A cirandeira Lia de Itamaracá e Chico Science (in memorian) foram os nomes anunciados pela Prefeitura do Recife como os homenageados do Carnaval 2024. O anúncio foi feito pelo prefeito João Campos, na manhã desta quarta-feira.
Uma das homenagens será feita a Lia de Itamaracá – sinônimo de cultura pernambucana no mundo inteiro, confirmando a importância feminina na sustentação e perpetuação das tradições da cultura popular, gestadas e protagonizadas por grandes mestras há muitas gerações.
A cirandeira é defensora de uma das mais antigas vocações culturais de Pernambuco, declarada patrimônio imaterial do Brasil pelo Iphan em 2021, feita de dança, música, oralidade, sal e sol.
A festa também renderá homenagem a Chico Science, que redesenhou o lugar do Recife no mapa da música mundial, fincando parabólicas no mangue e misturando ciranda, coco e maracatu com rock.
O cantor e compositor, que nasceu no Recife e foi morar em Olinda durante a infância, foi também homenageado da última edição do Festival Recifense de Literatura A Letra e a Voz, dentro das celebrações dos 30 anos do Movimento Manguebeat.
“Nossa cultura é repleta de fontes inspiradoras, que perpetuam legados, que promovem encontros, de gerações e saberes. No próximo carnaval, essa grandeza e esse pertencimento vão estar presentes já nas homenagens. Chico Science e Lia nos representam, projetando o Recife no mundo”, comentou o secretário de Cultura, Ricardo Mello.
Lia de Itamaracá
Literalmente a maior cirandeira do estado, Lia de Itamaracá é rainha na beira da maré sempre cheia da cultura popular pernambucana.
A “morena queimada do sal e do sol da Ilha de Itamaracá”, como ela própria canta, cresceu nas rodas de ciranda da praia de Jaguaribe, onde nasceu e vive até hoje.
Começou a cantar aos 12 anos, entre os seus, e pelejou como pode para defender as tradições que herdou dos antepassados, até cair nas graças do mundo inteiro, há mais de duas décadas.
Sagrou-se Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2005 e agora, prestes a completar 80 anos, segue embalada pelas pancadas das águas do mar, defendendo a ciranda nos palcos do mundo e ensinando o futuro a mergulhar nas tradições mais profundas do Nordeste, que inauguram o Brasil.
Chico Science (in memorian)
Idealizador e ícone absoluto do movimento Manguebeat, Chico Science liderou a evolução musical que modernizou o de todas as gerações pernambucanas e brasileiras da década de 1990 em diante.
Fincando raízes no mangue, com as novidades musicais do mundo as ideias de teóricos nordestinos importantes, como Josué de Castro e os acordes do frevo, coco, maracatu, ciranda e de outros artistas.
O músico nascido no Recife e criado em Olinda convocou o Nordeste conhecer sua própria identidade cultural.