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Prisão de mulher de 37 anos que fingia ser criança de 12 mobiliza redes sociais

Caso registrado em Santa Catarina ganha repercussão digital com memes, debates e revelação de denúncia feita por familiar

Prisão de mulher de 37 anos que fingia ser criança de 12 mobiliza redes sociais
- Amanda Maria Souza de Oliveira conseguiu dar golpe em outras famílias também
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização



Vídeos, relatos e fotografias sobre a prisão de uma mulher de 37 anos, suspeita de se passar por uma criança autista de 12 anos, alcançaram os tópicos mais comentados das plataformas digitais. O caso, registrado em Joinville, Santa Catarina, divide as redes sociais entre o debate sobre a vulnerabilidade das vítimas e publicações de deboche sobre a farsa. Frases de internautas ironizando os hábitos infantis da investigada e usuários afirmando que também seriam enganados pela farsa acumulam milhares de interações nas plataformas de vídeo.

A farsa, que durou 14 meses dentro da residência da família acolhedora, foi desestruturada após a desconfiança de uma tia dos moradores. Segundo o histórico do inquérito policial, a familiar notou traços físicos incompatíveis com a infância e alertou os responsáveis sobre possíveis inconsistências no comportamento da suspeita. Após a insistência da parente, os moradores realizaram uma busca nos pertences da investigada, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, e localizaram os documentos de identidade reais ocultados no imóvel.

A estrutura do engano doméstico e a rotina

No município de Joinville, sob o nome falso de Gabriele, a investigada localizou as vítimas em um templo religioso e afirmou ter fugido do Pará devido a agressões domésticas. A apuração da Polícia Civil revelou que o relato era falso e que Amanda nasceu no estado do Ceará.

Para sustentar a identidade falsa de “Gabriele”, a mulher mantinha uma rotina baseada na utilização de artefatos infantis, como chupetas, mamadeiras e fraldas descartáveis. O quarto da investigada possuía decoração com desenhos e brinquedos para reforçar o personagem. Diante dos questionamentos de vizinhos e amigos da família sobre traços corporais adultos, a mulher justificava que as feições eram sequelas de tratamentos hormonais severos realizados na infância.

O comportamento da indiciada incluía a simulação de crises de pânico e episódios de isolamento, condutas que, segundo o relatório da Polícia Civil, serviam para criar um vínculo de dependência emocional e travar questionamentos das vítimas. A família afetada chegou a organizar uma celebração pública de aniversário de 12 anos para a mulher. A denúncia da tia levou à mobilização imediata das forças de segurança no distrito de Pirabeiraba, onde ocorreu a prisão em flagrante.

Histórico criminoso mapeado em cinco estados

O delegado responsável pelo caso, Rodrigo Bueno Gusso, confirmou que o Poder Judiciário converteu o flagrante em prisão preventiva após audiência de custódia. A autoridade policial também determinou a realização de exames de sanidade mental para avaliar as condições psicológicas da indiciada. O levantamento dos órgãos de segurança indica que a mulher utilizava a inserção em comunidades religiosas para obter abrigo, apoio financeiro e iniciar os processos de suposta adoção.

As investigações revelaram que o esquema de falsa identidade possui registros semelhantes em outras quatro unidades da federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. Em todas as regiões mapeadas, o padrão de atuação consistia na infiltração em núcleos familiares sob o pretexto de abandono de vulnerável. A Polícia Civil mantém as investigações abertas para identificar se outras famílias foram vítimas da mesma conduta, enquanto a indiciada permanece no sistema prisional catarinense.

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