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MORTE A ESCLARECER

Defesa aponta troca de taças em morte de PM em Boa Viagem

Advogados de ex-namorada de militar apontam marcas em utensílios e agressões, mas acreditam que laudo também pode indicar óbito por causas naturais

Defesa aponta troca de taças em morte de PM em Boa Viagem
- Cabo José Maria Alexandre Silva
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



A defesa da mulher de 48 anos investigada pela morte do cabo da Polícia Militar José Maria Alexandre Silva, de 40 anos, apresentou publicamente a versão dela sobre o caso nesta quarta-feira (17). O policial militar morreu na última quinta-feira (11), dentro do apartamento da ex-namorada, localizado no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.  Os advogados exibiram imagens das taças utilizadas pelos dois e afirmaram que houve uma tentativa de troca dos recipientes de bebida antes do óbito.

De acordo com o advogado Rafael Nunes, o casal estava bebendo energético no imóvel quando a moradora se ausentou temporariamente. Ao retornar, ela percebeu que as taças haviam sido trocadas. A identificação do copo original foi possível porque a mulher possuía uma marcação específica, descrita como um pontinho preto presente em seus utensílios domésticos. A defesa afirma que ela conseguiu destrocar os recipientes antes do consumo e que o policial passou mal em seguida.

Indícios materiais e atuação da perícia

O corpo do policial militar foi periciado pela Polícia Científica de Pernambuco no local do fato. Durante a varredura no apartamento, além das taças e do energético, os investigadores apreenderam uma porção de maconha, uma faca peixeira e um frasco com conteúdo não identificado guardado dentro da bolsa de uso pessoal do cabo. Todos os materiais biológicos e objetos recolhidos foram encaminhados para exames laboratoriais.

O caso é tratado formalmente pela Polícia Civil de Pernambuco como “morte a esclarecer”. O laudo oficial do Instituto de Medicina Legal (IML), que determinará se a causa do óbito foi provocada por envenenamento ou por um mau súbito, ainda não foi concluído pelas autoridades. “O que vai nos trazer isso com riqueza de detalhe é a perícia. A perícia vai ser fundamental”, declarou o advogado Rafael Nunes durante a coletiva.

Relacionamento conturbado e descumprimento de medida protetiva



O relacionamento entre a mulher e o policial militar durou seis meses e foi classificado pela defesa técnica como marcado por episódios de violência física, registrada em imagens. Diante das agressões brutais sofridas anteriormente, a vítima havia solicitado e obtido uma medida protetiva de urgência na Justiça contra o ex-companheiro.

O cabo da PM, contudo, descumpria a ordem judicial ao efetuar ligações telefônicas e enviar mensagens frequentes à ex-namorada.Segundo Rafae Nunesl, o PM esteve no apartamento dela depois de muita insistência e dizendo que queria se casar com ela.

Os registros telefônicos apresentados pelos advogados mostram que o policial insistia para que a mulher retirasse a queixa criminal e a medida protetiva. A restrição legal imposta pelo Judiciário havia provocado reflexos administrativos na corporação, resultando no recolhimento da arma de fogo do militar e no seu afastamento das funções operacionais nas ruas. Devido à natureza do crime de lesão corporal sob o contexto de violência doméstica, a legislação atual não permitia a retratação ou a desistência do processo por parte da vítima.

Discussão e acionamento da polícia

No dia do óbito, o militar teve a entrada autorizada no prédio pela moradora. Durante a manhã e o início da tarde, ocorreu um desentendimento motivado por ciúmes. Segundo o advogado, o cabo exigiu vistoriar o aparelho celular da ex-companheira e, diante da recusa, apanhou os telefones e os arremessou pela janela da varanda do apartamento. Logo após o início das reações físicas que levaram à morte do policial, a própria moradora telefonou para o seu suporte jurídico de urgência e acionou as autoridades policiais.

A mulher permaneceu no imóvel aguardando a chegada das equipes de socorro e da polícia. Ela foi conduzida ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para prestar os esclarecimentos iniciais e não foi autuada em flagrante. O inquérito policial segue sob a condução da Terceira Delegacia de Polícia de Crimes Contra a Vida, chefiada pelo delegado Rodrigo Belo.

A Polícia Civil de Pernambuco informou que as investigações sobre a morte do cabo José Maria Alexandre Silva continuam em andamento pela Delegacia de Boa Viagem. O laudo oficial do Instituto de Medicina Legal (IML), que vai apontar a causa exata do óbito do militar, ainda não foi concluído e divulgado pelas autoridades.

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