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ECONOMIA

Polo de Confecções: Estado cria grupo para conter impacto da taxa das blusinhas

Setor projeta risco para 300 mil empregos em Pernambuco; propostas apresentadas por empresários pedem isenção tributária para a indústria nacional

Polo de Confecções: Estado cria grupo para conter impacto da taxa das blusinhas
- Segundo Raquel Lyra, a prioridade é a salvaguarda de aproximadamente 300 mil postos de trabalho diretos e indiretos gerados pela cadeia de confecções
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


O avanço de novas regras fiscais para o comércio internacional mobilizou o Palácio do Campo das Princesas e representantes da cadeia têxtil local. A governadora Raquel Lyra instituiu um grupo de trabalho focado em mitigar os impactos econômicos da Medida Provisória nº 1357/2026, editada pelo Governo Federal no último dia 12 de maio. A legislação zera o imposto de importação para compras estrangeiras de até US$ 50 via remessas postais, medida popularmente apelidada de “taxa das blusinhas”.

A movimentação busca proteger o ecossistema produtivo que se estende por 92 municípios pernambucanos. De acordo com os dados apresentados pela governadora, a atividade têxtil concentra cerca de 14 mil estabelecimentos, entre oficinas formais e informais, operando como motor econômico para além dos limites geográficos do Agreste.

A prioridade declarada pela gestão estadual é a salvaguarda de aproximadamente 300 mil postos de trabalho diretos e indiretos gerados pela cadeia de confecções. “Os pontos apresentados têm um caráter estratégico, para que a gente possa fortalecer o setor, ampliar a formação e qualificação profissional, além de trabalhar a divulgação da moda e design para todo o Brasil”, afirmou a governadora.

O grupo de trabalho recém-criado tem o prazo de 30 dias para desenhar e apresentar soluções práticas. A estratégia prevê duas frentes coordenadas de atuação: uma articulação política direta junto ao Congresso Nacional, em Brasília, e o desenvolvimento de incentivos internos dentro da autonomia fiscal do Governo de Pernambuco.

As propostas do setor produtivo

Representantes de sindicatos, associações comerciais e núcleos gestores entregaram um documento com seis eixos estratégicos para tentar equiparar a competitividade da roupa confeccionada no Estado com os produtos importados de plataformas digitais estrangeiras.

Os pontos definidos pelo setor são:

Defesa tributária: medidas de proteção fiscal para os produtos de confecção locais;

Capacitação: Ppogramas de qualificação profissional e melhoria do encadeamento produtivo;

Políticas fiscais: implementação de novos incentivos e revisão de taxas estaduais;

Promoção de mercado: criação da Companhia Nacional de Promoção da Moda Pernambucana;

Mapeamento: realização de uma nova pesquisa socioeconômica da cadeia têxtil e de confecção;

Medidas antidumping: revisão das regras e taxas sobre a entrada de tecidos à base de poliéster.

Pressão por isenção nacional e competitividade

A indústria têxtil local argumenta que a assimetria tributária inviabiliza a concorrência nos bancos de feira e magazines. Pedro Miranda, presidente do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE), pontuou que as entidades defendem a aplicação de isenções semelhantes para os fabricantes nacionais, visando reter o desenvolvimento econômico e os empregos no território brasileiro.

“Vamos buscar caminhos para criar uma solução que possa suprir as necessidades nesse momento difícil”, disse Pedro Miranda.

No chão das feiras de Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, prefeitos e parlamentares relatam o temor dos sulanqueiros. O deputado estadual Adalto Santos contou sua trajetória como feirante para ilustrar o peso social da cadeia produtiva, classificando os trabalhadores do setor como a base econômica do interior.

Os gestores municipais de Toritama, Sérgio Colin, e de Santa Cruz do Capibaribe, Helinho Aragão, apontaram a necessidade de equiparação de custos com o mercado externo. Uma comitiva de prefeitos do Agreste prepara uma agenda direta com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para expor a realidade das confecções.

A discussão sobre o futuro do Polo de Confecções também ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (26). A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realizou uma audiência pública com a presença de empresários, deputados da bancada federal e membros da sociedade civil para alinhar as compensações financeiras e tributárias necessárias para o setor.

Matéria em atualização

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