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POLÍTICA

Recife: ato contra redução de penas para condenados ocupa Rua da Aurora

O protesto deste domingo tem dimensão menor do que a registrado no dia 21 de setembro

Recife: ato contra redução de penas para condenados ocupa Rua da Aurora
- Ponto de encontro é na Rua da Aurora, no Centro do Recife, à margem do Rio Capibaribe
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

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Um ato público contra a redução de penas para condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, foi realizado na tarde deste domingo (14), no Recife. A manifestação acontece na Rua da Aurora, área central da capital, que neste momento está tomada por manifestantes, muitos vestindo camisas vermelhas e carregando faixas contra a anistia dos condenados na trama golpista.

A mobilização integra uma jornada nacional de protestos convocada por movimentos sociais, centrais sindicais, partidos políticos e entidades do campo progressista, em reação à aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto que altera critérios de dosimetria das penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas.

Na capital pernambucana, o ato deste domingo tem dimensão visivelmente menor do que a registrado no dia 21 de setembro, quando milhares de pessoas foram às ruas contra a chamada PEC da Bandidagem. Ainda assim, o protesto está nas ruas.

No Recife, marcam presença no evento a senadora Teresa Leitão, além de deputados e deputadas estaduais e federais, bem como vereadores mais ligados ao campo da esquerda. Nomes como Carlos Veras (PT), Dani Portela (PSOL), Liana Cirne (PT) e Marília Arraes (Solidariedade), que tenta cavar uma vaga no Senado, estiveram presentes.

O que motivou o protesto

O foco da mobilização é o Projeto de Lei 2.162/2023, conhecido como Lei da Dosimetria, aprovado pela Câmara na madrugada da última quarta-feira (10) e atualmente em análise no Senado. O texto modifica regras de progressão de regime ao estabelecer percentuais mais baixos para a transição do regime fechado para o semiaberto e aberto.

Para os organizadores do ato, a mudança abre caminho para a redução efetiva das penas impostas aos responsáveis pelos ataques antidemocráticos de janeiro de 2023 e pode beneficiar, direta ou indiretamente, figuras centrais já julgadas ou investigadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e militares envolvidos.

Especialistas em direito penal e execução penal também apontam que a alteração não se restringe aos crimes contra a democracia. Ao flexibilizar critérios de progressão, o projeto pode alcançar outros tipos de condenação, inclusive por crimes graves, gerando insegurança jurídica e impactos mais amplos no sistema penal.

Orientações e símbolos do ato

As lideranças orientaram os participantes a levarem bandeiras do Brasil, cartazes com pedidos de responsabilização e mensagens contrárias a qualquer forma de anistia ou abrandamento das punições. A estratégia é marcar posição pública em defesa das instituições democráticas e pressionar o Congresso a barrar o avanço da proposta.

Mobilização em todo o país

Além do Recife, atos semelhantes ocorrem neste domingo em capitais e grandes cidades de todas as regiões do país. A convocação nacional reúne organizações como o Partido dos Trabalhadores (PT), a Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo, centrais sindicais e movimentos sociais.

No cenário nacional, parlamentares e lideranças do campo progressista passaram a defender abertamente a ocupação das ruas como resposta política à decisão da Câmara, avaliando que o debate ultrapassa a esfera penal e toca diretamente na preservação do Estado Democrático de Direito.

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