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A Califórnia brasileira que floresce no Vale do São Francisco

Descubra como o Vale do São Francisco se transforma em um polo de citricultura, com limão Tahiti e laranja pêra, e as oportunidades que isso traz.

A Califórnia brasileira que floresce no Vale do São Francisco
- Em todo Vale, já existem aproximadamente 1.000 hectares plantados, sendo que 90% é limão Tahiti e 10% de laranja
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Há regiões que parecem destinadas a reinventar a agricultura. O Vale do São Francisco é uma dessas terras. Ali, onde a manga e a uva já transformaram o semiárido de Petrolina em vitrine de abundância, começam a despontar novas cores: o verde das mudas que brotam sob telas de proteção e o amarelo-laranja dos frutos que anunciam um futuro sustentável. O limão Tahiti e a laranja pêra já não são apenas promessas – tornam-se protagonistas de uma história que se escreve com ciência, resiliência e esperança.

Mudas como raízes de um futuro limpo

Cada muda certificada que se planta é mais que uma aposta agrícola: é um voto de confiança em um futuro menos vulnerável às pragas que assombram outros polos citrícolas do país. Produzidas em viveiros protegidos, livres de ameaças como o greening e o cancro cítrico, essas mudas são sementes de um amanhã mais competitivo. Como lembrou a empresária Jéssica Nascimento, elas são “a base de uma citricultura segura” — e bases sólidas sustentam muralhas contra a instabilidade.

O Semiárido, que já acostumou seus habitantes à convivência com o sol inclemente, revela-se paradoxalmente um aliado. O calor, a baixa umidade e a luminosidade intensa tornam-se barreiras naturais contra doenças e insetos. É quase como se a natureza tivesse redesenhado o deserto em pomar.

Nas palavras de Débora Bastos, pesquisadora da Embrapa, “é uma cultura que assegura renda tanto para grandes empresas quanto para agricultores familiares”. Eis aí a força democrática do cítrico: caber em hectares imensos e também em pedaços de chão que mal chegam a meio hectare.

Fortes o suficiente para competir com o Sudeste

Ainda segundo Débora, em entrevista à Coluna Pernambuco que encanta no caso “da lima ácida ‘Tahiti‘, é possível que o Vale do São Francisco possa competir com o Sudeste fortemente. Ainda não existem dados específicos sobre Petrolina, onde a nova cultura começou a se desenvolver em Pernambuco.

Porém, em todo Vale, já existem aproximadamente 1.000 hectares plantados, sendo que 90% é limão Tahiti e 10% de laranja. “Precisamos fazer o levantamento em Petrolina”, destacou Débora, orgulhosa. Na prática, mil hectares correspondem a 1.400 campos de futebol no padrão Fifa. Tudo isso brotanto onde passa o velho Chico.

“Com ajustes na nutrição e na irrigação, pode-se produzir frutos de boa qualidade, tanto para o mercado interno quanto para a exportação, em qualquer época do ano”, afirmou.

Os desafios no caminho

É claro que a laranja e o limão não se impõem sem lutas. Os gargalos logísticos e a necessidade de packing houses (centros de beneficiamento e embalagem de frutas) e indústrias de processamento ainda são pedras no caminho. Laiane Macedo, do Sebrae, foi clara: é preciso mais do que plantar, é necessário planejar. A citricultura no Vale precisa de gestão, inovação e estratégia para dar o salto que a coloque não apenas nas feiras, mas também na indústria, nos portos e no mundo.

Ainda assim, o cenário é fértil de possibilidades. O Vale, já acostumado a lidar com mercados exigentes graças à uva e à manga, possui a logística consolidada para escoar também o frescor cítrico. A diversidade, como lembrou o consultor Elisaldo Júnior, é questão de sobrevivência: um tripé de equilíbrio que mantém de pé a economia regional.

