Em meio à comoção pelo desaparecimento do soldado Pedro Gabriel, o advogado Jario Santos, que representa a família do jovem, publicou uma carta aberta pedindo esclarecimentos sobre as circunstâncias do caso. O militar está desaparecido desde o último sábado (17), quando teria deixado o 7º Depósito de Suprimento do Exército (7º DSup), no centro do Recife, levando um fuzil e munições.
O texto foi divulgado nesta terça-feira (20), nas redes sociais do advogado. Ele retoma informações já divulgadas sobre o desaparecimento do soldado, que estaria de sentinela em um posto de observação do quartel antes de sumir. Após o desaparecimento, foi constatada a falta de um fuzil calibre 7,62 e de 20 munições.
Questionamentos sobre a investigação e falta de provas
De acordo com a defesa, a ausência de Pedro no quartel foi comunicada à família apenas cerca de oito horas após o último registro do soldado feito pelas câmeras do local. A carta reúne uma série de questionamentos, concentrados na ausência de evidências de que o rapaz tenha deixado o quartel.
Segundo o texto, até o momento não há provas concretas — como filmagens, testemunhas ou registros — que confirmem a saída de Pedro das dependências da unidade militar. Em meio aos questionamentos, a carta traz uma indagação direta sobre as providências iniciais tomadas após o desaparecimento: “Que providências foram tomadas de imediato? Gabriel deixou o quartel? Se sim, por onde e como?”.
Perfil de Pedro no quartel e relato da família
O texto também destaca o comportamento de Pedro durante o período em que atuou no quartel, onde está há quase dois anos. Familiares reforçam que o soldado não teria apresentado qualquer comportamento considerado estranho antes do desaparecimento.
“Com apenas 20 anos de idade e 1 ano e 7 meses de serviço no Exército Brasileiro, alcançou o 1º lugar no curso de formação de cabos. Uma trajetória disciplinada, sem qualquer registro que desabone sua conduta, com promoção prevista para os próximos dias”, diz a carta.
Falta de comunicação com a família e apuração do caso
A defesa relata ainda dificuldades de comunicação direta com os responsáveis pela apuração do caso. Segundo a carta, foi estabelecido um inquérito militar, mas as informações sobre os procedimentos e eventuais avanços não estariam chegando aos familiares de Pedro.
“Não sabemos quais diligências foram feitas nem se houve avanços nas buscas. […] O sigilo da investigação não pode significar o abandono da família”, escreveu o advogado.
No documento, a defesa direciona um apelo ao Exército Brasileiro. “Pedimos que: intensifique todos os esforços de busca; assegure a preservação integral dos elementos de prova; esclareça as circunstâncias do desaparecimento; estabeleça, de imediato, um canal permanente de comunicação com a família e sua representação jurídica”, solicitou.
Canal para informações
A família divulgou o número de telefone (81) 99405-0486 para receber informações sobre o paradeiro do rapaz. O contato foi apresentado como um canal direto para quem tiver qualquer dado que possa contribuir com as buscas.
Prisão de cúmplice e atuação do CMNE
Ainda nesta terça-feira (20), o Comando Militar do Nordeste (CMNE) informou o cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra uma jovem, ainda não identificada, que teria confessado ter se encontrado com Pedro após a constatação do seu desaparecimento.
Em nota oficial enviada à imprensa, o CMNE afirmou estar “empenhado na localização do militar e na recuperação do material, em conjunto com os Órgãos de Segurança Pública, sempre respeitando o princípio da legalidade”.
A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) registrou o desaparecimento do soldado e apura o caso por meio da Delegacia de Pessoa Desaparecida do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), enquanto a Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) auxilia o Exército nas buscas.
Confira a publicação com a carta na íntegra: