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2023

Pernambuco registra mais de 5 mil crianças sem o nome do pai

Veja as alternativas para resolver a questão e saiba mais sobre a paternidade afetiva

Pernambuco registra mais de 5 mil crianças sem o nome do pai
- Em termos percentuais, Maranhão, Bahia, Alagoas e Ceará ostentam números maiores de crianças sem reconhecimento da paternidade
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

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Em levantamento no Portal da Transparência do Registro Civil, de janeiro a 29 de setembro deste ano, Pernambuco registra 5.752 crianças sem o nome do pai de um total de 85.485 nascimentos, o que representa 6,72% das certidões com pai ausente.

Os números colocam o Estado em quarto lugar do Nordeste em termos quantitativos e quinto em termos percentuais de garotos e garotas que não têm o registro do pai. É um pequeno retrocesso em relação ao mesmo período de 2022 (6,07%).

Quando se faz uma relação com 2016, ano em que esse tipo de dado começou a ser levantado no Brasil, o número de filhos sem reconhecimento da paternidade aumentou no País e no Estado. Naquela época, no mesmo período do ano, houve 104.371 nascimentos em Pernambuco e 4.518 (4,32%) sem o nome do pai.

Mesmo com toda informação e avanço da tecnologia, muitas crianças continuam nascendo sem reconhecimento da paternidade.

Como resolver essa questão Legal?

Segunda a advogada Sophia Coimbra, especialista em Direito de Família, quando o nome do pai não consta no registro de nascimento de um filho, isso significa que o genitor não reconheceu voluntariamente a ligação de paternidade existente.

A especialista frisou que, embora a ausência possa complicar o exercício dos direitos da criança em relação ao pai biológico, não os invalida completamente.

Para ela, nestes casos, a criança, representada pelo outro genitor (a mãe), tem o direito de buscar o reconhecimento compulsório da paternidade através de uma ação judicial conhecida como “ação de investigação de paternidade.”

Na ação, uma vez comprovada a ligação genética entre o pai e o filho, o que pode ser realizado por meio de um teste de DNA, o registro de nascimento da criança será corrigido judicialmente para incluir o nome do pai biológico. “A partir desse momento, todos os direitos legais da criança, incluindo herança e outros benefícios, estarão oficialmente garantidos”, destacou Sophia Coimbra.

De acordo com a advogada, essa ação legal é um passo importante para garantir que a criança tenha pleno reconhecimento de sua filiação e todos os direitos a ela associados.













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Paternidade afetiva

Sophia Coimbra explica que, além disso, é plenamente possível que, neste intervalo de tempo, a criança desenvolva um vínculo socioafetivo com outra pessoa que tenha ocupado o lugar de pai em sua criação – geralmente, com o seu padrasto.

“Se este vínculo se desenvolver de tal forma que as partes passem a se tratar como pai e filho dentro do lar e perante a sociedade, poderá haver o reconhecimento de uma paternidade baseada no afeto, chamada de socioafetiva”, declarou Sophia.

Ela explicou que, como consequência, poderá haver a inclusão do pai socioafetivo no registro de nascimento da criança e sem prejudicar o reconhecimento compulsório da paternidade biológica.

“Nesses casos, a criança poderá ter dois pais em seu registro de nascimento, com todos os direitos e obrigações decorrentes da filiação, relativamente a ambos.”

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