou o gol como se fosse dele. Atuou bem em campo.

O lance expôs a fragilidade defensiva da Ferroviária na competição, registrando o quinto gol sofrido pela equipe paulista em jogadas de bola parada neste campeonato. A torcida tricolor aumentou o apoio nas arquibancadas, e o Santa Cruz criou chances para alterar o placar, como na cabeçada de Pedro Favela aos 17 minutos e na finalização de Renato, defendida por Denis Júnior aos 48.

Por outro lado, o zagueiro Jeferson enfrentou a resistência do público, recebendo vaias nominais a cada toque na bola até o encerramento da partida. O apito final confirmou o placar de 1 a 1 na Arena de Pernambuco.

Classificação na Série C e os bastidores do Arruda

O resultado de empate manteve o Santa Cruz na 11ª posição da tabela, agora com 12 pontos somados. A Ferroviária ocupa o 10º lugar, com 13 pontos. O topo da tabela da Série C segue sob a liderança do Guarani, com 18 pontos, seguido pelo Paysandu, que soma 17.

Este foi o quarto compromisso do treinador Cristian de Souza no comando técnico do Santa Cruz, acumulando duas vitórias e dois empates. Embora o comandante permaneça invicto, o desempenho em campo esbarra na limitação de peças do plantel. Em contrapartida, o Amazonas, ex-clube do técnico, amargou quatro derrotas desde a sua saída.

A análise fria dos números aponta que o empate teve sabor de lucro devido à desvantagem numérica desde o início do confronto. Contudo, para o torcedor que sustenta o clube mesmo diante de salários atrasados nos bastidores e sem o direito de jogar no Estádio do Arruda, o ponto somado representa pouco.

A entrega das arquibancadas sempre supera a qualidade técnica entregue pelo Clube e pelos atacantes em campo. A torcida do Santa Cruz compareceu para testemunhar uma vitória e saiu descontente com os resultados parciais. O próximo desafio será no domingo, 14 de junho, às 11h, contra o Brusque, fora de casa.

SAF

Nos camarotes da Arena de Pernambuco, o ambiente político e econômico do clube também se movimentou durante os noventa minutos. Alguns dos potenciais investidores que negociam a compra das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) tricolor acompanharam a partida de perto, acomodados ao lado do presidente Bruno Rodrigues.

A presença da comitiva, liderada pela chefia da gestora financeira carioca que atuará como âncora do negócio bilionário, sinaliza o avanço das tratativas de bastidores para a venda da Cobra Coral Participações, ocorrendo justamente em um domingo onde as arquibancadas lotadas deixaram claro o tamanho do potencial de consumo e de engajamento da torcida.  No entanto, ainda é necessário algumas etapas para confirmar o negócio.

FICHA TÉCNICA

SANTA CRUZ 1

Thiago Coelho; Eurico, Edson Miranda, Jeferson (Andrey) e Zé Mário (Alex Rhuan); Fabinho (Renato), Pedro Favela e Ronald; Everaldo (Gabriel Souza) e Tiago Marques (Eron). Técnico: Cristian de Souza.

FERROVIÁRIA-SP 1

Denis Jr; Felipe Rodrigues, Gustavo Medina, Zé Vitor e Eduardo (Ruan); Ricardinho (Rafael Carrilho), Alencar (Douglas Skilo) e Albano; Allison (Fábio Fau), Denílson e Vitor Barreto (Thiago). Técnico: Rogério Corrêa.

Local: Arena de Pernambuco

Árbitro: Maguielson Lima Barbosa (DF)

Assistentes: Lucas Costa Modesto e Renato Gomes Tolentino (ambos do DF)

Cartão amarelo: Ronald (SC); Vitor Barreto, Denilson, Albano (F)

Cartão vermelho: Thiago Coelho (SC)

Gols: Denilson (24’/1º)(AFE) Gustavo Medina (contra) (09’/2º) (STA)

Público: 19.981

Renda: R$ 529.682,00

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