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Pernambuco terá impacto com nova regra do SUS para mamografia a partir dos 40 anos

Mirela Ávila explica impacto da nova regra do SUS que amplia mamografia no estado e no país

Pernambuco terá impacto com nova regra do SUS para mamografia a partir dos 40 anos
- Para a médica radiologista Mirela Ávila, do Centro de Diagnóstico Lucilo Ávila, a medida tem efeito imediato na vida das mulheres pernambucanas
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

Uma decisão histórica do Ministério da Saúde promete transformar a rotina de cuidado com a saúde da mulher em Pernambuco e demais estados brasileiros: a partir de agora, mulheres entre 40 e 49 anos terão acesso ao exame de mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo sem apresentar sinais de nódulos na mama. A medida corrige uma lacuna importante no rastreamento do câncer de mama e pode reduzir desigualdades entre rede pública e privada.

No estado, até 30% dos diagnósticos de câncer de mama acontecem antes dos 50 anos, segundo estimativas de sociedades médicas. Esse dado, que já preocupava especialistas, ganha ainda mais relevância com a nova regra do SUS.

Para a médica radiologista Mirela Ávila, do Centro de Diagnóstico Lucilo Ávila, a medida tem efeito imediato na vida das mulheres pernambucanas. “É uma conquista extremamente significativa, porque atinge mulheres que estão em plena fase produtiva da vida, muitas vezes líderes de família e economicamente ativas”, observa. Ela lembra que, nessa faixa etária, os tumores podem se apresentar de forma mais agressiva, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a expectativa para cada ano do triênio 2023-2025 em Pernambuco é de aproximadamente 2.880 novos casos, com taxa bruta de 56,6 casos por 100 mil mulheres e taxa ajustada de 46,4 casos por 100 mil mulheres.

Um avanço esperado no rastreamento

Até então, o SUS garantia o exame periódico apenas para mulheres entre 50 e 69 anos, com repetição a cada dois anos. Antes dessa faixa etária, a mamografia só era realizada em casos de queixa palpável ou suspeita clínica. Agora, com a possibilidade de rastreamento a partir dos 40 anos, o sistema público se aproxima de recomendações internacionais e nacionais, como as da Sociedade Brasileira de Mastologia e do Colégio Brasileiro de Radiologia.

Mirela Ávila defende que o rastreamento mamográfico comece já aos 40 anos e seja repetido anualmente até os 75 anos. “A detecção precoce possibilita taxas de cura de até 95% e reduz a necessidade de cirurgias mutilantes”, explica a médica, ressaltando que o diagnóstico antecipado impacta diretamente na qualidade de vida das pacientes.

Setor privado já seguia a recomendação

No setor privado, a mamografia anual a partir dos 40 anos já era prática comum. O contraste com o SUS gerava desigualdades no diagnóstico e na condução do tratamento. No início deste ano, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) chegou a propor que o setor privado adotasse a mesma regra do Ministério da Saúde, restringindo o exame rotineiro apenas a mulheres a partir dos 50 anos.

“Conseguimos manter a recomendação no setor privado, mas a pergunta que ficava era: e para as mulheres do SUS? Agora temos uma resposta”, destaca Mirela Ávila. A mobilização de médicos, parlamentares e da própria sociedade civil foi crucial para que o protocolo do setor privado permanecesse inalterado, evidenciando a importância da participação social na saúde pública.

Diagnósticos ainda tardios

Apesar do avanço, os números mostram que a maioria dos tumores ainda é descoberta em estágio avançado. De acordo com a médica, estimativas indicam que apenas 20% dos casos no Brasil são identificados precocemente, aumentando a necessidade de tratamentos longos, agressivos e dolorosos.

O avanço do câncer, de uma forma geral, na faixa etária mais jovem está também relacionado ao estilo de vida atual. “O estresse constante, a alimentação industrializada, a falta de tempo para atividades físicas e a sobrecarga emocional criam um ambiente propício para o surgimento de doenças”, explica. “Vivemos em uma incubadora de estímulos que favorece o desenvolvimento do câncer. Não há uma causa única, mas a realidade é que ele vem acometendo cada vez mais cedo diferentes tipos de tumores, inclusive o de mama.”

Pernambuco no centro da mudança

O estado já apresentava indicadores que reforçavam a urgência da medida. Além do percentual de até 30% de casos diagnosticados entre 40 e 49 anos, há uma tendência de aumento de diagnósticos em mulheres ainda mais jovens. “Não é apenas um fenômeno nacional. Aqui no estado, também vemos mulheres sendo impactadas mais cedo por essa doença”, afirma Mirela.

Para a médica, a ampliação do acesso ao exame representa uma correção histórica. “Não fazia sentido deixar de fora do rastreamento uma faixa etária que responde por quase um terço dos casos. O impacto será imediato na vida de muitas pernambucanas”, avalia.

“No momento em que a gente tem acesso à realização do exame, isso já abre muitas portas. Existe também, junto a mesma determinação do Ministério da Saúde essa semana, não foi apenas o acesso das mulheres à mamografia em uma faixa de idade mais ampliada.Vieram vários outros acessos a tratamentos mais atuais, a inovações, aquisição de equipamentos inclusive muito mais atualizados”.

Redução das desigualdades e novos equipamentos

Outro ponto destacado pela especialista é a possibilidade de reduzir desigualdades entre pacientes da rede pública e privada. A decisão do Ministério da Saúde veio acompanhada de anúncios sobre investimentos em novos equipamentos e tratamentos, como mesas de biópsia estereotáxica e mamógrafos digitais com tecnologia 2D e 3D.

“Quando usamos a imagem digital 2D, estamos falando da aquisição direta, mas quando adicionamos a imagem em 3D, a chamada tomossíntese, conseguimos visualizar o tecido mamário com muito mais detalhe. Isso permite detectar lesões extremamente sutis, aumentando em até 50% as taxas de detecção do câncer de mama, que poderiam passar despercebidas em um exame convencional, dependendo da qualidade do equipamento. Ver o SUS incorporar essa tecnologia é realmente espetacular. Eu já trabalho com tomossíntese desde 2013, portanto tenho bastante experiência com ela, mas nunca tinha visto esse recurso disponível de forma estruturada em um serviço público aqui no estado. É um avanço enorme para a população”, afirma.

Segundo Mirela Ávila, o uso da tomossíntese — recurso presente nos aparelhos 3D — pode aumentar em até 50% a capacidade de detectar tumores sutis. Isso permite diagnósticos ainda mais precoces, cirurgias menos invasivas, sem precisar retirar a mama, e maiores chances de cura. “É um presente para todas as mulheres”, resume a médica.

Ampliação do limite etário

A medida também elevou a idade máxima para o exame pelo SUS, de 69 para 74 anos. A mudança é estratégica, já que quase 60% dos casos de câncer de mama se concentram entre 50 e 74 anos.

De acordo com a médica radiologista, o envelhecimento é um dos fatores de risco mais relevantes, pois o tecido mamário sofre alterações ao longo da vida, tornando-se mais propenso ao desenvolvimento de tumores. A partir dos 74 anos, porém, a decisão de manter o rastreamento deve ser individualizada, considerando expectativa e qualidade de vida.

Mirela Ávila avalia com otimismo o impacto da decisão em Pernambuco e no país. Para ela, trata-se de salvar vidas.”Eu vejo esse anúncio com muita felicidade, com muita esperança e com muita positividade do que vem aí no futuro próximo”.

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