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CURRAIS ELEITORAIS

Proposta que eleva emendas a R$ 17 mi é adiada, mas ameaça renovação política em PE

Projeto pode revitalizar a máquina de coronelismo moderno, com aumento de barganhas

Proposta que eleva emendas a R$ 17 mi é adiada, mas ameaça renovação política em PE
- O projeto de aumento das emendas parlamentares foi retirado de pauta após forte pressão política, marcando uma rara derrota para o presidente da Assembleia, Álvaro Porto (PSDB)
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



Assembleia Legislativa de Pernambuco adiou nesta terça-feira (8) a votação que aumentaria em 100% o valor das emendas parlamentares.

Com base na receita arrecadada pelo Governo de Pernambuco,  a proposta elevaria os recursos de emendas por deputado para aproximadamente R$ 17,8 milhões anuais. Atualmente, é cerca de R$ 6 milhões. O aumento é analisado por especialista como um risco à renovação política no estado.

O projeto de aumento das emendas parlamentares foi retirado de pauta após forte pressão política, marcando uma rara derrota para o presidente da Assembleia, Álvaro Porto (PSDB).

A PRESSÃO POLÍTICA

A governadora Raquel Lyra (PSD) chegou a mobilizar sua base em uma reunião estratégica com 26 deputados, dificultando os 30 votos necessários para aprovação da Proposta de Emenda Constitucional. Porto percebeu o risco e decidiu retirar de pauta, uma vez que uma derrota impediria nova tentativa até 2025.

Se o assunto voltar a ser debatido e aprovado, o aumento de verbas vai resgatar, com força, os currais eleitorais, prática mais combatida após a Constituição de 1988, com alguns recuos.

“A questão é que, se antes, com 0,8% de emendas, já era mais complicado para um neófito chegar à condição de deputado estadual, agora torna-se mais difícil. Essa medida, por óbvio, beneficia o status quo. Ela beneficia quem já está no poder e vai poder aportar uma maior quantidade de recursos.

É como se um time de futebol recebesse verba extra para contratar os melhores jogadores, enquanto os adversários ficam com orçamento reduzido. Quem já está na frente amplia a vantagem”, compara Elton Gomes, mestre e doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco. Em municípios onde existem caciques que não saem do poder, esse recurso extra é o paraíso.

Segundo Elton, as emendas não inviabilizam totalmente a chegada ao poder de novas lideranças. “Mas fica mais difícil quando você aumenta os recursos à disposição de quem já está estabelecido.”

A BARGANHA

O cientista político acredita que o reforço nas emendas parlamentares, com repasse direto para as prefeituras, cria uma relação de barganhas e trocas, como já existe em nível nacional, seja em governos de direta ou de esquerda.

“Você cria aquela relação do sistema de barganhas e trocas.Os parlamentares conseguem aportar isso para as suas bases, através das prefeituras aliadas, emprestam o seu suporte político para o governo federal da vez, não importa se de esquerda ou de direita para aprovar a legislação do interesse do executivo no parlamento.Então, sim, isso dificulta a chegada ao poder de novas lideranças, mas não inviabiliza, porque existe uma certa quantidade de votos mais ideológicos, à esquerda, à direita. Também existem atores políticos disruptivos, que se destacam principalmente nas novas tecnologias comunicacionais e digitais”.

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