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POLÍCIA

Ex-companheiro descumpre medida e tenta matar mulher em Jaboatão dos Guararapes

Vendedora de 27 anos sofreu fratura no maxilar após ser espancada na véspera de São João; suspeito descumpriu medida protetiva e segue solto

Ex-companheiro descumpre medida e tenta matar mulher em Jaboatão dos Guararapes
- Fernanda Barros, de 27 anos, sobreviveu a uma tentativa de feminicídio dentro da própria casa
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

Com informação de Rubens Marinho

A vendedora Fernanda Barros, de 27 anos, sobreviveu a uma tentativa de feminicídio dentro da própria casa, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. O crime aconteceu na véspera de São João, na noite do dia 23 de junho. O suspeito é o ex-companheiro da vítima, que descumpriu uma medida protetiva de urgência existente contra ele. Após desferir sucessivos socos, arrastar a mulher pelo cabelo e golpear a cabeça dela contra o vidro de um guarda-roupa, o homem fugiu do local. Ele levou as chaves do imóvel e deixou a vítima desmaiada no chão. Para Fernanda, ele acho que ela estava morta.

O suspeito continua solto mesmo tendo descumprido uma medida protetiva.

A mãe de Fernanda estranhou a falta de respostas aos telefonemas e foi até a residência, onde encontrou a filha desacordada, ensanguentada e ferida. A vendedora sofreu hematomas por todo o corpo e uma fratura no maxilar. A agressão aconteceu após o retorno de uma festa, motivada por ciúmes. O histórico de violência do casal, que viveu junto por um ano dentro de um relacionamento de seis anos, inclui agressões físicas durante a gestação de Fernanda e um episódio em que ela foi agredida enquanto segurava a filha do casal, uma bebê que hoje tem 3 meses de vida, nos braços.

Falha na rede de proteção e tipificação do crime

A defesa técnica da vítima aponta falhas graves na condução inicial do caso pelo sistema de segurança pública. De acordo com a advogada Amanda Florentino, o novo boletim de ocorrência foi registrado inicialmente como lesão corporal e novo pedido de medida protetiva, omitindo o crime de descumprimento de medida protetiva já vigente — conduta que enseja prisão em flagrante. A equipe jurídica solicitou a alteração da tipificação no inquérito policial para que o agressor responda por tentativa de feminicídio.

“A defesa esteve na delegacia e fez essa solicitação de alterar o crime imputado. Houve um descumprimento de medida protetiva que já caberia a decretação da preventiva ou a aplicação de tornozeleira eletrônica”, afirmou a advogada Amanda Florentino.

Vulnerabilidade financeira e dependência

O retorno de Fernanda ao convívio com o agressor, mesmo após a denúncia anterior, ocorreu devido à dependência financeira. A bebê de 3 meses não é lactante e necessita de insumos específicos, como leite artificial e fraldas, que eram custeados integralmente pelo suspeito. A defesa ressalta que a ausência de fixação de alimentos provisionais de urgência na primeira medida protetiva gerou uma dupla vulnerabilidade, deixando mãe e filha desamparadas e expostas ao ciclo de violência patrimonial e física.

Atualmente, Fernanda Barros não pode retornar para a residência e conta com o suporte material de amigos e familiares para abrigar e alimentar a filha. O processo tramita em segredo de Justiça, e a defesa monitora os pedidos judiciais para a expedição do mandado de prisão preventiva e a inserção da vítima em programas de monitoramento de aproximação por geolocalização.

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