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Dormentes

Município sertanejo de Pernambuco está sem água há 70 dias

Moradores dizem que não vão mais pagar a conta da Compesa

Contas de água chegam com valores acima de R$ 700 mesmo sem cidade receber água
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



Um tonel azul, de tamanho GG, foi instalado no “Calçadão”, no Centro da cidade sertaneja de Dormentes, para que as contas de água remetidas pela Compesa fossem jogadas dentro dele e não fossem pagas. O protesto se deu pela falta de água nas residências locais há 70 dias. O barril ficou lotado.

“Uma situação de calamidade pública”, segundo a organizadora da manifestação, a confeiteira Jaiane Castro, 30 anos. O município se localiza no Sertão do São Francisco, a 649 quilômetros do Recife.

“As pessoas estão com dificuldade de cozinhar, lavar roupa, tomar banho, lavar pratos, fazer coisas básicas e fundamentais do dia a dia. As contas continuam sendo pagas, mas a água não chega. O calote à Compesa, então, foi a saída de consenso tomada pelos moradores do município”, declarou.

A situação em Dormentes, que tem 17 mil habitantes, também foi abordada no programa Ronda Geral, conduzido por Moab Augusto, da TV Tribuna/Band (canal 4). O clima no local é semiárido.

Entre 300 e 500 pessoas participaram da mobilização, segundo os organizadores. A manifestação foi realizada na noite desta quinta-feira (26) e divulgada à imprensa nesta sexta-feira (28), com o lema “Sem água, sem grana”.



“A gente não recebe água, ninguém vai pagar mais”, disse a confeiteira. “Estamos pedindo a isenção das contas. Estamos pagando mensalmente, como se tivéssemos usado os 30 dias, e não recebemos água. Inclusive, estão vindo valores absurdos para serem pagos para alguns moradores, de R$ 400 a R$ 700”, acrescentou.

A própria Jaiane ressaltou ter pago uma conta de R$ 180 na Compesa, além de ter comprado R$ 200 de carro-pipa, água mineral para cozinhar e beber. A água do carro-pipa é colhida em barragens locais e não tem tratamento adequado para consumo humano.

“Quem não consegue pagar o carro-pipa, pega água no vizinho ou fica sem tomar banho. Tem gente deixando criança sem ir para a escola porque não tem como limpar as roupas da criança. Tem gente indo tomar banho no posto, pagando R$ 3 por um banho de dois minutos. É uma situação de calamidade pública”, disse ela, revoltada.

Jaiane também é professora de formação e participa de uma ONG em defesa das mulheres em Dormentes, mas foi escolhida para representar os moradores neste protesto.

A Compesa foi procurada para falar sobre o assunto. Mais informações em breve.

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