- Pernambuco, PE 22°C

Pernambuco 22°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
FOPEVID

Menos da metade das mulheres protegidas pela Justiça não pega o rastreador em PE

Muitas mulheres relatam à Justiça que se assustam com o barulho do aparelho, ficam ansiosas e também temem ser expostas em ambientes públicos

Menos da metade das mulheres protegidas pela Justiça não pega o rastreador em PE
- Agressores alegam que não aceitam o fim do relacionamento, por exemplo. Este é um dos principais motivos
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



Em levantamento da Polícia Civil apresentado ao Fórum Pernambucano de Juízes e Juízas das Varas de Medidas Protetivas e Enfrentamento à Violência contra a Mulher, um dado chama a atenção. O perfil dos monitorados mostra que, após 1.062 Medidas Protetivas serem dadas contra o agressor, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, apenas 469 das vítimas foram buscar a Unidade Portátil de Rastreamento (menos da metade).

Este aparelho alerta a polícia caso os autores de violência contra as mulheres esteja próximo da área no entorno dela, onde ele está proibido de circular. Os dados são de 2025 e foram apresentados pela gestora das Delegacias das Mulheres do Estado, Bruna Falcão.

Muitas mulheres relatam à Justiça que se assustam com o barulho do aparelho, ficam ansiosas e também temem ser expostas em ambientes de trabalho ou entre familiares. “Eu tenho que carregar o aparelho e o local onde eu trabalho é público”, disse uma mulher cujo nome preservado.

Nenhum tipo de medo, entretanto, é mais importante do que a vida.

Descumprimentos são avisados

Em média, a Polícia recebe 590 alertas diários em áreas de exclusão, onde os agressores não podem circular. Destes, apenas 7 rompem a tornozeleira (o que também é avisado à polícia), outros 217 deixam a bateria acabar. Outros dados serão preservados para segurança da mulher.

É importante lembrar que todos os descumprimentos são avisados ao Juízo, responsável por decretar a prisão do infrator. Segundo outro número interessante, embora o número de feminicídios tenha chegado a 76, entre janeiro a 24 de novembro deste ano, os próprios órgãos protetores não estão conseguindo identificar claramente os motivos.

Agressores alegam que não aceitam o fim do relacionamento, por exemplo. Este é um dos principais motivos. As pesquisadoras Ana Liés Thurler e Lourdes Bandeira observaram que homens, especialmente os latinos americanos, reagem mal à finalização dos relacionamentos por parte da mulher. Eles acreditam ter a prerrogativa de encerrar o relacionamento íntimo.

“Ao assumir a decisão de se separar, a mulher quebra o paradigma patriarcal de que, para terminar relacionamentos afetivos, a prerrogativa de escolha seria masculina, conforme a divisão sexual do poder existente no interior das relações de conjugalidade”, escreveram as pesquisadoras no livro Violência Doméstica, Vulnerabilidade e Desafios na Intervenção Criminal e Multidisciplinar.

O texto continua: “A mulher que se separa, trocaria o papel de mãe, dona de casa, esposa ou companheira pela situação de fora da norma, sendo-lhe conferida a representação social feminina de insubordinação, desobediência à ordem masculina dominante e, no limite desviante das regras heterossexuais”.

Área sombreada

Mas, há outros fatores que não foram devidamente identificados, segundo psicólogas que lidam com a violência contra a mulher.

A internet e fóruns misóginos que nunca foram derrubados pelos seus provedores. Isso tem influenciado o feminicídio praticado por jovens? Na Várzea, por exemplo, uma jovem de 22 anos, foi assassinada e mutilada pelo seu ex-companheiro de 21 anos. Trata-se da manosfera, rede de comunidades online interligadas, que muitas vezes promove o antifeminismo, ideias tóxicas sobre a masculinidade e a misoginia?

É sobre o machismo estrutural? Ou também pesa o fato de as mulheres estarem sendo provedoras na maioria dos lares onde os homens (inclusive os de menor poder aquisitivo, perdem o pequeno poder, como a manutenção da casa? Será tudo isso?

O lado positivo

Em meio a tanta dor e tantas notícias de mulheres mortas por ex-parceiros e companheiros, especialmente, como a que aconteceu na Várzea, Zona Oeste do Recife, neste final de semana, quando um homem tirou a vida da mulher e dos filhos, também existe uma pequena luz. Pelo recorte do perfil de monitorados, dos 3.401 casos de investigação concluídos, houve zero saída temporária. O feminicida pode ficar preso por até 40 anos. É a maior pena já existente no código penal brasileiro.

E você sabia que cinco números podem salvar uma vida?

No Recife e em Pernambuco, denúncias de violência doméstica podem ser feitas por: 180, 0800 281 8187, (81) 3355-3008, 0800 281 0107, (81) 3421-9595 e 190.

Mais Lidas

Ver tudo ›