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VEJA A PROGRAMAÇÃO

Recife se transforma em palco vivo com o 28º Festival Internacional de Dança

Durante 10 dias, a cidade vibra em movimento com mais de 20 espetáculos gratuitos de artistas do Brasil, da Europa e da América Latina

Recife se transforma em palco vivo com o 28º Festival Internacional de Dança
- Os recifenses Gabi Holanda, Guilherme Allain e Isabela Severi assinam dois trabalhos marcantes: “Bolor” e “Onde a Vida Insiste”, apresentados, respectivamente, no Hermilo e na Praça da Várzea
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

Quando o Recife dança, é como se o tempo se curvasse. Até 26 de outubro, a capital dos ritmos abre os braços — e os palcos — para receber a 28ª edição do Festival Internacional de Dança do Recife. São mais de 20 espetáculos gratuitos, espalhados por teatros e espaços públicos, celebrando a pluralidade dos gestos e das memórias que atravessam gerações e geografias. As apresentações começaram nesta sexta-feira (17) no Teatro Santa Isabel.

Memória em movimento

Com o tema “Memória em movimento”, o festival homenageia o Acervo RecorDança, coletivo dedicado a preservar a história da dança em Pernambuco. A cada cena, o público é convidado a pensar o corpo como arquivo vivo: um repositório de afetos, lutas e resistências.

A iniciativa, promovida pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife, também tem um viés solidário — haverá arrecadação de alimentos durante as apresentações.

Um mundo de corpos em diálogo

Da França, Argentina e Espanha chegam companhias que trazem novos sotaques para o corpo. Do Brasil, nomes de São Paulo, Minas Gerais e Bahia ampliam o mapa do festival. Mas o protagonismo é da dança pernambucana, que ocupa mais de 70% da programação, reafirmando a potência local.

Além das apresentações, o evento promove aulão de frevo, exposição de artes visuais, Cine Dança, oficinas e mais uma edição do Primeira Cena, projeto que abre espaço para artistas e grupos iniciantes.

Início em alta voltagem

O festival começou em festa — e com história. O Grupo Corpo, de Minas Gerais, abriu a programação comemorando seus 50 anos de trajetória com o espetáculo “Piracema”, apresentado no Teatro de Santa Isabel.

A montagem, feita com 82 mil tampas de lata de sardinha na cenografia de Paulo Pederneiras, une dois criadores em um só corpo coreográfico: Rodrigo Pederneiras e Cassi Abranches. A trilha inédita de Clarice Assad embala a metáfora da piracema — os peixes que sobem a correnteza —, símbolo perfeito da resistência e da recriação constantes da arte brasileira.

Na mesma noite, o público assistiu à reencenação de “Parabelo” (1997), peça inspirada no sertão e embalada por músicas de Tom Zé e Zé Miguel Wisnik.

Açúcar, ancestralidade e memória

O sábado (18) traz uma viagem entre o doce e o amargo. No Teatro do Parque, a companhia francesa Cie Trilogie-Léna Blou apresenta “Le Sacre du Sucre” — um mergulho coreográfico nas memórias amargas deixadas pelos engenhos de cana.

No Museu Murillo La Greca, a exposição “RecorDança: Acervo em Movimento” abre com a Tardezinha no La Greca, ao som do DJ Phino. No Hermilo Borba Filho, estreia “Corpo Ancestral: Dança Nagô em Movimento”, em reverência à herança afro-brasileira.

A pernambucana Flaira Ferro também brilha no fim de semana: apresenta show no Teatro Apolo e comanda um aulão de frevo na manhã de domingo (19).

Corpos que contam histórias

A segunda-feira (20) traz o espetáculo “Nações Africanas”, do grupo Bacnaré, patrimônio vivo do Recife.

Na terça (21), o sol do meio-dia será plateia para o espetáculo “Memória do Mundo”, da Cia ETC, na Praça do Derby — um convite à pausa em meio à pressa. À noite, o festival se espalha pelos teatros Hermilo Borba Filho e Parque, com exibição de curtas no Cine Dança e apresentações de artistas emergentes no Primeira Cena.

Travessias poéticas

A quarta-feira (22) será de contrastes e experiências sensoriais. O paulista Ângelo Madureira apresenta o solo “Delírio”, dedicado às danças populares, enquanto o grupo argentino BiNeural-MonoKultur transforma o jardim do Teatro do Parque em pista de dança com “Dancemos… que o mundo se acaba”.

Na quinta (23), o público se encontra com a Espanha em “Ellas en Lorca”, da Companhia Rosa Flamenca, e com a França em “Corpos”, da Cia La Mangroove, que investiga o lugar do corpo negro entre memória e identidade.

O ritmo do Recife

Os recifenses Gabi Holanda, Guilherme Allain e Isabela Severi assinam dois trabalhos marcantes: “Bolor” e “Onde a Vida Insiste”, apresentados, respectivamente, no Hermilo e na Praça da Várzea.

O segundo fim de semana do festival traz uma mistura explosiva de hip hop, brega, cavalo marinho e baile charme. Na sexta (24), o destaque é a cena local, com “Orunmilá”, de Orun Santana, e “Para expectativa somente desvios”, de Marcos Teófilo.

O sábado (25) será tomado pela “Batalha da Escadaria”, no Compaz Eduardo Campos, com batalhas de all style, baile charme e apresentações do Circo Experimental Negro e da Lúden Cia de Dança.

O encerramento: uma travessia final

O domingo (26) encerra o festival em alto voo. No Teatro de Santa Isabel, a lendária Germaine Acogny, pioneira da dança contemporânea na África, sobe ao palco com o espetáculo “À un endroit du début”, acompanhada do francês Mikaël Serre — uma fusão entre tradições senegalesas e técnicas modernas.

