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Federação de Jiu-Jitsu de Pernambuco desfilia estuprador

Foi necessária a pressão de mulheres e de atletas para que Emanuel Adelino deixasse a competição estadual

Professor de Jiu Jitsu condenado por estupro de vulnerável foi liberado para torneio por uma juíza
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



Por volta das 20h desta segunda-feira (29), a Federação de Jiu Jitsu de Pernambuco divulgou nota, dando a segunda versão sobre a participação de um estuprador, condenado e preso, no campeonato estadual desse esporte, Emanuel Adelino da Silva, 41 anos.

Sem citar o nome de Emanuel, nem usar o termo “expulsão”, o comunicado da FJJPE diz que ele “não faz mais parte dos filiados da federação”, de modo que não pode mais participar da competição em andamento.

A entidade informou que “repudia totalmente a prática de qualquer crime e, de forma ainda mais veemente, os crimes cometidos contra mulheres, sendo a favor das punições no rigor da lei”.

Durante à tarde, antes da exibição de reportagem no Brasil Urgente, na TV Tribuna PE, ninguém da federação sabia informar sobre como Emanuel conseguiu participar do torneio e estava no topo da lista entre os participantes em ofício enviado ao presídio.

Usaram até a palavra “fantasma”, em tom de brincadeira, para falar sobre quem teria assinado o convite.

Prisão e gravidade do crime só ganham voz com a pressão das mulheres

O comunicado oficial emitido nesta quinta-feira (29) confirma que vários diretores foram informados sobre o preso e sobre a gravidade do crime cometido por um dos participantes e nada fizeram. Pelo contrário. Pediram que os insatisfeitos fizessem um abaixo-assinado sobre o assunto.

Depois dos protestos de sábado e domingo, mulheres protegidas pelo anonimato – em mais uma prova de como se sentem inseguras -, , sobre a gravidade de ter que conviver, durante as lutas de um campeonato, com um estuprador andando solto no ginásio, sem sequer usar tornozeleira eletrônica.

Uma atleta chegou a contar à TV Tribuna que começou a fazer jiu jitsu para se proteger de eventuais violências sexuais e estava desolada com a participação de um estuprador no torneio.

Emanuel Adelino da Silva era professor de Jiu Jitsu quando estuprou, em 2021, uma adolescente de 13 anos, uma idade considerada como vulnerável. O lutador, inclusive, utilizou-se da função de professor para ganhar a confiança da menina e violentá-la.

Desfiliação já chega bem tarde

Emanuel Adelino deveria ter sido expulso da federação desde a condenação no dia 19 de junho de 2023. Ele foi escoltado para chegar ao torneio, mas cumpre a pena em regime fechado.

O professor de Jiu Jitsu foi condenado a 15 anos e 9 meses por um crime considerado no Brasil como hediondo.

Outra parte do texto da FJJPE fala. “Diante da manifestação pública e notória na Segunda Etapa do Campeonato da FJJPE, documentada em nossa ata da competição, buscamos providências dentro das normas, onde informamos que o preso objeto das manifestações “não faz mais parte dos filiados da FJJPE”, e consequentemente, está impedido de participar de todas as competições organizadas e chanceladas pela federação”.

Por fim, a FJJPE informa: “Não coadunando com qualquer prática criminosa, buscando com rigor o melhor para a sociedade e a promoção benéfica do esporte”, finalizou a federação, encerrando o episódio sem dar respostas que assegurem punição para atletas que desrespeitarem as leis do país.

Comunicado oficial da FJJPE gera mais polêmicas e indignação

Quase mil pessoas haviam curtido a nota da federação publicada nas redes sociais, até as 23h30, mas a indignação nos comentários permaneceu.

Apesar de frisar, na nota, que havia tomado providências sobre o caso após a polêmica, uma fonte informou à TV Tribuna PE que a iniciativa de desfiliação partiu do próprio condenado, o que não foi confirmado pela entidade.

Nas redes sociais da federação, atletas e seguidores criticaram o comunicado oficial divulgado pela FJJPE em outros aspectos. Internautas disseram ser um erro o estatuto da federação não prever punição severa para quem comprometesse a imagem da instituição.

Um dos trechos mais criticados da nota foi o seguinte: “não existe previsão formal no estatuto ou no regimento interno sobre medidas específicas contra condenados por crimes”. 

“Está na hora de atualizar o estatuto da FJJPE para que esse tipo de situação nunca mais aconteça. Parabéns às mulheres que tiveram a iniciativa de denunciar e gratidão também a todo o apoio recebido por diversas pessoas. Quem aspira sonhos individuais não prospera, porque só a luta coletiva edifica!”, escreveu a professora Thaynah Leal.

“Com essa retratação, fica a sensação de que a Federação será sempre omissa a eventual má conduta de seus atletas federados. Quando deveria exaltar os valores do esporte e banir qualquer atleta e principalmente professores que tenham má conduta ou se utilizem do jiu-jitsu de qualquer forma para oprimir, perseguir ou cometer qualquer tipo de crime, e mais ainda os de natureza sexual contra mulher ou criança”, enfatizou o empresário Zeca Lima.

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