- Pernambuco, PE 21°C

Pernambuco 21°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
FEMINICÍDIO

Mulher é morta pelo ex em AL após deixar Caruaru para fugir de ameaça

Maria Graciele dos Santos, de 25 anos, foi morta a tiros enquanto dormia ao lado dos filhos em Coruripe

Mulher é morta pelo ex em AL após deixar Caruaru para fugir de ameaça
- Maria Graciele havia saído de Caruaru há 20 dias tentando escapar da violência doméstica
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


A tentativa de fuga de uma rotina de violência terminou em tragédia na madrugada desta terça-feira (9), no povoado de Pindorama, em Coruripe, litoral de Alagoas. Maria Graciele dos Santos, de 25 anos, foi executada a tiros dentro de casa pelo ex-marido. A vítima havia se mudado de Caruaru, no Agreste pernambucano, há menos de um mês, justamente para se esconder das agressões e ameaças de morte feitas pelo autor do crime. 

A execução na frente das crianças

A covardia do feminicida é tão grande que ele não se preocupa com os filhos. Segundo as investigações, o crime ocorreu enquanto Maria Graciele dormia ao lado de seus dois filhos pequenos. De acordo com as informações apuradas, o ex-companheiro invadiu a residência e disparou contra a vítima, atingindo-a fatalmente na região do pescoço.

A perícia confirmou que a jovem morreu no local, antes que qualquer socorro pudesse ser prestado. Apesar da brutalidade da ação e da proximidade, as duas crianças que estavam na cama não sofreram ferimentos físicos. O atirador fugiu logo após os disparos. (Veja abaixo, o que fazer se você viver uma situação parecida com a de Maria Graciele) 

Investigação e busca por cúmplice

O caso está sendo tratado pela Polícia Civil como feminicídio. As investigações iniciais, conduzidas pelo delegado James Bernard Aita Silveira, da Unidade de Atendimento ao Local de Crime II, apontam para a possível participação de um segundo envolvido. A polícia apura a existência de um outro homem que estaria aguardando em um carro para dar fuga ao assassino.

O inquérito agora segue sob a responsabilidade da Delegacia de Homicídios da 7ª Região de Penedo, liderada pelo delegado Maurício Cruz. Até o momento, o suspeito não foi capturado. Segundo uma das testemunhas, o ex-dela tinha passado dois dias dentro de um carro vendo sua rotina antes de cometer o crime.

O silêncio provocado pelo medo

Relatos de familiares indicam que a mudança de Graciele para o estado vizinho, ocorrida há cerca de 20 dias, foi uma medida desesperada de sobrevivência. A família contou que ela vivia sob constante terror e já havia pedido que cuidassem de seus filhos caso o pior acontecesse.

O medo de represálias por parte do ex-marido era tamanho que a vítima optou por não registrar boletins de ocorrência contra ele enquanto estava em Pernambuco, o que infelizmente não impediu que ele a localizasse em outro estado.

Veja também: Preso por tentativa de feminicídio, secretário de Calumbi não foi exonerado

O que fazer em casos semelhantes ao de Maria Graciele?

O medo da represália é um sentimento legítimo e a principal barreira para a denúncia. O ciclo da violência e as ameaças fazem com que a vítima se sinta sozinha e sem saída.

No entanto, existem ferramentas e estratégias que podem ser usadas de forma discreta para garantir a proteção e a segurança, mesmo antes de uma denúncia formal.

AÇÃO 1: construa o registro seguro e discreto

Se você teme ir à polícia imediatamente, comece a construir provas de forma sigilosa. Você precisa de evidências que comprovem o seu relato.

Documentação médica: após qualquer agressão física, procure uma unidade de saúde (hospital ou posto) e relate ao profissional de saúde que a lesão foi causada por violência doméstica. O sistema de saúde é obrigado a notificar o caso às autoridades. Essa ficha médica vale como prova, mesmo que você não faça o B.O.

  • Armazenamento de provas digitais: use um celular antigo ou um e-mail secreto (que o agressor não saiba) para armazenar:
  • Áudios e Vídeos: Gravações de ameaças ou discussões (sem que ele veja).
  • Prints: Mensagens de texto (SMS, WhatsApp, redes sociais) contendo ameaças.
  • Fotos: De lesões, danos materiais ou objetos usados como arma.
  • Local de Segurança: Guarde esses arquivos em um pen drive ou em um serviço de nuvem (como Google Drive ou Dropbox), com senhas fortes e sem que o agressor tenha acesso.

AÇÃO 2: acione a rede de apoio e alerta

Você não está sozinha. Crie uma rede de alerta discreta.

Círculo de confiança: escolha 1 ou 2 pessoas de sua absoluta confiança. Compartilhe o plano de segurança (para onde ir, o que fazer) e envie o material de provas para elas.

Código de Emergência: Crie uma palavra-chave ou uma frase secreta com essa pessoa de confiança. Se você enviar essa palavra em uma mensagem ou disser em uma ligação, ela saberá que você está em perigo e deve ligar para o 190.

Procure o CREAS: O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) oferece apoio psicossocial e ajuda a criar um plano de segurança, sem a formalidade imediata de uma delegacia. Eles podem orientar sobre abrigos sigilosos.

AÇÃO 3: exija a medida protetiva

O medo da represália é combatido com a força da lei. A Medida Protetiva de Urgência (MPU) é a ferramenta mais eficaz para afastar o agressor legalmente.

Não precisa ser confrontada: Você pode solicitar a MPU em qualquer Delegacia da Mulher (DDM) ou delegacia comum. O processo é rápido e o juiz decide em até 48 horas. O agressor não é ouvido nesse momento.

Afastamento Obrigatório: A MPU determina que o agressor não pode se aproximar de você, dos seus filhos e nem do seu local de trabalho/moradia.

Descumprimento é Prisão: Se o agressor for notificado da MPU e a descumprir (como tentar entrar em contato ou se aproximar), ele comete um crime com pena de prisão e pode ser preso em flagrante pela polícia.

AÇÃO 4: estratégia de fuga e mudança segura

Se a fuga for inevitável, planeje-a de forma estratégica, focando no sigilo do novo endereço.

Localização secreta: Ao mudar de cidade ou estado, não comunique o destino a parentes distantes ou amigos casuais.

Exclua rastreamento digital: Desative a localização do celular. Exclua redes sociais e evite postar fotos que possam revelar sua nova localização (como paisagens únicas ou detalhes da casa).

Abrigo sigiloso: Se o risco de vida for alto, procure a assistência social para ser encaminhada a uma Casa-Abrigo. Esses locais têm endereço sigiloso e segurança reforçada, sendo o único lugar onde o agressor jamais terá acesso.

Lembre-se: A violência não é uma escolha sua. Você não é culpada. Buscar ajuda é um ato de coragem e de amor-próprio.

Amigos e familiares podem fazer denuncia anônima pelo 180

Em caso de risco imediato, ligar para o 190

Mais Lidas

Ver tudo ›