Enquanto isso, no Teatro Hermilo, o Estrela Brilhante celebra o cavalo marinho pernambucano, reafirmando a força das danças populares que sustentam o corpo cultural da cidade.

Corpos que ensinam

A etapa formativa do festival oferece a oficina “Vivência Danças de Blocos Afros”, ministrada por Vânia Oliveira (BA), nos dias 17 e 18. A proposta é fazer o corpo reaprender a lembrar — dançando.

28º FESTIVAL INTERNACIONAL DE DANÇA DO RECIFE

De 17 a 26 de outubro

DIA 17 (SEXTA-FEIRA)

Parabelo e Piracema, Grupo Corpo (MG)

Horário: 19h

Local: Teatro de Santa Isabel

(Libras + Audiodescrição)

DIA 18 (SÁBADO)

Tardezinha no La Greca e abertura da exposição RecorDança: Acervo em Movimento

Horário: A partir das 14h

Local: Murillo La Greca

Exposição Corpo Ancestral: Dança Nagô em Movimento

Horário: 18h

Local: Teatro Hermilo Borba Filho

Show de Flaira Ferro (PE)

Horário:19h

Local: Teatro Apolo

(Libras)

Le Sacre du Sucre, com Léna Blou (França)

Horário: 20h

Local: Teatro do Parque

Parabelo e Piracema, Grupo Corpo (MG)

Horário: 20h

Local: Teatro de Santa Isabel

(Libras + Audiodescrição)

DIA 19 (DOMINGO)

Aulão de Frevo, com Flaira Ferro (PE)

Horário: 10h às 11h30

Local: Teatro Hermilo Borba Filho

Cavalas, com Alana Falcão e Ana Brandão (BA)

Horário: 18h

Local: Teatro Hermilo Borba Filho

(Libras + Audiodescrição)

DIA 20 (SEGUNDA-FEIRA)

Nações Africanas, Bacnaré (PE)

Horário: 14h

Local: Teatro do Parque

(Libras)

DIA 21 (TERÇA-FEIRA)

Memória do Mundo, Cia Etc. (PE)

Horário: 12h

Local: Praça do derby

Projeto Primeira Cena

Horário: 19h

Local: Teatro Hermilo Borba Filho

Meu Frevo é assim, Cia de dança Recifervo / Corpo Fé: Trânsitos de presenças, ausências e águas, de Irys Oliveira / Fissura, de Samuel José / Corpos que dançam entre gerações e memórias, da Escola Viradança

Cine Dança

Horário: 19h

Local: Teatro do Parque

Rastros e Rotas, de Yuriê Perazzini (ES) / Saramuná, de Gabriela Moura (PE) / Longa Repentino, de Drica Ayub (PE) / Cartas de Despedida, de Samuel Dompierry (BA) / Andanças, da Cia NuA – Núcleo Artístico de dança-teatro (PR)

Os Guerreiros: A Luta pela Sobrevivência, Balé Afro Raízes (PE)

Horário: 20h

Local: Teatro do Parque

DIA 22 (QUARTA-FEIRA)

Dancemos… que o mundo se acaba!, BiNeural-MonoKultur (Argentina)

Horário:10h e 14h

Local: Teatro do Parque

Bolor, Gabi Holanda, Guilherme Allain e Isabela Severi (PE)

Horário: 19h

Local: Hermilo Borba Filho

(Libras)

Delírio, Ângelo Madureira (SP)

Horário: 20h

Local: Teatro Apolo

(Libras)

DIA 23 (QUINTA-FEIRA)

Ellas En Lorca, Companhia Rosa Flamenca (Espanha)

Horário: 19h

Local: Teatro Apolo

Onde a Vida Insiste, Guilherme Allain e Isabela Severi (PE)

Horário:19h

Local: Praça da Várzea

(Libras)

Corpos, Cia La Mangroove (França)

Horário: 20h

Local: Teatro do Parque

DIA 24 (SEXTA-FEIRA)

Orunmmilá, Orun Santana (PE)

Horário:14h e 19h

Local: Teatro Hermilo Borba Filho

(Libras)

Para Expectativa Somente Desvios, Marcos Teófilo (PE)

Horário: 20h30

Local: Teatro Apolo

(Libras)

DIA 25 (SÁBADO)

Batalha da Escadaria (PE) + From Afrobeats to hip Hop Heat!, Serafin’s Company (PE) + Batalha de All Style (PE) + Baile Charme (PE)

Horário: 15h às 21h

Local: Compaz Eduardo Campos

O Encontro da Tempestade e a Guerra, Circo Experimental Negro (PE)

Horário: 17h

Local: Teatro Apolo

Ciclobrega, Lúden Cia de Dança (PE)

Horário:18h

Local: Teatro Hermilo Borba Filho

DIA 26 (DOMINGO)

Cavalo Marinho Estrela Brilhante – Corpo, Brincadeira e Tradição Viva (PE)

Horário: 16h

Local: Teatro Hermilo Borba Filho

À un endroit du début, Germaine Acogny e Mikaël Serre (Senegal e França)

Horário:19h

Local: Teatro de Santa Isabel

(Libras)

EXPOSIÇÕES:

RecorDança: Acervo em Movimento

Data: 18 a 26 de outubro

Local: Museu Murilo La Grecca

Corpo Ancestral – Dança Nagô em Movimento

Data: 18 a 26 de outubro

Local: Teatro Hermilo Borba Filho

ETAPA FORMATIVA:

Vivência Danças de Blocos Afros, com Vânia Oliveira (BA)

Dias 17 e 18, das 14h às 18h e das 9h às 13h

No Hermilo Borba Filho

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