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POLÍTICA

MPF exige retirada de adesivos irregulares em ônibus escolares de Pernambuco

Órgão requer a procedência do pedido para que o governo pernambucano seja obrigado a restaurar a caracterização original dos ônibus

MPF exige retirada de adesivos irregulares em ônibus escolares de Pernambuco
- De acordo com o relatório apresentado pela parlamentar, 785 ônibus adquiridos pela gestão estadual tiveram suas identificações federais sobrepostas por logomarcas do programa local "Juntos pela Educação"
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra o estado de Pernambuco para obrigar o governo a restabelecer a padronização visual original dos ônibus escolares adquiridos por meio do Programa Caminho da Escola.

A denúncia apresentada pela deputada Dani Portela (Psol) aos órgãos federais de controle em fevereiro foi acatada e a apuração aconteceu ao longo dos meses subsequentes. De acordo com o relatório apresentado pela parlamentar, 785 ônibus adquiridos pela gestão estadual tiveram suas identificações federais sobrepostas por logomarcas do programa local “Juntos pela Educação”.

Ajuizada pela procuradora da República Ládia Chaves, a ação sustenta que a alteração visual viola o Art. 17 da Resolução nº 01/2021 do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O dispositivo proíbe qualquer mudança na identificação dos ônibus, cuja padronização é exigida como contrapartida devido ao governo estadual ter usufruído dos benefícios do programa federal, como valor unitário e isenções tributárias, mesmo tendo utilizado recursos próprios.

Parlamentar defende transparência e cumprimento da lei

A parlamentar esteve na Secretaria de Educação e Esporte no último dia 12 de fevereiro para realizar uma vistoria in loco, onde constatou a veracidade das denúncias. “Eu fui recebida por representantes da SES que informaram que os ônibus tinham sido comprados com recursos do Governo do Estado, logo poderiam adesivá-los dessa maneira, porém a fonte dos recursos não importa, já que o programa autoriza que sejam comprados com recursos próprios. Isso está expresso já no primeiro artigo da Resolução (nº 01/2021 do FNDE) que regulamenta o Programa”, afirmou a deputada.

Para a parlamentar, essa ação civil é resultado da decisão do Governo de Pernambuco de não atender às solicitações do órgão. “Essa é uma prestação de contas para a sociedade de para onde vai o nosso dinheiro. Não pode ser apagado apenas pela vontade dos gestores. Isso é parte dos princípios da administração pública, no caso, o princípio da publicidade. O MPF notificou o governo do estado por duas vezes e não houve retorno satisfatório ao órgão. Lei é lei e precisa ser cumprida”, finaliza a deputada.

MPF busca restauração da padronização e multa diária

Antes de ajuizar a ação, o MPF buscou solucionar a questão extrajudicialmente. Em junho deste ano, o órgão expediu uma recomendação concedendo o prazo de 60 dias para a completa remoção das logomarcas. Destaca-se, ainda, que o governo estadual, apesar de ter sido notificado anteriormente pelo FNDE, enviou apenas duas fotografias, que aparentam ser do mesmo veículo, para comprovar as correções, o que foi considerado insuficiente para atestar o saneamento das irregularidades nas centenas de ônibus.

O MPF requer a procedência do pedido para que o governo pernambucano seja obrigado a restaurar a caracterização original dos ônibus, visando garantir o respeito aos interesses coletivos da sociedade. Além disso, o órgão solicita a estipulação de multa diária no valor de R$ 5 mil para o caso de descumprimento da determinação judicial.

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