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COINCIDÊNCIA INACREDITÁVEL

Jovem fica 9 meses preso por coincidência de nomes entre ele, assassino e a mãe

Preso por engano em Jaboatão, Anderson só foi libertado após a Defensoria provar a homonímia no processo

Além de ter o nome semelhante ao do criminoso, o nome da mãe igual, a irmã da vítima também o confundiu.;
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

Com informações de Marwyn Barbosa, da TV Tribuna


Um nome igual, uma mãe com o mesmo nome e um reconhecimento equivocado bastaram para que o vendedor de água Anderson Gabriel da Silva, de 25 anos, visse o mundo desabar. Durante nove meses, o jovem viveu atrás das grades por um crime que não cometeu — um erro tão improvável que parece roteiro de cinema, mas nasceu da realidade crua das falhas do Estado com o cidadão e da própria Justiça.

Depois de quase um ano preso no Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), Anderson deixou o portão do presídio nesta terça-feira (7) e foi recebido com lágrimas e abraços pela mãe e pela esposa. A liberdade veio após a Defensoria Pública de Pernambuco comprovar o equívoco que o manteve encarcerado desde 10 de janeiro, quando foi preso em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.

A confusão começou porque Anderson, o verdadeiro assassino e até as mães de ambos têm exatamente os mesmos nomes. Essa coincidência de registros, somada a uma falha de reconhecimento visual, o colocou no centro de uma investigação sobre um homicídio ocorrido em Goiana, na Zona da Mata Norte, em 2023.

O erro que mudou uma vida



“Não foi uma tarefa fácil. Foi uma situação extremamente complicada, porque precisávamos provar a homonímia dele e da mãe. Mas conseguimos finalmente e hoje ele saiu”, contou a defensora pública Maria Cristina Ribeiro, responsável pelo caso.

Segundo a Defensoria, o erro se agravou quando a irmã da vítima, que havia presenciado o assassinato, reconheceu o verdadeiro autor por uma fotografia, mas, no momento da audiência, se confundiu e apontou Anderson como o assassino. Essa troca de identidade — sustentada apenas pela semelhança dos nomes e pelo reconhecimento equivocado — manteve o jovem atrás das grades por nove meses.

Com novas provas, a Defensoria demonstrou ao juiz que havia duas pessoas com o mesmo nome e o mesmo nome de mãe, desmontando a tese da acusação.

“Peticionamos nos autos, juntando provas documentais, assinaturas e o reconhecimento fotográfico feito aqui. Foi um trabalho minucioso para mostrar à Justiça que eram duas pessoas diferentes”, explicou Maria Cristina.

O verdadeiro autor do crime, segundo a investigação, é paraibano e possui diversas passagens por homicídio, o oposto de Anderson, que vive do trabalho como autônomo e nunca havia sido preso.

A liberdade conquistada



Quando finalmente saiu do Cotel, Anderson parecia ainda atordoado com o que viveu.

“Eu pedi muito a Deus que desse tudo certo, porque eu não cometi esse crime. Passei nove meses com eles aqui. Graças a Deus estou saindo desse lugar horrível. Quero agradecer à doutora Cristina, que me ajudou muito. Que Deus abençoe a vida dela”, disse, emocionado.

Do lado de fora, a mãe, Ana Paula da Silva, e a esposa, Carla Assis de Paula, o aguardavam entre lágrimas.

“Só a gente sabe o que passou. Foram muitos gastos e muito sofrimento. Ver ele saindo é um alívio. Agora vamos correr atrás para ressarcir o que ele passou”, afirmou a mãe. “Foi muito julgamento das pessoas”, acrescentou a esposa.

A busca por justiça

A família agora pretende acionar a Justiça para buscar indenização do Estado pelos meses de prisão indevida. Mais do que uma reparação financeira, querem o reconhecimento público de que Anderson foi vítima de um erro absurdo — daqueles que, quando acontecem, colocam a própria ideia de Justiça à prova.

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