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PALÁCIO DO CAMPO DAS PRINCESAS

Raquel Lyra sobre linchamento em Tabira: “Foi uma barbárie”

Em pronunciamento nesta quarta-feira (19), ela destacou que a população não pode fazer justiça com as próprias mãos

Embora tenha criticado a "barbárie", Raquel Lyra considera a morte da criança como absurda.
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB), classificou como uma “barbárie” o linchamento de Antônio Lopes Severo, conhecido como Frajola, suspeito de envolvimento na morte do menino Arthur Ramos, de 2 anos e 11 meses, em Tabira, no Sertão do Estado.

Em pronunciamento nesta quarta-feira (19), ela destacou que a população não pode fazer justiça com as próprias mãos e que cabe ao Estado garantir a devida investigação e punição dos crimes.

“É lamentável que cenas como essa ainda aconteçam. Precisamos enxergar os erros que levaram a isso. Foi uma barbárie. O sentimento de justiça aflora quando um crime envolve uma criança”, afirmou Raquel, durante um evento do Juntos pela Segurança no Palácio do Campo das Princesas, no Recife.

A revolta popular explodiu na noite da última terça-feira (18), horas depois da prisão de Frajola e de sua companheira, Giselda da Silva Andrade, na zona rural de Carnaíba.

Ao chegar à delegacia de Tabira, o suspeito foi retirado à força da viatura da PM por uma multidão enfurecida e espancado até a morte. Giselda foi conduzida pelos policiais e permaneceu sob custódia.

Raquel Lyra reforçou que a Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social (SDS) já iniciou uma investigação sobre o ocorrido. A governadora alertou para os riscos da justiça com as próprias mãos e defendeu a atuação das instituições.

“Infelizmente, a população não pode revidar com um linchamento. O Estado precisa fazer o seu papel”, concluiu.

Segundo Raquel, é necessário apurar a conduta dos envolvidos no linchamento.

A MORTE SEM JULGAMENTO

Cenas de linchamento estão cada vez mais comum em Pernambuco. O fenômeno social  simboliza diferentes aspectos da dinâmica coletiva, da falência institucional e da cultura da violência, segundo pesquisadores de diversas áreas, como sociologia, antropologia e criminologia.

“O estabelecimento desta prática é um patente conflito ao processo constitucional penal, uma vez que os indivíduos que a desenvolvem tem a intenção de “fazer justiça” e contrariam um dos preceitos do Estado moderno, qual seja o monopólio legítimo da violência”, diz um trecho do estudo de Solon Pessoa Godinho Neto.

Ele é pós-graduado em sociologia pela Universidade Federal do Amazonas; especialista em Direito Penal e Criminologia – ICPC; professor de Direito na Universidade Estácio do Amazonas e Bacharel em Direito.

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