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FORÇA-TAREFA

Dezoito paraguaios são resgatados de trabalho escravo em fábrica clandestina

Vítimas viviam em alojamentos precários dentro de galpão; operação conjunta da Sefaz-PE e PF prendeu 19 pessoas

Dezoito paraguaios são resgatados de trabalho escravo em fábrica clandestina
- De acordo com o auditor fiscal da Sefaz-PE, João de Paula, o cenário inicial era de extrema vulnerabilidade para os trabalhadores
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Aline Moura

Aline Moura é formada pela UFPE, trabalhou como repórter de Política, Editora Assistente de Produção de Política e repórter especial do Diario de Pernambuco, num período de 15 anos, onde atuou em todas as áreas, exceto esportes. Também teve experiência de quatro anos como gerente de comunicação da Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco e voltou ao jornalismo para integrar a equipe do Portal da Tribuna Online como repórter.

Última atualização

Com informações de Carlos Simões



Dezoito trabalhadores de origem paraguaia foram resgatados de condições análogas à escravidão durante uma operação conjunta entre a Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz-PE) e a Polícia Federal. O resgate ocorreu dentro de um galpão disfarçado em um condomínio empresarial no bairro de Pontezinha, no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. A ação, baseada em um trabalho de inteligência mantido em sigilo, resultou ainda na prisão em flagrante de dois brasileiros e no fechamento de uma fábrica clandestina de cigarros falsificados que funcionava no local.

O número de resgate e de prisões foi corrigido nesta tarde pela Polícia Federal. No início do dia, os dados iniciais divulgados apontavam para 25 pessoas encontradas em situação análoga à de escravidão e 19 prisões. 

O resgate e as condições das vítimas



Não foram divulgados detalhes de como 19 homens de outro país chegaram em Pernambuco, seguiram para o Cabo e passaram a viver no local sem outras pessoas ao redor verem. Os cidadãos paraguaios habitavam alojamentos improvisados e em condições severamente precárias dentro do próprio galpão onde trabalhavam.

A fiscalização constatou que o espaço não oferecia condições mínimas de higiene para o descanso dos trabalhadores. De acordo com o auditor fiscal da Sefaz-PE, João de Paula, o cenário inicial era de extrema vulnerabilidade. “O que a gente encontrou foram situações bem precárias, bem precárias, modo de se alojar, de dormir e tal”, afirmou.

Após o flagrante, a Polícia Federal assumiu a tipificação penal do crime e iniciou o acolhimento do grupo. “Os paraguaios foram liberados e o Ministério Público do Trabalho foi comunicado e deverá também adotar as providências cabíveis. Eles entraram no país por diversos meios e ao chegar no local foram submetidos a regime degradante sem poder sair do local e tiveram seus documentos retidos”, disse um trecho da nota divulgada pela Polícia Federal.

Os crimes que estão sendo investigados são:

* Contrabando / Fabricação Clandestina

* Crime contra a saúde pública e as relações de consumo (Lei 8.137/1990,

* Crime contra a ordem tributária (Lei 8.137/1990, art. 1º):

* Organização Criminosa (Lei 12.850/2013):, cujas penas ultrapassam 30 (trinta) anos de reclusão.

A estrutura da fábrica clandestina nos fundos do condomínio



O confinamento dos trabalhadores ocorria nos fundos de um complexo empresarial. Para evitar suspeitas de empresas vizinhas e da própria administração do condomínio, o galpão específico não ostentava qualquer nome de fachada, identificação visual ou placa informativa na entrada.

Lá dentro, a força-tarefa localizou maquinário industrial de grande porte, fumo em folhas e triturado, bobinas de papel e caixas de embalagens prontas. “Tem insumos, né? Que é o fumo, papéis, embalagem, tem insumos, sim, para a fabricação desses cigarros. O que a gente pode dizer nesse momento, agora, é que eles são sem selo fiscal. Isso nos leva à fabricação clandestina de cigarro”, detalhou João de Paula. Os cigarros falsificados tinham o nome “Eight” e “Euro” nas logomarcas.

Inteligência fiscal e destino da mercadoria

A descoberta do galpão foi fruto de um monitoramento do setor de inteligência da Sefaz-PE, classificado pelo auditor como “um trabalho de muita eficácia dos nossos auditores para chegar até aqui”. Segundo a PF, “pelo montante de cigarros apreendidos, os cigarros produzidos abasteceriam Pernambuco e demais Estados do Nordeste”.

A investigação vai descobrir há quanto tempo a fábrica clandestina funcionava e onde eram vendidos os cigarros.

João de Paula explicou que a falsificação de produtos de alta carga tributária causa uma perda profunda na arrecadação do erário público. “O fisco, a receita, ele perde muito com esse tipo de atividade paralela, né? Que é a falsificação. E isso causa um grande prejuízo ao erário público”, declarou, lembrando que esses itens supérfluos possuem taxação elevada justamente devido aos riscos associados à saúde.

A Sefaz-PE segue com o processo administrativo e tributário sobre as máquinas e insumos apreendidos, enquanto a Polícia Federal trabalha no inquérito criminal para rastrear os financiadores do esquema e os donos do maquinário pesado.

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