O vale que floresce em tons de laranja e verde

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O Citros Day, realizado no último dia 10 de setembro, foi menos um evento e mais um rito de passagem. No auditório do Senai, em Petrolina, plantaram-se ideias tão essenciais quanto as mudas em viveiro. Ali, ciência e prática estreitaram laços, projetando não apenas técnicas, mas visões de futuro.

Foi nesse contexto que o pesquisador Walter Soares Filho, da Embrapa, ousou a comparação que ainda ecoa como metáfora potente: “O Semiárido é um verdadeiro santuário. Temos sol, água, tecnologia e baixa incidência de pragas. Se bem trabalhada, a citricultura pode transformar o Vale em uma ‘Califórnia brasileira’.”

A imagem não é exagerada. Assim como a Califórnia, que fez brotar pomares em áreas áridas e se tornou referência mundial, o Vale do São Francisco reúne condições naturais e tecnológicas para abrir uma nova fronteira agrícola no país.

Uma nova vocação

Se há um traço que define o sertanejo é a capacidade de transformar adversidade em oportunidade. O Vale do São Francisco, com sol que parece eterno e águas que correm como promessa, agora testa suas forças em mais uma cultura. 

Não se trata de substituir a manga ou a uva, mas de somar forças, diversificar horizontes e tornar a agricultura mais resiliente.

Os pomares de limão Tahiti e de laranja são metáforas vivas: resistência e frescor em meio ao calor, colheita em todas as estações, fruto que vence a seca com a ajuda da ciência. O que está em jogo não é apenas o cultivo de citros, mas a própria reinvenção de um território que insiste em mostrar ao Brasil – e ao mundo – que o Semiárido também floresce.


Laranjinhas na campanha do Hemope

O Hemope iniciou a campanha “Sangue Novo: proteção além das ruas”, envolvendo os policiais recém-incorporados da PMPE, conhecidos como “laranjinhas”. A expectativa é de 400 a 500 doações até 26 de setembro. A presidente Raquel Santana destacou a importância do reforço aos estoques de sangue. 


Cine UFPE exibe curtas de estudantes das periferias do Recife

O Centro de Convenções da UFPE recebe, neste sábado (20/9), às 10h, uma mostra de curtas produzidos por estudantes das comunidades do Sancho/Totó e dos Coelhos, a partir de oficinas gratuitas de letramento audiovisual. Os projetos, contemplados pela Política Nacional Aldir Blanc e pela Prefeitura do Recife, foram coordenados por alunos e professores de Ciências Sociais da UFPE, com orientação do antropólogo Alex Vailati.

A cineasta Yanne Mendes conduziu as gravações, ensinando desde a captação até a edição com celular. Entre os curtas, estão “Luther”, sobre grafite e inclusão social, e “União e Conscientização, Empodera”, que discute a transferência de um posto de saúde nos Coelhos. As oficinas buscaram desenvolver o pensamento crítico, protagonismo e uso do audiovisual como ferramenta de denúncia e expressão cultural.


Recife e Porto fortalecem cooperação em turismo e cultura

Uma comitiva da Câmara Municipal do Porto, em Portugal, esteve no Recife para conhecer projetos municipais nas áreas de turismo, cultura e inovação urbana. Foram apresentados programas como “Olha!Recife”, “Recife é pra ficar”, Recentro, Megamurais e “Mais Vida Arca de Noé”. A visita reforçou a parceria entre as cidades-irmãs, vigente desde 1981, e discutiu intercâmbio de artistas, artesãos e chefs, além de cooperação em revitalização urbana. Para os portugueses, o Recife mostrou-se muito além do turismo de sol e mar, destacando patrimônio histórico, gastronomia e arte urbana. As reuniões técnicas serão retomadas ainda este mês por videoconferência.


Aline Moura – Repórter e colunista do Tribuna Online PE

Contatos:

jornalistaalinemoura@gmail.com
pernambucoqueencanta@gmail.com

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