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CARUARU

Suspeita de violência sexual surge em caso Allani Rayane, diz decisão judicial

Segundo documento ao qual o Tribuna Online PE teve acesso, jovem teria sofrido golpes de enxada e faca antes de morrer

Suspeita de violência sexual surge em caso Allani Rayane, diz decisão judicial
- Investigação aponta que Allani foi morta após disputa por herança
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


A decisão que manteve presos Josemi José de Santana Filho, 32 anos, e Andrea Maria dos Santos da Silva, 42, trouxe à tona detalhes ainda mais duros sobre a morte de Allani Rayane Santos, 24 anos. O documento, ao qual o Tribuna Online PE teve acesso, expõe a dimensão da violência que a jovem sofreu antes de ser assassinada, a pedidos da própria mãe. 

O juiz Altino Conceição da Silva, da Central Especializada das Garantias de Caruaru, registrou que há indícios de violência sexual. A suspeita de “relação sexual prévia ou estupro”, segundo o magistrado, aparece no Boletim de Identificação de Cadáver (ID 223530749 – pág. 22). Essa possibilidade, agora sob análise pericial, acrescenta um novo peso a um caso já marcado por brutalidade.

Violência extrema e tentativa de subjugação

O que os documentos descrevem é um cenário de tortura meticulosa e prolongada. Segundo apuração da reportagem, Allani foi amarrada, amordaçada e submetida a espancamentos intensos. Ela apresentava sinais de tortura física e psicológica, além de lesões profundas no rosto provocadas por um objeto contundente — uma enxada, usada por Josemi para golpear a vítima. Em seguida, ele ainda a atingiu com uma faca.

Josemi confessou o crime durante a Audiência de Custódia. Disse ter agido a mando de Andrea Maria, mãe de Allani. De acordo com os autos, ele teria praticado a tortura com o objetivo de obrigar a jovem a transferir valores bancários e bens para ele e para a mandante.

A motivação, segundo a investigação, era financeira. Andrea desejava assumir a herança da filha — um conjunto de imóveis e quantias deixadas pelo avô materno. Josemi relatou que havia a promessa de fuga: depois do crime, os dois venderiam os bens, deixariam Pernambuco e “começariam uma nova vida”.

Quando a jovem resistiu e não autorizou nenhuma transferência, “e o temor de ser denunciado, Josemi deferiu golpes de enxada e faca contra ela, ceifando-lhe a vida…”, registra um dos trechos do documento acessado pela reportagem.

Preventiva mantida por risco e gravidade

Ao analisar o caso, o juiz classificou a atuação da dupla como um feminicídio marcado por ganância e tortura. Para o magistrado, a prisão preventiva é indispensável para assegurar a ordem pública e evitar interferências na investigação. Ele cita a “periculosidade social acentuada dos autuados e total desprezo pela vida humana”.

Com a decisão, Josemi foi encaminhado para a Penitenciária Juiz Plácido de Souza, em Caruaru. Andrea foi levada para a Colônia Penal Feminina do Bom Pastor, no Recife.

Laudos sobre possível violência sexual

Para verificar a suspeita de estupro, equipes periciais recolheram material genético. O delegado Eric Costa, responsável pelo caso, informou que os exames tanatoscópico e sexológico devem confirmar ou descartar a violência sexual.

Os resultados são esperados para os próximos dias. A Polícia Civil de Pernambuco reforçou que o caso segue em investigação e que novas informações serão divulgadas “em momento oportuno”.

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