- Pernambuco, PE 30°C

Pernambuco 30°C

Publicidade: Combate os sintomas da gripe
ENTRE O HUMANO E O DIVINO

Paixão de Cristo de Nova Jerusalém ganha mais simbolismo neste Domingo de Ramos

Espetáculo no Agreste reproduz, no maior teatro ao ar livre do mundo, a vida, a morte e a ressurreição de Cristo

Paixão de Cristo de Nova Jerusalém ganha mais simbolismo neste Domingo de Ramos
- Dudu Azevedo foi o escalado para viver o papel de Jesus
Foto de perfil de Aline Moura

Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

Sob o céu do Agreste pernambucano, fé e paixão se encontram em Nova Jerusalém. A estrada corta o semiárido entre serras, pedras e silêncio. No caminho até o município de Brejo da Madre de Deus, a paisagem castigada pelo sol prepara o olhar. Mas é ao atravessar as muralhas de pedra que a cena muda: ali, fé e teatro se confundem.

A 57ª edição do Espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, encenada no maior teatro a céu aberto do mundo, começou neste último sábado (28). Mas é a partir deste Domingo de Ramos (28), quando a narrativa cristã recorda a entrada de Jesus em Jerusalém, que tudo ganha ainda mais sentido — dentro e fora do palco.

A cidade-teatro, erguida em uma área de 100 mil metros quadrados, recria a Jerusalém dos tempos bíblicos com arruados, jardins e grandes pátios. São nove palcos-plateia distribuídos por cenários como o Templo, o Fórum Romano, o Palácio de Herodes, a Via Sacra e o Monte do Calvário.

Ao redor, uma muralha de quatro metros de altura, com 70 torres, delimita o espaço onde a história se repete ano após ano. É de emocionar!

Desde 1968, cerca de 60 mil pessoas passam pelo cenário durante a Semana Santa para assistir às encenações, que reúnem 450 atores e figurantes, além de centenas de profissionais. A estimativa de público deste ano é de 250 mil pessoas até o próximo domingo.

A cada noite, a cidade se ilumina para contar, em aproximadamente três horas, a trajetória de Jesus — da acolhida festiva à crucificação, até o anúncio da Ressurreição.

Cem anos de um sonho

A temporada de 2026 marca o centenário de nascimento de Plínio Pacheco, visionário e idealizador da cidade-teatro. O espetáculo, que atravessou gerações, carrega também a responsabilidade de manter viva a grandiosidade pensada por ele.

Neste ano, a montagem aposta em novos recursos tecnológicos para ampliar a experiência do público. Um dos momentos mais bonitos está reservado para o último ato, quando Jesus sobe aos céus.

Um papel que ultrapassa o palco

Escalado para viver Jesus, o ator Dudu Azevedo retorna a um personagem que já marcou sua trajetória. Para ele, a experiência ultrapassa o exercício artístico.

“Eu sinto que tenho um chamado para essa história, não vejo como algo aleatório. Existe uma ligação forte e uma responsabilidade que eu assumi quando fiz a primeira vez e que se renova agora”, afirma.

Ele também destaca a dimensão do espetáculo. “Fazer parte de um trabalho dessa magnitude é uma iluminação, um presente que vai além da aleatoriedade”, diz.

Sem recorrer a fórmulas prontas, o ator afirma que busca construir uma interpretação conectada à proposta da direção e à escala da encenação. “O compromisso é entregar o melhor trabalho possível, com responsabilidade e entendimento da seriedade dessa história, que impacta e transforma a vida das pessoas.”

Maria entre a arte e a devoção



No papel de Maria, Beth Goulart define a experiência como espiritual.

“Um chamado de amor.”

A atriz une referências pessoais para compor a personagem e destaca a dimensão sensorial da encenação. “Ter o céu como testemunha, sentir a energia da terra e das estrelas ao nosso lado, torna tudo um momento único de comunhão com a espiritualidade.”

Personagens e contradições

Já Marcelo Serrado retorna à cidade-teatro décadas depois de sua primeira participação. Desta vez, assume o papel de Pilatos, figura central em um dos momentos mais decisivos da narrativa.

“Tenho um carinho enorme por este lugar e pelas pessoas. Estar aqui no centenário de Plínio Pacheco torna tudo ainda mais especial”, revela.

O ator destaca o desafio de interpretar um personagem marcado por dilemas. E também a grandiosidade da cena: “Imagina entrar em cena numa biga com cavalos e centenas de figurantes… É algo inusitado e incrível!”.

O elenco conta ainda com nomes como Carlo Porto, no papel de Herodes.”Quanto mais certo der o vilão, mais Jesus aparece.” , destaca

Um cenário que começa fora do palco

Localizado a cerca de 200 quilômetros do Recife, o município de Brejo da Madre de Deus reúne história, religiosidade e paisagem. O nome carrega duas origens: o “brejo” formado entre serras e a referência ao antigo hospício fundado por religiosos às margens do riacho Madre de Deus.

De clima semiárido e relevo marcado por formações rochosas, o território se tornou cenário natural para produções audiovisuais e atrai visitantes também pelo artesanato, pelas festas religiosas e pelos sítios históricos.

Mas é durante a Semana Santa que a cidade ganha outro ritmo. Entre muralhas, figurinos e luzes, a encenação transforma o Agreste em palco. E, por algumas horas, a distância entre o humano e o divino desaparece.

📌 Serviço | Paixão de Cristo de Nova Jerusalém 2026

📍 Local: Fazenda Nova, em Brejo da Madre de Deus

📅 Período: de 28 de março a 4 de abril

🕕 Horário do espetáculo: início às 18h

🕓 Abertura dos portões: 16h

🕗 Bilheterias: das 8h às 19h

🎟️ Ingressos

Valores variam conforme o dia

Média de preços:

Inteira: entre R$ 180 e R$ 220

Meia: entre R$ 90 e R$ 110

📲 Venda online: até 12h do dia do espetáculo

🎫 Também disponíveis nas bilheterias e pontos credenciados

⏱️ Duração e dinâmica

Duração média: cerca de 3 horas

Apenas uma apresentação por noite

Público acompanha as cenas caminhando entre os cenários

⚠️ Orientações ao público

Não é permitida entrada com alimentos e bebidas

Não é permitido uso de flash ou drones

Não é permitido entrar com cadeiras ou bancos

Após sair, não é possível retornar sem novo ingresso

Acessibilidade e dicas

Dias com menor público: segunda, terça e quarta

Há cadeiras de rodas disponíveis no local

Recomenda-se chegar cedo para aproveitar a estrutura

🚐 Transporte

Não há linhas regulares diretas do Recife.

O acesso costuma ser feito por carro ou excursões/fretados.

📍 Sobre o espetáculo

A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém é considerada uma das maiores encenações ao ar livre do mundo, realizada em uma cidade-teatro com cenários que reproduzem a Jerusalém da época de Jesus.

Mais Lidas

Ver tudo ›