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Homem mata ex em Agrestina após esvaziar e recarregar a arma

O ato de covardia não deu chance de defesa à vítima; depois, ele foi encontrado morto na zona rural da cidade

Emiliane estava trabalhando quando foi alvo de vários tiros
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



A covardia – quem pode prever? Ainda mais quando chega às pressas, armada e imbuída de todo o machismo estrutural que ainda rege a sociedade. O covarde, que ainda não teve o nome divulgado, quem pode conter? Foi um desses que tirou a vida da frentista Emiliane Veríssimo, 28 anos, neste último sábado (11), na cidade de Agrestina, enquanto ela trabalhava em um posto de combustível às margens da BR-104.

O homem, ex-namorado de Emiliane, de 37 anos, chegou num veículo branco, e entrou rapidamente no posto como se fosse abastecer. Não puxou nem o freio de mão. Quando ela se aproximou, atirou de dentro do carro e a viu cair imediatamente. Mas não parou. Desceu do carro, continuou a efetuar disparos até esvaziar a arma. Atirou no corpo, no rosto, o quanto pôde e quis. Voltou ao carro, recarregou a arma e retornou para desferir novos tiros.

Depois do crime hediondo, sem direito de defesa da vítima, entrou no carro, que começou a descer por falta de freio de mão. Desapareceu das vistas. Foi encontrado morto dentro do veículo que usou no assassinato, mas ainda não se sabe se tirou a própria vida ou se foi justiçado sem passar pela justiça. Morreu sem pagar pelo crime. Sem enfrentar os 40 anos de prisão que o feminicídio prevê.

A cidade de Agrestina — pouco conhecida pela violência — fica no Agreste de Pernambuco. De janeiro a setembro deste ano, oito mortes violentas foram registradas, segundo dados da Secretaria de Defesa Social. A 154 quilômetros do Recife e com cerca de 23,7 mil habitantes, o município agora também foi ferido pelas garras do feminicídio.

O feminicídio foi registrado por câmeras de segurança. Emiliane morreu no local. Sem chance. No trabalho, enquanto lutava pelo seu sustento. A Polícia Militar isolou a área para os trabalhos da equipe de criminalística. Posteriormente, o corpo foi levado para o Instituto de Medicina Legal de Caruaru.



A Polícia Civil de Pernambuco informou ter registrado a ocorrência, por meio da Delegacia Seccional de Caruaru. “Após diligências contínuas do efetivo, o homem de 37 anos, ex-companheiro da mulher, foi encontrado dentro de um veículo, com perfuração de arma de fogo, na zona rural do município. As diligências seguem até o esclarecimento total do ocorrido”.

Repúdio da Prefeitura de Agrestina

A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres de Agrestina/PE expressou profundo pesar e indignação pelo feminicídio de Emiliane Veríssimo, brutalmente assassinada na tarde do último sábado (11/10).

Em nota, a secretaria afirma que a morte de Emiliane não é um caso isolado, mas reflexo de uma sociedade que ainda tolera a violência de gênero e naturaliza o controle e agressividade contra mulheres. O órgão reforçou o compromisso com o enfrentamento da violência, o fortalecimento da rede de proteção e a promoção de uma cultura de paz, respeito e equidade.

A Prefeitura também destacou solidariedade à família, amigos e à comunidade, reafirmando que Emiliane não será esquecida e que sua memória se soma à luta por justiça e pelo direito das mulheres de viverem livres de qualquer forma de violência.

Denuncie abusos: 180
Ligue na emergência: 190

Disque-denúncia no Agreste: (81) 3719-4545

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