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COM VÍDEO

Associação repudia Nattan por pagar R$ 1 mil por beijo em mulher com nanismo

Cena foi registrada em show em São Lourenço da Mata e compartilhada por Nattan nas redes; Annabra classificou o ato como capacitista e ofensivo

A cena foi registrada durante um show em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

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No palco, aplausos. Na plateia, gargalhadas. No vídeo, uma mulher com nanismo faz corações com as mãos, se pendura nos braços de um cinegrafista e sorri. Tudo acontece após o cantor Nattan oferecer R$ 1.000 para que alguém a beijasse.

A cena foi registrada durante um show em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, e compartilhada pelo próprio artista nas redes sociais. O caso incomodou. A Associação Nanismo Brasil divulgou nota de repúdio nesta quarta-feira (6) nas redes sociais.

A mulher parece à vontade. Talvez esteja mesmo. Não há constrangimento visível. O público vibra, os envolvidos riem. Mas para alguns, que assistem de fora, a sensação é difícil de nomear. Um incômodo que começa no estômago e sobe feito nó para a garganta. Era preciso transformar aquele momento em piada?

O que parece leve, pesa

A Associação Nanismo Brasil não demorou a se pronunciar. “Não somos piada. Somos pessoas”, começa a nota de repúdio. Para a entidade, o que aconteceu não foi brincadeira nem entretenimento. Foi capacitismo — e isso é crime. O nome pode soar técnico, mas o sentido é direto: ridicularizar ou expor alguém por conta da deficiência reforça um sistema de exclusão.

Mesmo que a mulher tenha concordado com tudo, isso não elimina a violência simbólica. Não é sobre julgar sua reação, mas sobre reconhecer que o riso coletivo muitas vezes tem um alvo. E nesse caso, o alvo era ela — ou, pior, o corpo dela.

Transformá-la em “personagem” de um momento engraçado, apelidá-la de “bebê reborn saliente da gota”, como fez Nattan no vídeo, não é elogio nem afeto. É reduzir sua existência a uma caricatura. É reforçar a velha ideia de que pessoas com deficiência estão no mundo para divertir os outros, e não para serem respeitadas.

Entretenimento tem limite?

A legislação brasileira tem. A Lei Brasileira de Inclusão, no artigo 88, é clara: discriminar, induzir ou incitar o preconceito por motivo de deficiência é crime, com penas que podem chegar a cinco anos de reclusão quando a exposição é feita por meios de comunicação ou redes sociais.

Mas para além da lei, há algo que ela não alcança: a consciência coletiva. O desconforto que muitos sentiram ao assistir à cena revela que há algo errado, ainda que todos parecessem felizes no palco. E isso é revelador. O espetáculo pode ser aplaudido — e ainda assim ser cruel.

Consentimento individual não resolve a violência coletiva

Esse talvez seja o ponto mais difícil de compreender. A mulher não demonstrou incômodo. Mas quantas pessoas com nanismo assistiram à cena e se sentiram atingidas? Quantas já foram alvo de piadas em festas, vídeos virais, ou interações constrangedoras em público? Quantas já riram para não chorar?

É por elas — e não apenas por quem estava no palco — que a reação da Annabra importa. Como escreveu a entidade:

“A nossa luta é por dignidade, não por aceitação de humilhações disfarçadas de humor.”

O que fica?

Fica o vídeo, ainda no ar. Fica a discussão, necessária. Fica o convite ao incômodo. E a lembrança de que nem toda risada é leveza. Às vezes, é só mais um peso que os outros carregam.

Veja a nota na íntegra da Associação Nanismo Brasil



O texto continua na legenda do feed

“Não somos piada. Somos pessoas.

O que aconteceu no palco de um show em São Lourenço da Mata (PE) não foi “brincadeira”, nem “entretenimento”. Foi capacitismo — e isso é crime.

Durante a apresentação, o cantor Nattan ofereceu um pix para que uma mulher com nanismo fosse beijada por um cinegrafista, expondo publicamente sua condição e desrespeitando sua dignidade.

A ANNABRA REPUDIA VEEMENTEMENTE esse tipo de atitude, que naturaliza o preconceito e transforma corpos em espetáculo.

📣 O Art. 88 da Lei Brasileira de Inclusão é claro:

👉 Praticar, induzir ou incitar discriminação por deficiência é crime.

📲 Se for por meio de mídias, como vídeos ou postagens na internet, a pena pode chegar a 5 anos de reclusão e multa.

💬 A nossa luta é por dignidade, não por aceitação de humilhações disfarçadas de humor.

🧭 Siga firme conosco: o capacitismo não será normalizado”

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