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Bebê morre após ter pulmões perfurados em procedimento médico

Família acusa hospital de negligência após bebê ter pulmões perfurados durante procedimento no Recife

Bebê morre após ter pulmões perfurados em procedimento médico
- João Miguel Alves da Silva teve os dois pulmões perfurados quando colocou acesso central
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

A morte de João Miguel Alves da Silva, de apenas 1 ano e 10 meses, mobiliza investigações e levanta suspeitas de erro médico em um hospital particular do Recife. O menino, que tratava um quadro de pneumonia, teria tido os dois pulmões perfurados durante a colocação de um acesso central, procedimento que, segundo a família, resultou em uma piora irreversível.

De acordo com os pais, a primeira ida ao hospital ocorreu em setembro do ano passado, quando João Miguel apresentou sinais de pneumonia. Na ocasião, ele foi liberado para tratar a doença em casa apenas com antibióticos, sem passar por exames. Meses depois, voltou à unidade com amidalite e novamente recebeu alta sem investigações mais detalhadas.

Em janeiro deste ano, após sucessivas crises de vômito, o bebê precisou ser internado na UTI. A mãe, a auxiliar administrativa Thais Paulino, lembra que inicialmente recebeu garantias de que o filho estava bem.

“Disseram que ele precisava apenas ser monitorado e receber a medicação direto no pulmãozinho”, contou. Pouco tempo depois, porém, a criança começou a apresentar dificuldade respiratória.

“Minha sogra viu ele com dificuldade pra respirar… E eu fiquei bastante assustada porque ele não chegou no hospital assim. Rapidamente eu entrei para ver como é que o meu filho tava. E o meu filho, ele tava com muita dificuldade pra respirar e o quadro dele só evoluía para uma piora”, disse a mãe.

Nem os profissionais da Unimed entenderam porque os dois pulmões estavam perfurados

Segundo relato médico à família, o problema teria ocorrido durante o procedimento para inserção do acesso central. “‘Quando vai colocar o acesso, corre o risco de perfurar um pulmão. E a gente não entende porque o outro pulmão dele também tá perfurado’”, acrescentou Thais, contando a informação que recebeu.

O pai do menino, Gidson Alves, que trabalhava como porteiro na própria unidade, também estranhou a evolução do caso. “Errou onde não poderia errar, furar os dois pulmões do meu filho. Deixaram de tratar a pneumonia para tratar um erro deles. Isso a polícia precisa investigar”, desabafou.

João Miguel chegou a passar por cirurgia para colocação de drenos, mas não resistiu. O advogado da família, Ricardo Rodrigues, afirma que já acionou a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e solicitou a abertura de sindicância no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).

O caso também foi analisado pelo Instituto de Medicina Legal (IML), que confirmou a existência de perfurações nos dois pulmões.

“Não há lógica causal em uma criança clinicamente estável entrar no hospital e sair com dois pulmões perfurados. É preciso que a investigação esclareça se houve erro médico”, declarou.

A Polícia Civil, por sua vez, instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do óbito. Até o momento, o hospital não se pronunciou oficialmente sobre o caso. A Unimed foi procurada para falar sobre o assunto por volta das 8h desta sexta-feira, mas, até o fechamento da matéria no JT1, não havia se pronunciado.

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