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EM PRIMEIRA MÃO

Justiça de São Bento do Una manda prender suspeito de feminicídio de grávida em PE

A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público e da Polícia Civil

Justiça de São Bento do Una manda prender suspeito de feminicídio de grávida em PE
- Após nova decisão, Aguinaldo Nunes Soares ficará preso de forma preventiva pela morte de Júlia Andrade dos Santos
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização


Depois de grande polêmica e revolta, a Justiça de Pernambuco decretou, nesta sexta-feira (14), a prisão preventiva de Aguinaldo Nunes Soares, que confessou ter matado uma mulher grávida e ocultado o corpo em São Bento do Una, no Agreste.

Segundo informações apuradas pelo Tribuna Online PE, em primeira mão, a decisão foi tomada pelo juízo da comarca do município, que atendeu a um pedido do Ministério Público e da Polícia Civil.

Um dos principais pontos da nova decisão é o risco que o acusado representaria caso continuasse solto.

Segundo a análise do juízo em São Bento do Una, “verifica-se, em concreto, o abalo da ordem pública, pelo contexto dos fatos delitivos”, além da tentativa de Aguinaldo de “ocultar o cadáver da vítima, a fim de prejudicar severamente o deslinde da investigação”.

O juízo da comarca de São Bento do Una acrescentou: “No caso dos autos, vislumbro a possibilidade de decretação da custódia cautelar com fundamento na garantia da ordem pública, garantia da persecução penal e aplicação da lei penal”.

O dia da liberação e a polêmica

Aguinaldo teve a liberdade provisória anunciada no dia anterior, durante audiência de custódia realizada pela Central das Garantias de Pesqueira, após confessar a morte de Júlia Andrade dos Santos, 26 anos.

Ele iria usar tornozeleira eletrônica, o que causou bastante revolta na população de São Bento do Una. Naquele momento, no entanto, segundo o TPJE, o primeiro juíz do caso, Clécio Camêlo de Albuquerque, analisou apenas a prisão em flagrante por ocultação de cadáver — crime que tem pena máxima de até três anos.

Como não havia mais flagrante pelo feminicídio, o juiz da custódia afirmou não ter competência para analisar esse ponto e determinou que o caso fosse enviado ao juízo de São Bento do Una. “Este juízo não possui competência para apreciar o pedido de prisão preventiva pela confissão do feminicídio”, registrou na ocasião.

A mudança

Com o processo já nas mãos da comarca responsável, o caso foi analisado. A Justiça entendeu que o feminicídio exige uma análise mais ampla, já que se trata de um crime grave, que envolve violência letal contra a mulher.

O juiz destacou ainda que a ocultação do corpo mostra intenção de atrapalhar o trabalho da polícia e reforça a necessidade de manter o suspeito preso durante a investigação. “A prisão preventiva do acusado é necessária para resguardar a ordem pública e a instrução criminal”, escreveu.

Com a nova decisão, todas as medidas cautelares que haviam sido impostas na audiência de custódia foram revogadas. Aguinaldo deve permanecer preso enquanto o processo segue na Justiça. Não foi revelado para qual prisão o homem foi levado.

AMEPE DIVULGA NOTA DE APOIO

A Associação dos Magistrados de Pernambuco (AMEPE) se manifestou a favor do juiz Clécio Camêlo de Albuquerque, “que atuou no pleno exercício de suas funções durante a análise de processos em audiências de custódia”.

Veja na íntegra

A Associação dos Magistrados de Pernambuco (AMEPE) vem a público manifestar seu apoio ao juiz Clécio Camêlo de Albuquerque, que atuou no pleno exercício de suas funções durante a análise de processos em audiências de custódia.

A AMEPE repudia os ataques inverídicos e desrespeitosos direcionados ao magistrado, cuja trajetória profissional é marcada pela dedicação e compromisso com a Justiça.

No dia 12 de novembro, durante audiências de custódia em Pesqueira, foi apresentado ao juiz o autuado Aguinaldo Nunes Soares, preso em flagrante no dia anterior (11/11/2025) pelo crime de ocultação de cadáver.

Já na delegacia, após o flagrante por esse crime — cuja pena máxima é de três anos, o que impede a decretação de prisão preventiva para réus sem antecedentes — o autuado confessou também ser o autor do feminicídio ocorrido em 5 de novembro, crime praticado na semana anterior e, portanto, sem possibilidade de flagrante.

Diante do pedido formulado pela autoridade policial, que se limitava à análise do flagrante por ocultação de cadáver, o magistrado aplicou as medidas cautelares cabíveis, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Em sua decisão, ressaltou ainda que a apreciação da prisão preventiva referente ao feminicídio competia à Vara de São Bento do Una, para onde o procedimento foi encaminhado. O juiz daquela unidade, inclusive, decretou a prisão preventiva pelo feminicídio no dia 14 de novembro.

Diante dos fatos, a AMEPE reafirma que o juiz Clécio Camêlo de Albuquerque atuou rigorosamente dentro dos limites legais e no fiel cumprimento de suas atribuições constitucionais.

Reiteramos nossa confiança em sua postura técnica e imparcial, e defendemos o respeito à independência judicial como pilar essencial do Estado Democrático de Direito.

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