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ESCOLHAS

Pernambuco na linha do tempo: entre os marcos do agora e os desafios do amanhã

Avanços, impasses e escolhas que moldam o presente e projetam o futuro

Pernambuco na linha do tempo: entre os marcos do agora e os desafios do amanhã
- Mais do que uma bela paisagem, cada ponte e cada luz nesta imagem representa o desafio de um Pernambuco que busca se conectar com novas oportunidades em 2026
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


As luzes que colorem o céu do Recife nesta virada de ano representam mais do que o encerramento de um calendário. Entre o Marco Zero e a orla festiva de Boa Viagem, o que se vê é o rito de passagem de uma capital que, ao mesmo tempo em que celebra as tradições, começa a projetar um ciclo decisivo para o Estado.


Para o pernambucano, o 1º de janeiro não é apenas um dia de descanso, mas o marco zero de um ano que carrega a responsabilidade de preparar o terreno para 2026. Se na noite desta quarta-feira o foco está no reencontro e na festa, a manhã desta quinta-feira (1º) trará o silêncio reflexivo típico do início de ciclo. É nesse hiato que a esperança deixa de ser um brinde festivo para se tornar um projeto de cidadania.


Pernambuco entra em um período onde o debate público ganhará força, com a proximidade de um ano eleitoral que promete redesenhar as forças políticas locais e nacionais. Para quem lê este texto na noite da virada ou no despertar deste 1º de janeiro, o cenário é de um Pernambuco que tenta equilibrar o pragmatismo da gestão com a urgência da esperança.


O “fôlego” de Raquel: entregas e acordos decisivos


No Palácio do Campo das Princesas, a governadora Raquel Lyra (PSD) encerra o ano com movimentos que buscam destravar o desenvolvimento. O anúncio histórico do aporte de R$ 4 bilhões do Governo Federal para o Metrô do Recife — fruto de um acordo de cooperação assinado com o presidente Lula neste mês — surge como o grande alento para a mobilidade. A promessa é de 18 trens seminovos e uma requalificação profunda que prepara o sistema para a futura concessão. Que passageiros não precisem mais arriscar a vida andando sobre trilhos.


Enquanto isso, o início das obras do Arco Metropolitano, sonhado há mais de 20 anos, promete, finalmente, tirar do papel a logística que o Porto de Suape exige, gerar mais empregos e dar mais qualidade de vida a quem usa transporte público e privado. É um resultado e tanto para uma gestão que precisou de resiliência nas articulações com a Assembleia Legislativa para destravar investimentos e garantir o equilíbrio das contas estaduais.


Desafios sociais e infraestrutura no interior


No entanto, o otimismo das máquinas divide espaço com temas sensíveis. O processo de privatização da Compesa segue sob os olhares atentos da sociedade, enquanto o governo corre contra o tempo para entregar adutoras e soluções definitivas para a seca que ainda castiga o interior.


Mas o desenvolvimento sob o olhar de Raquel também foca no humano: a segurança pública e o combate à violência contra a mulher permanecem como o dado mais doloroso. O enfrentamento ao feminicídio e a ampliação da rede de proteção seguem como metas críticas para a primeira governadora mulher da história de Pernambuco, que busca deixar um legado de proteção e justiça social.


A despedida de João: o legado e a transição


No Recife, o clima é de encerramento de um ciclo marcante. O prefeito João Campos (PSB), reeleito com uma aprovação que atravessou bairros e classes sociais, vive seus últimos meses no cargo. Antes de sua saída, prevista para abril — quando passará o bastão para o vice Victor Marques (PCdoB) para focar na disputa estadual —, João consolida um legado de zeladoria urbana, expansão da Rede Compaz e uma presença digital que reconectou o recifense com a prefeitura através de um urbanismo social.


O pertencimento e a proteção da vida


A marca do prefeito reside na transformação do cotidiano através das Praças da Infância e da requalificação de parques, que entregaram espaços de convivência dignos para famílias em moradias adensadas. Onde havia abandono, a iluminação em LED e o lazer devolveram a “sala de estar” ao morador da periferia.


Paralelamente, o programa ProMorar e as obras de encostas enfrentaram a vulnerabilidade geográfica da cidade, unindo engenharia à proteção da vida. Esse esforço foi acompanhado por uma estratégia de comunicação que humanizou a figura do prefeito e criou uma conexão direta com o “corre” diário do recifense.


Mobilidade e os desafios do tabuleiro político


Apesar dos avanços municipais, a mobilidade urbana e a revitalização total do Centro Histórico (Recentro) seguem como gargalos que exigem tempo e fôlego. Agora, esse legado entra em transição: Victor Marques (PCdoB) assume com a missão de manter o ritmo de entregas, enquanto João Campos se posiciona para o xadrez de 2026. A capital será, mais uma vez, o epicentro do debate estadual.


O horizonte de 2026: polarização e cidadania

Ao amanhecer deste dia 1º, o calendário nos lembra que a política “está logo ali”. O novo ano será o palco das articulações para uma eleição presidencial que já se desenha sob o signo da polarização, com reflexos diretos nas alianças locais. Pernambuco, historicamente um termômetro político do Brasil, verá o embate entre diferentes modelos de gestão se intensificar.


A esperança que o pernambucano celebra hoje não é abstrata. Ela tem cor, sotaque e endereço. É a esperança de que o emprego gerado pelo Arco Metropolitano chegue à mesa; de que a água da Compesa saia da torneira; de que o metrô volte a ser o orgulho da Região Metropolitana; e de que o centro do Recife deixe de ser fantasmagórico.


Ao amanhecer deste primeiro dia do ano, o Recife não apenas acorda para um novo mês, mas para a oportunidade de reafirmar seu protagonismo no Nordeste e no Brasil. A super festa passa, os fogos silenciam, mas a vontade de fazer o futuro acontecer agora é o que permanece nas pontes e nas ruas da cidade.


Que o sol deste primeiro dia do ano ilumine a consciência de um povo que, entre o frevo e o trabalho, sabe que o “amanhã” se faz com a coragem do presente. E boas escolhas! São elas que garantem um feliz ano novo.

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